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Capítulo 1

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Rápida

Acordou e não reconheceu a casa.
As roupas, a luz, as enormes janelas.
Procurou a bolsa.
Nada.
Abriu a porta.
O sol forte não aquecia a tarde.
Vitrines com cartazes coloridos anunciavam promoções.
Olhou para os pés.
Sapatos enormes.
Sentiu falta do telefone.
As mãos, ásperas buscaram nos bolsos.
Havia apenas um maço de cigarros mentolados.
Sentiu o hálito amargo.
Não reconheceu as ruas.
A cabeça repassando mil histórias sem começo ou fim.
Passos muito rápidos como se soubesse onde parar em meio a um romance kafkaniano tropical.
Procurava algo que lhe desse um chão, que fizesse a memória despertar.
Nada.
O que buscava mesmo?
Começou a correr.

Ruas, carros.
Nada.

Tudo

domingo, 25 de março de 2012

O que não posso mais ser.
Tudo o que fatalmente adiei.
Não poder.
Simplesmente jogar para o alto.
Decidir hoje, transformar tudo amanhã.
Mudar e nem piscar.
Ah…
Acordar num domingo e ficar esticando as pernas na cama.
Affogato de 8h as 18h.
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh.

Não, não quero seu conselho, seu sentimento, sua experiência.
Não quero status quo.
Não quero ser boa ou má.
Nem quero a vida que eu tinha antes.
Não quero que me mandem.
Não quero papo para o ar.
Não quero ir com o vento.

(ser inconstante)

Não quero nada hoje, amanhã, segunda a sexta.
Quero tudo.