Posts com a Tag ‘nós’

Sobre cordas e amarras. Sobre nós.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sempre tive horror.
Horror a pressão.
Horror dos que querem para ontem e do jeito deles, sem consultar meu gosto, meu tempo, o prazo de validade.
Sem deixar espaço para que meus pulmões trabalhem.
Curiosamente, convivo bem em ambientes de pressão.
Não caio diante do grito.
Da conversa paralela.
Do por trás.
Do para ontem.
Mas prefiro o porvir.

Não gosto de férias com data marcada.
De consulta médica com meses de antecedência.
Não gosto de elevador.
Cabine de submarino.
Helicóptero.

Gosto (apenas) do que chega sem avisar.
Do que se intromete porque não reconhece regras.
Gosto da quebradeira.
Do que atropela.
Do que cai.
E cai de novo.

Ambígua.
Sim, aprecio sair do limite.
Colocar o pé para fora da marca.
Gosto de me esfolar toda na queda.
De sentir a dureza de ser do contra.

Não me diga não – eu torço a corda.
Não me diga apenas sim – eu solto o laço.

Diga que sim de sopetão, sem planejar nem pestanejar.
Vamos.
Arriscando.
Deixando cabelos em pé.

Desatando.
(nós)

Assim, de repente

terça-feira, 29 de março de 2011

Como pode?

Acordei com todas as certezas.
Fiz faxina na agenda, arrumei  as contas, mandei olá para a pessoa que nem foi tão legal assim mas precisa de um apoio hoje…

Enchi o pulmao de ar, perguntei para a minha barriga: “- Pronta?”
Ela me respondeu: “- Acelera!”

E a Ana do Instituto Decroly caprichou na maria-chiquinha torta, no plique-pleque de moranguinho na franja e foi tomar ventania.
De repente, tudo o que deveria ser “feito” (ou seria “tudo o que se espera de das pessoas”?) sumiu da lista de tarefas.
E uma certeza puxou outra, e os nós foram sendo desatados como fio de ovos em calda de baba de moça. Não havia medo, mágoa, pressão, tristeza ou  problema. Não havia nada. Era tudo pequeno demais para ser notado.

Acelerei.

E pensei que vou esperar pela próxima manhã para descobrir se é tudo verdade.