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A tal da lei da relatividade

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Tenho lido na web “recados” interessantes de amigos e conhecidos.
Uns não acreditam em amor “moderno”, outros anunciam casamento, a foto do filho, mortes e festas.
Fotos sensuais, opinião sobre a presidente do Brasil, viagens a Ibiza, Saint Tropez e muito mais.

Mas, McLuhan, se o meio é a mensagem, a mensagem em si é uma redundância?
Estamos aí para colocar a vida em pratos limpos?
Ou para tecer uma novela particular?
Para falar que o trabalho anda chato, que aquele colega é um imbecil, para mostrar para o ex que, sim, vamos bem, bebendo todas e ainda viajando pacas?
Para mostrar o que comemos, quanto malhamos, a pré-estréia que assistimos?

Eu acho mesmo que estamos muito carentes.
Que queríamos mais festa, mais beijo, mais gente.
Ou estamos doentes?
Essa muleta aqui é cachaça pura.

Aqui, as melhores fotos, as festas mais badaladas, os murmúrios que dão margens a comentários.
Aqui, o lindo, o bacana, o inusitado.
Da tela para fora, uma vidinha mais ou menos, uma pancinha, uma dor de cotovelo.
Uma deprê basiquinha.
Um aperto para pagar a conta.
Uma cafonice, querida, nem te conto.
Uma espinha na ponta do nariz.

Então, façamos um pacto.
Eu continuo escrevendo a dor e a delícia de ser uma anônima na multidão e você toma um chopp comigo qualquer dia desses?

Think outside of the box

Artes e Espetáculos

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

lindja

A vida como ela é!
Vejo um anúncio com uma foto de uma mulher com uma espécie de prego gigante no joelho… Fique linda na clínica de estética X.
E a Caralluma? Gisele tomou e emagreceu…Engraçado foi quando um bug mudou o anúncio e ficou assim: “Ela perdeu 2 kg em 24 meses”. Uau! Isso é que é dieta.

Pele de pêssego a preço de banana!
Saboreie os melhores bolos por muito menos!
Maiô trançado frente/verso. Com argola central.
Sapatos de Grife Baratos
Vamos encher um container com o melhor da noite para (sic) brasileira e trocar com o de outro país.
Visite o site e descubra o seu estilo íntimo (?)

E tantos “reality shows”?
A inglesa grossa e racista que morreu de câncer e o revival dela no twitter.
Os quase-atores gostosões que querem mostrar os “cérebros”.

Diga que não é engraçado. Diga que você não ri disso tudo.
Eu fico pensando (seriamente): por que não tomar caralluma, enfiar um prego no joelho e depois sair para trabalhar com um maiô trançado com argola central? Supostamente, a onda é essa!
Onte vi uma foto da Lady Gaga indo pegar um vôo em NY de calcinha e soutien, um sapato horroroso do Mc Queen e uma jaqueta dourada + algemas na cintura.
E o povo ama! O povo, ou os little monsters?
A novela brasileira? Todo mundo se perguntando o que um cara faz na frente do computador…
E você, o que faz em frente ao seu computador?

Gente, de perto ninguém é normal.
Todo mundo queria ganhar na Megasena e largar isso tudo e ser mais louco ainda.
Ainda, ontem li num jornal inglês (provavelmente o The Sun) que uma moça que ganhou uma baba na loteria quando tinha 16 anos está com a conta praticamente zerada. O que ela fez? Festa, plástica, festa, festa.
Quer mais? http://www.businesspundit.com/10-people-who-won-the-lottery-then-lost-it-all/

Não, não vou ficar fazendo discurso contra a sociedade de consumo, a favor da literatura e contra a preocupação com a estética.
Está aí escancarado.
Somos tudo isso e menos um pouco.
Mas queremos ser ou parecer ser mais.
E é nesse ponto que a porca torce o rabo.
(e que eu dou umas boas gargalhadas com o non sense alheio)

Ohmmmmmmm

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Detalhe da minha saída do Fleury...

Detalhe da minha saída do Fleury...

Realmente, o mundo nasceu virado. E eu fiz a cambalhota de entrada na hora errada.
Recomendo o meu post “Existencialista” de 19/11 para quem quer maiores explicações.

