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Não desisti de ser piegas

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Eu adoro ver menino novo beijando na rua.
Sabe aquele fogo sem lugar e sem noção?
Não, não estou falando de prosa sexual.
Estou falando daqueles encontros em que você só quer ficar perto.
E que, sem pensar, rouba um beijo no asfalto.
Tem coisa mais pura, mais linda e mágica do que um amor novo?
Ver passarinho verde, escrever carta em plena era do email. Flor trazida de surpresa. Livro, chocolate, vela, banho de espuma. Planos, viagens, café da manhã.
Não fazer nada de especial e ter o melhor dia do ano.

Eu tenho a sorte de ter encontrado pessoas muito bacanas no meu caminho.
E de ter sabido – enquanto o filme passava – que os momentos eram especiais.
Mesmo não sendo eternos.

Hoje, presa na torre da Rua Madalena, joguei as tranças imaginárias.
Lá embaixo, na rua, um casal adolescente arrancava flores do meu jardim.
Ele colocava as flores no cabelo dela.
Ela ria, envergonhada.
Algumas vezes, ele beijou as pontas dos dedos brancos e finos da namorada.

A chuva quente de verão caiu e eles se esconderam sob a marquise.
Depois sairam molhados, felizes e de mãos dadas.

Daqui do alto da torre, ganhei meu dia.
É impossível não ser feliz pelo amor de outrem.

Nunca estamos contentes onde estamos.

De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.

“O Encontro Marcado” de Fernando Sabino