Posts com a Tag ‘Nosferatu’

A primeira vez

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ir ao cinema quando ninguém mais pode.
Nosferatu sob o sol.

Malas sem nada – e duas viagens a cumprir.
Fim de ano fim.

Fechando pastas.
Abrindo arestas.

Saindo por aí atarefada.
Sem ter nada a dizer.

Ventania.
(com você)

Ohmmmmmmm

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Detalhe da minha saída do Fleury...

Detalhe da minha saída do Fleury...

Realmente, o mundo nasceu virado. E eu fiz a cambalhota de entrada na hora errada.
Recomendo o meu post “Existencialista” de 19/11 para quem quer maiores explicações.

São Paulo virou mar. É chuva, chuva, chuva, chuva, chuva. Ontem eu decidi: NYC no carnaval. 7 dias, frio, alguns lugares para tomar café, para não fazer nada… Hotel do De Niro em Tribeca. Mas… a 500 dólares a diária – tinha que ter De Niro com shape do Cabo do Medo ou Táxi Driver e atendendo de concièrge… Resultado: mudei para um modernete (leia-se: bem localizado, barato e metido a besta) no SoHo. Procurei passagem e bang! O Brasil está rico – todo mundo vai para NYC. Não tem mais passagem – só se for antes e voltar depois e pagando mais caro… Como não me chamo Lula, não tenho esse “poder”!

Aí, superconformada, topei voltar a Visconde de Mauá – cachoeira, comidinha natural, livro, cachorro, galinha, chuva, mato, bicicleta, lama, sauna…
Hoje, fiz as contas e confirmei o que já desconfiava: não tenho grana nem para um eskibon na Padoca.
Rárárárárá.
É, caro amigo, se você é como eu: trabalha de doméstica e ainda costura para fora… Janeiro não entrou dindim. Só depois do carnaval é que dá para ser chique por conta própria ou com milhagem…
E tome chuva em São Paulo com a fantasia de carnavais passados. Já tirei tudo da caixa: tutu preto, meia arrastão, plumas, paetês, meu new wave de 1985 e… controle o remoto universal.
Carnaval paulista é na frente da TV. Risos e mais risos.

Mudando de assunto, hoje foi dia de check up. De noite, tive insônia e achei até interessante fazer meu teste ergométrico nessas condições… O problema foi que erraram nas orientações para os meus exames de sangue (pediram 3 horas de jejum e eu tinha que ter ficado 12 horas em jejum). Negocia daqui, negocia dali, consegui autorização para fazer o teste de esforço em jejum para dar as horas necessárias para o exame de sangue. Mas exame de glicemia não pode ser feito depois de praticar exercícios…
Então começa mais uma novela de Manoel Carlos.
Esqueça o Leblon, esqueça o José Mayer travestido de garanhão, mas lembre-se de… Helena! A enfermeira do barulho.
Sem a menor cerimônia ela enfiou uma agulha calibre 4 (dedos) no meu braço esquerdo.
Com o braçoilo dolorido e sem poder dobrar, nossa heroína de novela me enviou para a enfermeira do teste ergométrico. A fofa deu bom dia, mandou tirar a blusa e pegou uma lixa. Sabe lixa de madeira? Essa mesmo! Sem perguntar, já raspou minha barriga! Segundo ela, os eletrodos do teste ergométrico têm melhor fixação depois que você é ralado feito um queijo parmesão. Como não tomo sol, tenho a pele fina e branca, imagina a cor de parmesão com salmão que eu fiquei.
E que imagem glamurosa: sem comer, com um braços sugado por um Nosferatu de laboratório, semi-nua, lixada, com 20 eletrodos na pança e no peito e subindo uma ladeira de Lisboa (toda de pedrinha) a 10 km/h. O cardiologista, muito engraçadinho, não parava de contar os casos dos pacientes que saíram dessa mesma esteira direto para uma mesa de operação. Todos enfartados – alguns mais novos que eu. Pensando na minha aposentadoria precoce da yoga, eu fixei um ponto na parede branca e me concentrei. Meu mantra era matemático: depois de calcular a velocidade do vento (de ar-condicionado), chutei a distância e o esforço necessário para cuspir no nariz do cardiologista.
20 minutos depois, com o braço furado em pandarecos, a pele raspada na cor de carmim, descabeladérrima e bufando, recebi os cumprimentos e fui enviada para o ultrassom.
Foram quatro horas e meia sem café da manhã, dois furos (um em cada braço), banho de álcool e lixada a seco, várias apertadas no gogó (para avaliar minha tiróide) – mas o esforço valeu a pena.
No final, ganhei um pacote com dois biscoitos de polvilho e queijo (que esquentaram no microondas) e uma banana.
Helena, a enfermeira bizarra, estava numa alegria só.

E eu rezei por Jane Fonda.
Que saco é ser mulher com mais de trinta.