São Paulo virou mar. É chuva, chuva, chuva, chuva, chuva. Ontem eu decidi: NYC no carnaval. 7 dias, frio, alguns lugares para tomar café, para não fazer nada… Hotel do De Niro em Tribeca. Mas… a 500 dólares a diária – tinha que ter De Niro com shape do Cabo do Medo ou Táxi Driver e atendendo de concièrge… Resultado: mudei para um modernete (leia-se: bem localizado, barato e metido a besta) no SoHo. Procurei passagem e bang! O Brasil está rico – todo mundo vai para NYC. Não tem mais passagem – só se for antes e voltar depois e pagando mais caro… Como não me chamo Lula, não tenho esse “poder”!

Aí, superconformada, topei voltar a Visconde de Mauá – cachoeira, comidinha natural, livro, cachorro, galinha, chuva, mato, bicicleta, lama, sauna…
Hoje, fiz as contas e confirmei o que já desconfiava: não tenho grana nem para um eskibon na Padoca.
Rárárárárá.
É, caro amigo, se você é como eu: trabalha de doméstica e ainda costura para fora… Janeiro não entrou dindim. Só depois do carnaval é que dá para ser chique por conta própria ou com milhagem…
E tome chuva em São Paulo com a fantasia de carnavais passados. Já tirei tudo da caixa: tutu preto, meia arrastão, plumas, paetês, meu new wave de 1985 e… controle o remoto universal.
Carnaval paulista é na frente da TV. Risos e mais risos.

Mudando de assunto, hoje foi dia de check up. De noite, tive insônia e achei até interessante fazer meu teste ergométrico nessas condições… O problema foi que erraram nas orientações para os meus exames de sangue (pediram 3 horas de jejum e eu tinha que ter ficado 12 horas em jejum). Negocia daqui, negocia dali, consegui autorização para fazer o teste de esforço em jejum para dar as horas necessárias para o exame de sangue. Mas exame de glicemia não pode ser feito depois de praticar exercícios…
Então começa mais uma novela de Manoel Carlos.
Esqueça o Leblon, esqueça o José Mayer travestido de garanhão, mas lembre-se de… Helena! A enfermeira do barulho.
Sem a menor cerimônia ela enfiou uma agulha calibre 4 (dedos) no meu braço esquerdo.
Com o braçoilo dolorido e sem poder dobrar, nossa heroína de novela me enviou para a enfermeira do teste ergométrico. A fofa deu bom dia, mandou tirar a blusa e pegou uma lixa. Sabe lixa de madeira? Essa mesmo! Sem perguntar, já raspou minha barriga! Segundo ela, os eletrodos do teste ergométrico têm melhor fixação depois que você é ralado feito um queijo parmesão. Como não tomo sol, tenho a pele fina e branca, imagina a cor de parmesão com salmão que eu fiquei.
E que imagem glamurosa: sem comer, com um braços sugado por um Nosferatu de laboratório, semi-nua, lixada, com 20 eletrodos na pança e no peito e subindo uma ladeira de Lisboa (toda de pedrinha) a 10 km/h. O cardiologista, muito engraçadinho, não parava de contar os casos dos pacientes que saíram dessa mesma esteira direto para uma mesa de operação. Todos enfartados – alguns mais novos que eu. Pensando na minha aposentadoria precoce da yoga, eu fixei um ponto na parede branca e me concentrei. Meu mantra era matemático: depois de calcular a velocidade do vento (de ar-condicionado), chutei a distância e o esforço necessário para cuspir no nariz do cardiologista.
20 minutos depois, com o braço furado em pandarecos, a pele raspada na cor de carmim, descabeladérrima e bufando, recebi os cumprimentos e fui enviada para o ultrassom.
Foram quatro horas e meia sem café da manhã, dois furos (um em cada braço), banho de álcool e lixada a seco, várias apertadas no gogó (para avaliar minha tiróide) – mas o esforço valeu a pena.
No final, ganhei um pacote com dois biscoitos de polvilho e queijo (que esquentaram no microondas) e uma banana.
Helena, a enfermeira bizarra, estava numa alegria só.

E eu rezei por Jane Fonda.
Que saco é ser mulher com mais de trinta.