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As coisas (realmente) simples

sexta-feira, 22 de março de 2013

Assim, sem mais

Os tais mais de 30.
Com vinte, eu queria e fazia tudo – mas não tinha a mínima idéia de onde isso iria parar.
Com trinta, festa!
Eu não tinha mais 20.
E continuava com a metralhadora a postos.
Agora, com muuuuuito mais de 30, aponto certeira.
Sei o que não.
Mesmo quando não sei, digo.

As coisas verdadeiramente simples.
No lugar de um posto, de uma cadeira, uma jornada.
Tenho adorado meu trabalho.
Novo, radical, desafiador, maluco.
Meu número.
Vida de caixeiro viajante.
Minha sina.
Tem, claro, um certo glamour, uma certa malícia.
Mas não tem ponto, meninada chata, masturbação de firma – quem comeu quem ou quem se deu bem (desta vez).
O pau, quando quebra, tem cara de Cassino em Mônaco.
O último que sair, gaste umas fichas com scotch para ouvir quem perdeu.

Hoje rua Augusta, segunda no Carlyle com Woody.
Cabelos antes negros e curtos, novamente louros, rebeldes e mais longos.
Cor de cenoura enferrujada.

Abri minha conta nos EUA.
Comprei o que não deveria na Saks.
Vi Liza Minelli ainda em grande forma.

E foi apenas mais uma semana de trabalho.
Quando penso em Dubai, dá vontade de gargalhar.

 

O pão impossível de cada dia

terça-feira, 17 de julho de 2012

prato vazio

E abriram a Le Pain Quotidien do lado de casa.
Saudosa de meus tempos sem lenço e com muitos dólares em NYC, fui logo matar as saudades.
Preparada para umas adaptações brazucas, fui surpreendida pelo cardápio: é o mesmo da rede lá fora.
O MESMO!
E, claro, sem demora, pedi o de SEMPRE…
Meus cereais matinais, a tigela de frutas, uma cestinha de pães, um bowl pequeno de café com leite.
A cachorra, pobrezinha, ficou do lado de fora – eu sentada e quentinha, ela na rua, olhando para mim com cara de abandonada.
Eu vendo a cara peluda e pensando nas inúmeras vezes em que quis levá-la comigo para dar umas voltas no Central Park mas fui impedida pela burocracia dos dois países.
Escolhi um assento na animada mesa coletiva.
Adoro ouvir as conversas dos outros, compartilhar a geléia, assuntar qualquer bobagem com um desconhecido.
Enquanto esperava pelo atendimento, encontrei a dona de uma cachorra que brinca com a minha; acenei para dois vizinhos queridos.
Fazia frio. As bochechas estavam rosadas.
Minha fome ultrapassava o que uma cesta de pães pretendia saciar.

E o garçom não veio.
Esperançosa, fui até ele.
Fiz o pedido.
Incluí ovos cozidos no meu pacotaço de desjejum.
Meia hora…
Vieram os ovos.
Mas não os talheres, o guardanapo, o sal.
Vinte minutos, a cesta de pães… Itens em falta: justo o pain au chocolat…
O suco de laranja, esquecido.
Mais meia hora.
Uma hora.
Abordei outro garçom, fiz sinal para o gerente.
Chegaram os talheres.
O ovo esfriou.
E com ele minha graça amarela de achar que, em casa, sentiria gosto de mundo afora.
Pensei no meu nouveau-richismo…
Nessa mania de achar que o que vem de fora é melhor do que há aqui.
Aos poucos, meus pratinhos foram chegando.
Todos muito parecidos com os da loja franqueada de Nova York.
Mas desencontrados.

Tudo embaralhado, desconjuntado, tudo sem a graça despojada de ser mais um na Grande Maçã.
Pedi a conta, paguei mesmo sem ter recebido a limonada com hortelã.
Observei os vários clientes desapontados com os serviços.
Os alegres que fotografavam rolinhos de canela.

De barriga cheia e com uma fome danada, voltei para casa.

Capítulo Quatorze e meio

segunda-feira, 7 de maio de 2012

so so

Começou com um espumante barato no hotel – tudo bem, qualquer coisa servia.
Mais tarde, um casal perguntou se os assentos estavam livres.
Meia-idade, sem filhos.
Outro casal se sentou ao lado deles.
Chamaram uma dupla de amigos.
Os copos não ficaram vazios.
As histórias virando tranças.
Ela, no Rio.
Ele, Florianópolis.
Com uma filha de nove anos.
Sem filhos.
Mudar de vida.
Segundo casamento.
Uisque.
A seleção de futebol alta de maconha em plena Jamaica nos anos 80.
Teve aquela da festa na Locanda della Mimosa.
De repente, todos no salão.
New York, New York.
De lá até chegar ao Rap das Armas foram camisas amassadas, alguns cacos de vidro no chão.
Aquele casal de gringos não saiu da pista.
MC Hammer.
Docinhos caseiros.
Café.
Remédio para proteger o estômago.
Meu Louboutin fico preso no pier.
Lá se foram 800 dólares.
Espumante.
Uma lua absurda.
No dia seguinte, todos muito comportados na areia.
Abraços protocolares no aeroporto.
Como se o mundo não existisse fora do salão.
Florianópolis.
Rio.
Nova York.
São Paulo.

