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Meu primeiro cigarrinho

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Experimenta tentar pegar minha carteira

A-hã.
Estranha a literatura porcaria que ando produzindo.
A história vem aparecendo na cabeça, mas eu teimo.

Não escrevo.

E aí a história vai tecendo detalhes, eu perco o fio da meada do meu dia, e qualquer hora tenho que colocar tudo no papel.
Até agora foram cinco páginas. Pouco? Mas dói.
Por que eu não quero fazer e Chico Xavier me obriga.
Saco.

Pois bem, amigos, aqui em Paris a coisa anda preta.
Ando comendo carne e passando mal – depois de 18 anos vegetariando.
(não falarei aqui do teor alcóolico do que ando bebendo)
Por que?
Não sei.
Talvez para me reiventar.
Cigarro metafórico que não me serve de nada.

Hoje voltei para casa cedo. Estudei francês sem muito saco.
Tomei meu vinho, almocei tarde e dormi com Caio. Eu e ele estamos gostando muito de Paris.
Eu faço a cama e ele está lá, o livro doido me esperando.
Não tem Torre Eiffel ou Arco do Triunfo que me façam deixá-lo.
Biblioteca Mitterrand? Sebos, livrarias?
Louvre nem Quai D’Orsay.
Ando lendo devagar – para ele ficar comigo até fim de agosto.
Tenho a impressão de que não serei fiel.
E Cortázar pode me pegar.
Belga metido a argentino.
Metade Clarice, metade bruxo.

Esses dias dei uma navegada com minha internet de manivela…
E li a história da canadense que raspou cabeça e sobrancelhas para fingir que tinha câncer.
Arrecadou grana, viajou para a Disneylândia até que o pai descobriu a história e desmentiu tudo.
Parece com a menina que dia sim, dia não pega metrô comigo.
Ela fala com sotaque e francês milimetricamente errado: tem 3 filhos e não tem emprego.
Aceita 25 centavos, tíquete-refeição.
E não é que ontem ela estava pegando um pacotaço de M&M na máquina?
Filhos exigentes esses que ela não tem…

Por isso tenho uma política: dou dinheiro para músicos mambembes, vendedores de flores, bêbados piadistas e para todo tipo de vagabundo que decidiu ter coragem.

Viver sem mentir é um vício que não tem cura e causa estrago.