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Fome de quê?

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Aceita?

Meu dia se resumiu a duas cervejas e um pedaço de pizza.
Minha dieta se resumiu a fazer tudo às avessas.
Minhas idéias são resignadas: resistir de pé.
Meus pés não se cansam de caminhar sem rumo.
Meu mundo é bem mais ou menos.
Perdido.
Meu feriado ainda não terminou.
E não me lembro de quando começou.
Você pensou que fosse ser bom assim.
Eu sempre tive minhas dúvidas.
Elas, hoje, são dívidas.
Meus pés.
A culpa é toda deles.

Capítulo 13 – Pausas e Partidas

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Acordou cedo – nunca passava das 7h.
Fazia frio e chovia.
Era bom sair com calça, blusa, colete, malha, sobretudo, meias de lã, sapato com sola emborrachada.
Com tanta roupa, a individualidade quase desaparecia.

Decidiu deixar o carro em casa.
O trânsito estaria caótico.
Enfrentar o transporte público com o olhar de quem não é passageiro cotidiano.
Ver as pessoas apressadas.
Tentar adivinhar a música que toca no iPod da vizinha de cadeira.
Dar lugar para uma moça cheia de sacolas.
Sentir o vagão tremer a cada curva.

Começou a olhar os sapatos.
Trabalhadores têm sapatos gastos.
Olhou para as próprias pernas.
A calça preta de tecido tecnológico.
Não molha, não amassa, não perde a cor.
Distraiu-se…

Foi quando tentou levantar a perna que notou.
Os dois pés estavam presos no solo.
Fincados, cimentados.
Quando queria se movimentar, era o chão que mexia.
A calçada toda corria para a frente ou para trás, como as esteiras quilométricas do aeroporto de Frankfurt.

Estava no meio da Avenida Paulista.
Olhava para os pés.
Os sapatos de sola de borracha (em casa usava chinelos).
Quando caminhava para frente.
A calçada ia para trás – e seu corpo continuava parado.
Tentou andar de costas.
Um movimento de ré desajeitado.
A calçada correu para frente.
Tirou os sapatos.
Com os pés descalços, nada mudava.

Riu um riso nervoso.
Ficou alguns minutos tentando arrancar os pés da calçada.
Os termômetros marcavam 12°C.
O suor escorria por seu rosto, ensopava as costas.
Alguns pedestres que viam seu agito esquizofrênico viravam o rosto.

Todos presos.
Todos sendo levados pelas ruas, calçadas, avenidas.
Ninguém notava?
Se sabiam, por que ninguém tentava soltar os pés?
Não havia bebido, não comera nada diferente. Isso não era alucinação.
Teria enlouquecido?

Mais uma vez, tentou tirar os pés.
Queria comprar uma picareta.
Quebrar tudo, libertar-se.

Olhou em volta.
Indiferentes.
Todos presos.

Pausa

As arestas da vida adulta

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Esta semana, meu radar fechou o foco nas notícias dos tablóides.
Não, nada de príncipes e duquesas, aqui em Pindorama nossos heróis são mulatinhos (com mais tempero do que os ingleses cara de cavalo) e louras de farmácia.
E é com elas que inicia-se meu assombro.
A apresentadora de um programa dominical divulgou e a notícia foi manchete em um dos nossos sites de maior audiência: ela está com o assoalho pélvico malhado.
É isso mesmo: bacurinha trabalhada com personal trainer.
É que a moça vai ser mãe e quis deixar avisado para o filho e o mundo: pode vir que estou pronta! Ah, bom!
Da loura aparecida para o tema da questão…
Em minha hidro geriátrica, o assunto recorrente é bexiga caída.
Não, não farei piadas infames sobre a salubridade da água da piscina.
Você sabia que existe um aparelhinho chamado epi-no que promete facilitar a aula de musculação para o baixo ventre e que, entre outras vantagens notáveis, faz com que novas e idosas fiquem com o assoalho pélvico em dia?
E nem precisa de personal trainer.
As minhas velhinhas são mais espertas do que a loura de farmácia – piada pronta, eu sei.
Agora, já que malhamos as Madalenas, vamos aos Judas.
Uma série de sucesso da HBO brasileira promete ter nova temporada: Filhos do Carnaval.
Disseram que, nesta edição, o nome sofrerá alteração: Filhos do Futebol.
Aqui como acolá, começou a aparecer nos gramados, é hora de ter um bastardinho – diria Maria Antonieta do cerrado.
Querem nomes?
Pelé, Ronaldo gorducho, Ronaldo Gaúcho, Robinho… Agora o craque da vez: Neymar.
Quando o mundo pensava que ele estava saindo com uma dessas halterofilistas que desfilam de biquíni na TV, o menino inova: avisa que engravidou uma menor de idade (17 anos), e que vai assumir sua parte. (?)
Para fazer uma ponta nesse novelão, o galã e boxeador Dado Dolabella também anunciou que está buchudo.
Será o terceiro filho – cada um com uma mulher diferente – em um ano e meio.
Como o garoto também é chegado num chute, tem grandes chances de ser escalado para a nova série.
E vamos fechando com a polêmica da vez: os ricos que habitam o bairro de Higienópolis (dos primeiros a ter infra-estrutura de esgoto na capital mais rica do país), não querem metrô nas redondezas.
Reclamam que o buraco quente vai atrair camelôs, ladrões e pobres – não nesta ordem.
Um ou outro blogueiro quis faturar em cima indo contra a maré – há outra estação muito próxima e o blablablá periférico.
O problema, mermão, é que não querer uma estação de metrô alegando que ela “atrai a população desfavorecida” é coisa de Pindorama alucinada.
Em alguns países, isso é mais conhecido como xenofobia.