Faltam 3

segunda-feira, 19 de março de 2012

…para esse blog ter que tomar uma atitude.
ou MUDA de nome ou ACABA.
Afinal são muitos, mas muitos mais do que 30.

Hoje foi dia de festa.
Acordei cedo, passei na feirinha de orgânicos – comprei uma coisa e outra, muitos temperos: erva doce, manjericão, hortelã, açafrão (a raiz verdadeira).
A cachorra me acompanhou. Ela conhece os caminhos melhor do que eu.
Passei na venda de secos e molhados – “seu Manuel, dois adaptadores de tomada”.
“- Tem que ser de 20 amperes”.
Passei na lojinha de brinquedos: piso de EVA para servir de carpete do banheiro dos gatos.
Dei um olá para o japonês que tão bem costura minhas roupas.
Um abraço na dona Maria e no baixinho da padaria.
Recebi 200 votos de muito bem, vá mais longe.

Moro em São Paulo, mais de 10 milhões de habitantes.
Caminho a pé pelas ruas.
Conheço o padeiro, o lixeiro, o guardador de carros.
Não ando de bicicleta.
Selvagem demais para um mundo que levanta poeira.

Vejo sabiá todo dia na minha praça preferida.
Dou bom dia aos sanhaços que disputam água doce na janela.
Abrigada aqui desde 1997.
São Paulo insana me aquece.

Já a traí com Fortalezas, Rios, Havanas, Paris.
Dei voltas por Nova York.
Desdenhei da pequena maçã.

Ultimamente…
Ando vendo tanta coisa bela na selva de pedra.

Não me fale de trânsito, assalto, explosão de caixa eletrônico, desemprego.
São Paulo é dura, é como pedra mineira.
Uma vez lapidada…
Turmalina, safira, ametista.

São Paulo, receba hoje essa ode.

Foto extraída do http://conexoesvisuais.wordpress.com/ Parece coisa do saudoso Klaus Mitteldorf

Raizes e alguns galhos

sábado, 18 de junho de 2011

 

Mais curvas

Dias de inverno tropical com sol quentinho.
Calço meu tênis sujo.
Meu uniforme preto sobre preto.
Busco sol.
Busco cantos com árvores e sem gente.
Nada de notícias no jornal.
Escrevo um roteiro para um amigo que vai passar uma temporada em Paris.
Escrevo.

Quantas vezes em sua vida você teve tempo sozinho?
Sem ouvir.
Sem falar.
Sem nada para te obrigar.
E alterar o próprio roteiro só para brincar de Deus?

Ney Matogrosso canta Cartola.
Tudo no mundo acontece.

Ando pensando em deixar de ser morena.
Em setembro faz um ano.
Nova York está aí para isso, não?

Gosto da solidão animal.

o+o+o+o+o+o+o+o

Z

Diário

A obra veio para cumprir o seu papel: estressar, abalar, renovar, trazer novidades.
Digamos que estou de tocaia no quarto de hóspedes – que conta com roupa de cama fora do lugar e uma arrumação mínima para que minha alma repouse por algumas horas em alguns dias.

Sábado sem feira – liguei para meu contato que separou meu pedido e entregou em casa. R$60 pratas sem taxa de entrega.
Fui andar a esmo, com meus 9kg recém adquiridos. Que sirva de defesa: perdi 300g na última quinzena!

Eu e Alice, a cachorra pulguenta.
Alice ganhou remédio – matei uma pula-pula solitária que perambulava pela barriga dela na quinta-feira.
Andamos pelas praças, buscamos luz do sol.
Sem canto para me esconder, fico por aí como abelha, buscando nectar em jardins alheios.

Muita música e terminando o best seller do David Nicholls.
Na cozinha, frutas de todas as cores.
Um cheiro doce.

Meu gatinho velho não gosta de nada disso.
Escolheu meus sapatos dentro do armário para se aconchegar.
São 13h30 – vou ler as notícias de ontem só para me certificar de que nada vai mudar.

