Posts com a Tag ‘música’

Travesti

domingo, 26 de julho de 2015

para-raios

Porque hoje, não do nada, saquei quando a gente saiu da estrada.
Diferente do mundo, eu vivo a vida às claras.
Eu não tenho medo nem amarras.
O que eu faço, mato no peito. Sem programa que deleta o que eu escrevo.
Meu aplicativo replica, publica. Grita.
Eu sou 80 em estado puro.
Eu não minto. Nem tenho mais pinto.
E eu decidi que, a partir de agora, quero ser de mais de um. De dois. Ou três.
Vou colocar o dedo na tomada. Eu sempre fui 220.
Vou dar o que me der. Vou dar.
Vou, finalmente, criar, vou deixar quem eu sou ganhar. Eu vou me entregar.
Eu comecei a ir embora.
Eu sou de trás para frente.
Comigo tudo sempre começa do alto, do grande.
Agora eu quero o diminuto.
É hora de voltar ao meu espaço, à minha mesa de sinuca, à minha solidão destemida que vai puxando gente como ímã.
Eu estou chegando em casa.
Eu não tenho mistério.
Senha.

E é por isto que você me quer.

Ciências Contábeis

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Ultimamente minha vida é no balanço.
Balanço a caminho do mar – sem me molhar e com o cabelo avacalhado de calor e areia.
Balanço de criança que me faz gastar um milhão de calorias e dá uma sede, menino…
Balanço eletrônico para a mesma criança que me libera umas boas 3 horas de trabalho.
Balanço financeiro apresentando (sempre) mais gastos do que receitas.
Balanço pessoal e intransferível de quem tem muito mais do que 30.

Sendo assim, decidir aderir ao movimento sambalanço na caixinha 24 horas por dia.
E vou tocando, cantando, batendo na caixinha de fósforo Cartola, Pixinguinha, Beth Carvalho, Portela, Mangueira, Chico, Xico, Paulinho, Candeia e muito mais.

O que seria da vida sem música?
E sem balanço?


Da série: achados microscópicos

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ver a chuva da janela.
Conta-gotas.
Soprar asas de tanajura.

Ouvir música.
Tudo o que se mistura e vira água.
Saber bicadas e subentender piados.

Falar com a bisavó.
Lembrar do gosto de pão com manteiga e café com leite.
Esquecer dos pesos e medidas.

Dia de Carlos Drummond.
Se você é mineiro, pode.
Se não, ouça – só.

Fugir como passarinho novo.
Sem saber direito como agir, asinhas.
E voltar com o peito ofegante.

Jogamos com muita raça e amor
travessuras na garoa.

Derretidos

Para Leon Cakoff.