E, sendo assim, bom dia.
Nos vemos amanhã.

Ciganices

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Caminhante

O que eu já esperava – ou já tramava – aconteceu… Perdi o metrô ontem.
Mas não o choppinho ao lado do cemitério das estrelas, não perdi a exposição incrível de Takeshi Kitano na Fondation Cartier… Nem a feijoada com franceses que me fez perder o metrô ontem de noite.

Antes, uma pausa.
Hoje fiquei presa na lavanderia do meu prédio. A porta fechou e lá fiquei eu com duas máquinas de lavar e duas de secar, sem grana (eu tinha colocado as roupas na máquina e ia sair para trocar minha notinha de cinco… quando a porta bateu). Primeiro, risos.
Depois um pânico de leve. No fim, entreguei os pontos.
Sentei e esperei por algum barulho no corredor.
E o concierge apareceu e me mostrou onde fica o botão que abre a porta e salva os brasileiros tontos que não sabem usar lavanderias comunitárias que ficam trancadas e têm porta eletrônica.

Takeshi Kitano.
Fui mais para conhecer a Fondation Cartier. Essa coisa de prédio moderno com jardim verde exuberante é sensacional. Niemeyer que me perdoe, mas um Burle Marx é essencial.
Cheguei e pensei que a exposição do dia era para crianças. Dinossauros, desenhos infantis, máquinas manipuláveis.
E eis que a brincadeira era para gente graúda.
Gosse de Peitre Beat Takeshi Kitano é imperdível.
Um artista japonês que tira sarro da própria cultura e que é apresentador de programa de TV. Um cara que questiona a arte e a própria sociedade de massa.
É como se o Faustão tivesse humor e soubesse desenhar.
E fosse japonês. Imagina!

Clique no site e veja o vídeo da exposição. É sensacional!

Garatujas

Choppinho sozinha.
Ao lado de Père-Lachaise enquanto escrevia postais, pensava na continuação de um conto que cismei de escrever e brincava de internet no celular.
Num fazer tudo ao mesmo tempo e em lugar estrangeiro foi tão gostoso.

Do cemitério para o enterro dos ossos.
Feijoada de franco-brasileiros para francês ver.
E o negócio estava para lá de bom.
Uma moça que trabalha na Coca-Cola; outro com Christian Louboutin, o sapateiro que faz brasileiras ricas pagarem 2300 reais por um par, entre tantos outros ilustres deconhecidos.
Comemos (muito, bien sûr!), bebemos como não deveríamos (absolument!) a caipirinha de limão com maracujá e a cerveja. Alguns dançaram, outros, falaram pelos cotovelos e terminamos (quase) todos na casa de um amigo para uma saideira.
Eu fui 1h30 da manhã racionalmente de pileque esperar Godot na estação porque o metrô só chegaria às 5h30.
Acabei atravessando o cemitério – com almas penadas e gente estranha – a procura de um táxi.
Já estava imaginando a manchete “Brasileira dá sapatada em mendigo bêbado e acaba na cadeia” quando um haitiano me salvou.
Eu bem disse para ele: quem sobrevive a terremoto paga mico com brasileiro em Paris.
Paguei um mico e dez contos, descobri que moro muito mais perto da área em questão do que pensava, e voltei para casa tontinha às 2h da matina.

Hoje, ciganices por Paris, depois de ter aula às 8h da manhã.
Isso sim é que é disposição. Por que saúde…