Se essa rua, se essa rua…

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Alice não mora mais aqui

Eu mandava limpar a neve, mandava clarear a vista e obrigava todo mundo a dizer “eba, eba” todos os dias.
Mas, como ela não é, deixe a neve cair e o povo correr para cima e para baixo sem ter tempo de ver passarinhos que sabem se esconder do frio e cantar.

Estou empacotando as tais compras feitas pela internet. Se eu disser que tive que colocar tudo numa caixa, você acredita?
Pois para quê complicar? Vou pagar a taxa de excesso e tudo vai dar certo.
Mesmo que eu pareça uma feirante de domingo.

Complicar é uma doença moderna.
Queremos tudo o que é enrolado.
O amor impossível.
O trabalho difícil.
A aparência inexistente.
Morar lá quando se é feliz aqui.
Desistir antes de tentar.
Inovar antes de confirmar se o duvidoso é boa pedida.

Ah, ando numa fase de desencapar fios.
Esse foi um.
Eu insisto em querer economizar em algumas coisas que ficam muito mais bacanas quando pagamos o devido.
Lição aprendida.

Sobre o tempo: eu gosto de frio, mas -7,5oC é tão maluco quanto o calor e a chuva brasileiros.
Deixa eu voltar para casa cheia de badulaques e com a cabeça fervilhando de confete.

Ciao, NYC.

Xotes e Fricotes

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Cheguei – primeira vez que viajo sem meu computador em anos!
O iPad me força a cometer erros de grafia abomináveis…

Camisa Listada

Cheguei cedo, fui liberada rapidinho na imigração, li “50 anos a Mil” em cem minutos – divertido e louco.
O dia, ao contrário de todas as previsões, foi lindo e até um pouco quente.
De tarde, tive que enrolar o casaco na cintura para sentir o ar do SoHo.

Vim – mais uma vez – para Nova York.
Vim acertar contas.
Vim nadar contra a corrente que me arrastou no último ano.
Depois de 11 anos, tomei um pé na bunda.
É isso – a seco mesmo.

Então, vamos arrumar a casa fazendo o que eu faço bem.
Viajar.

Já de cara encontro com aquele VP amigo na rua – sem marcar.
Union Square, Woolster st, Time Square, Lincoln Center, Park Avenue, Madison.
Vou no “meu” hair stylist que, por acaso, faz a cabeça de Olivia Wilde, Catherine Z. Jones e outras mocinhas que querem aparecer…
Peço para mudar tudo: raspe!
Coloca aplique, pinta de louro, arranca – eu não quero mais esse cabelo e essa cara de quem não deu certo.

Ele ri, lembra do meu louro fatal, faz o chá e fala: não vou mudar nada.
– Esses “barbeiros” brasileiros são mestres.
Seu cabelo está perfeito. Perfeito.
E eu não vou mexer.
Vou cortar mais um pouquinho só para sua loucura passar, vou te dar um ar menos moderno e mais Louise Brooks.

Cortou, cortou – falamos da Bahia, nos abraçamos, ganhei uma foto da última NYFashion Week.
Ficamos de nos ver em abril.
– Tira uma foto para eu levar para o Vidal Sassoon.

Compras e encomendas resgatadas, ando pela cidade.
Metrô. Caminhada.
Vejo as pessoas.
Tomo aquela sopinha de lentilha que tanto me encanta.

Louise Brooks.
Frio delicioso.
O que essa cidade tem ou o que eu tenho que faz a gente se dar tão bem?

Contei do motorista haitiano?
Viemos falando francês, criolo, inglês.
Ele pegou minha mala e nos abraçamos longamente.
– Tenha um dia bonito.
– Tenha uma vida boa.

E fiquei com o Central Park ao fundo pensando que é muito bom ter coragem e uma certa loucura pela vida.

Carango

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Hoje foi dia de acelerar nas curvas.
Carro limpinho e chuva.
Carro com ABS ajeitadinho.
Corrida maluca o dia todo.
Discurso na sala de espera.
Pelo fim da espera!
Gracinhas por aí.
Meu nariz vermelho saiu da toca.
Compras loucas para evitar a chatice na viagem.
Calor.
Sorvete.
Sono.
Boa noite.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Coleção de outono

Coleção de outono

Uma previsão de chuva que não se realizou.
Um frio que está super tolerável – 15, 16oC.
Turbulências na chegada.
Cheguei e já ia partir.
Uma vontade de ficar inesperada.
Resolvi ficar.
Eu fui anti-americana por um longo tempo (e ainda tenho desconfianças dessa cultura que passa sobre as outras como um rolo compressor), mas Nova York é uma cidade tão anti-tudo isso.
Todo mundo misturado, velho-novo, de fora-daqui, um saber que a vida é dura, e uma vontade de querer ser mais suave.

