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Capítulo 14 – Ócio oculto

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Com os pés presos, uma carreira semi-acabada por ter ido nu ao escritório, resolveu soltar a última corda que prendia a alma.
Meio dia, frio de 9°C no país tropical.
Ameaça de chuva.
Parou num bar.

Começou com um chopp garoto.
Mas o corpo, gelado, pedia por algo mais forte.
Um uísque.
O garçon sugeriu um negroni.
Tomou também.
Trocou o almoço por mais um drinque colorido.
E voltou para o escritório com as idéias embaralhadas.

Conseguia andar em linha reta, mas sentia a cabeça pesada.
Respondeu emails com humor.
Decidiu deletar os provocativos – que eram tantos e sobre questões banais.

Pediu uma jarra de água para a secretária.
Chocolates.

Passou a tarde com a mente variando, rindo das bobagens que viravam grandes dramas corporativos discutidos com agressividade por email. Alguém, hoje, enfrentava problema cara a cara?
Comeu chocolates sem parar.
Lambuzou os dedos. Sujou o terno.
Encheu-se de água para curar o fogo.

Decidiu se levar menos a sério.

Fio de luz e as vespas

terça-feira, 18 de outubro de 2011

tosco e limpo

Dormindo pouco – como me sinto melhor.
Viciada em comprar algodão em rolo.
Fazendo bolinhas com as mãos.
E o mundo gira, gira, gira, gira.
Aqui dentro, músicas de todos os tempos.
Manhattans, Áfricas e Casablanca. Ad Dār al Bayḍā.
Um ritual sufi na Via Láctea.

Deus é amoroso.
Mas faltou trazer meu negroni.
Quero aquele gole que o velho uruguaio me ofereceu em Punta.
Desci da bicicleta motorizada. Olhei para a cor de laranja e ele, elegante e desafiador, ofereceu.
Bebi sob o sol de 21h.
O bar aplaudiu e a bicicletinha me levou longe e rápido.

fina e sujinha

Sem saber se venta ou faz calor.
Sem querer saber.

E eis que um fiapinho de luz entrou.
Revelou os dedos do pé direito.

Sumiu o frio, pensei em Havanas, Jardins Botânicos, janeiros em São Paulo.
Comecei a contar.
Um, dois, três, quatro, cinco.
Cinco dedos, cindo dias, cinco noites, cinco semanas, cinco – tantas coisas.
Cantar – eu sou multicoisas.

Saí de mim e fui viajar.
Deu vontade de nadar.
E as árvores balançavam forte – eu vi.
Como um furação no Caribe.
Cabe uma árvore dentro do apartamento?
Só a de 30 milhões de anos, Pinus succinites.

Calorzinho bom.
Musiquinha caipira.
Drink dos anos 20.
Cheiro de limão capeta.

Uma tarde de âmbar.