Ontem vi o último filme do Woody Allen. Engraçado não ter o mesmo timing da platéia. As piadas que não entendemos. Um jeito de ser diferente.

Um drink num restaurante que tem como prato principal a vista. E a saudade de tempos mais amenos.

Dizem que o tempo cura. Eu acredito que o melhor remédio sempre é uma viagem.

Bom dia.

Ainda é cedo

sábado, 28 de agosto de 2010

É nozes e café

Eita!
O último post recebeu vários comentários, meu programa travou e o seu lindo texto sumiu…
O maravilhoso mundo eletrônico!
Dia desses vi um Mac todo arrebentado no metrô. Primeiro, achei que fosse uma televisão de tela plana. Depois, vi que era um Mac de 17 polegadas… Morto e chutado.
É amor puro… risos
Por isso, a quem me escreveu, meu agradecimento sem violência.

Ainda não fui.
Mas já começou a despedida.
Ontem, festa na casa de Rodrigo e Nico, os dois mais queridos de Paris.
Eles também estão de mudança e peguei carona!
Como é da minha natureza, uma da manhã saí de soslaio e virei abóbora.
Ninguém soube, ninguém viu.

Chego em casa, desmaio na cama.
Meu jantar foi chips e bala de ursinho. 😛
Para rebater, 4 cosmopolitans tamanho pequeno e uma taça de champagne.
Hoje de manhã, nem o anti-ácido me salvou.
E fui a luta.
Uma mala está pronta.
Dentro dela, pequenas maravilhas.
Um vidro de sal e outro de foie gras – ambos com trufas (uma fortuna da Maison de la Truffe, na Place Madeleine)
Chocolatinhos, caramelos, pastas de mil coisas exóticas, cinco tipos de mel, cogumelos selvagens e venenosos – Fauchon.
Da Hediard, uma semente brasileira que nunca vi e que serve para preparar peixes e doces.
Pimenta caiena, baunilha de Madagascar, sal de Guérande, um molho agridoce de pimenta.
Um maçarico para queimar sequestradores e o açúcar do crème brûlée…
Perfume para a vovó.
Aquele creme incrível para a noite que só é vendido com receita médica, mas somos brasileiros e sempre conseguimos tudo com um papo sobre samba, praia, carnaval e, quem sabe, até futebol. Por via das dúvidas, comprei logo dois.

Já para casa!

Um leque.
Meus caderninhos. Alguns livros que não foram pelo correio.
O meu certificado nada suado e que vou guardar para lembrar que a vida pode ser muito mais leve e muito menos séria do que queremos.
Para colocar na mala… Ainda falta coisa.
Imagino que vou ter um problema e já começo a pensar naquela maleta incrível que jamais comprei porque sempre trabalhei feito moura e não tinha grana para levar.
Ha! Quanta bobagem.

Terça-feira, deixo a beira do Rio.
Quarta, parto para Champagne.
Sexta, Brasil.

Que saudades do Brasil.
Toda vez que me perguntam onde eu gostaria de morar.
Em São Paulo mesmo.
Eu sou cigana e São Paulo tem tudo o que o mundo todo tem.
E tem porteiro que é jardineiro.
Aqui não tem o Dênis da Padoca.
O japonês que costura tudo o que estrago.

Onça pintada volta da festa

A sapateira nordestina.
Sampa.
Rio, Minas, também – mas São Paulo é meu amor.
Com todo mundo correndo.
E esquecendo que existe a hora do recreio.

Brasil.
Palavra mágica.
Conto algumas.
Terça-feira, Louvre.
Eu e minha amiga velhinha decidimos tomar algo no café mais bacana do museu.
Não pode não.
Só se for jantar.
Jantamos então.
Ah, mas não tem lugar.
Mas ela é brasileira… Nunca comeu aqui.
E a melhor mesa, um papo sobre cinema novo, um pão diferente para provar.
Na estação, onde eu pego a porcaria do trem para Versailles? E o atendente, em português: eu amo o Brasil, a praia, Florianópolis.
Peraí que vou te mostrar a plataforma.
E o creme de rosto?
Depois de dar uma incerta em 5 farmácias.
Ah, o Brasil.
Lá não compramos nada com receita, o rei é sapo barbudo, a próxima rainha será a bruxa guerrilheira.
Compra, compra seu creme, eu anoto aqui que você já faz uso contínuo.
Camélias para a professora.
Passo o endereço de onde encontrei o chapéu de chuva.
Esse sapato? Ah, foi ali no 2oème…
Conheço sim. Tomei o drink.
Como você descobriu?
Perguntei, ué!

Eu não quero morar em Paris, em Nova York, em Tókio.
Quero voltar para casa.