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Maria

terça-feira, 16 de agosto de 2011

possibilidades

Lava roupa com sabão de coco.
Discute aprovação de obra.
Passa no banco.
Com paciência, pede ao abusado para liberar a vaga que lhe é de direito.
Faz uma reunião online com todo aquele lugar comum de “Brasil corrupto”, novas leis, pau nos servidores públicos, o ideal é implantar um sistema de projetos em todos os escalões.
Ah, se tudo tivesse este estalo que resolve as questões fundamentais.
Maria, Maria, você já foi melhor nisso.

Vá encher bolsa de água quente para aquecer a lombar que dói.
Vá comer direito, vá dormir e descansar um pouco.
Opa, hoje já é outro dia.
E há trabalhos para entregar.
O cliente sempre tem pressa.
Mesmo que o sol aqueça a janela.
E que seu biquíni preferido esteja numa gaveta distante 2672km.
Maria, Maria, deixa de lero-lero.

Hoje é só terça-feira e o mundo inteiro quer mais.
Ninguém quer aurora boreal.
Gota de orvalho em folha de mato.
Terra, café, um vapor.

Acorda, Maria, que já são quase oito horas.

Por uma vida menos absurda

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Tudo começa nesta manhã de frio, sol e chuva com uma moça com uma senhora barriga colocando dois arquitetos para correr.
Quem já fez uma obra sabe que é dor de cabeça do início ao fim.
Pois a minha terminou bem – entre mortos e feridos, como diz a piada, salvaram-se todos… ou quase todos. E obra, como era de se esperar, nunca vai terminar.
Dentro de casa, a arquiteta perdeu a polida educação exigida demandando – aos berros – o pagamento de um serviço inacabado.
Eu a convidei a passear na praça sem um tostão furado no bolso…
Cinco minutos depois, eu e a empregada caímmos na risada.
Cena de novela mexicana de baixo orçamento.
Mas será o Benedito?

Quanto mais velha fico, mais percebo que quem levanta a voz tem grandes chances de estar sem razão.
Gritos e sussurros – dois grandes axiomas desta língua incrível.

Grito – sem razão.
Sussurro – um estilo de vida

De uma coisa pulo para outra como sabiá de papo cheio.

Minha avó materna, quase nos 90, tem 3 irmãos – uma moça e dois mocinhos – todos vivos.
Todos são muito amorosos, unidos e polidos.
Nunca ouvi dizer que tivessem brigado.
Há décadas dividem a herança dos pais. São imóveis e mais imóveis que, bem administrados, rendem um bom dinheirinho.
Agora, chegando no fim da estrada, começaram a se desfazer de alguns.
Esses assuntos, como obras, são espinhosos e dão margem a desentendimentos.
Pois, com eles, nunca.
Reúnem-se, decidem o que fazer, fazem e continuam irmãos lindos e unidos.
Sem gritos, sem fofocas, sem histórias, sem problemas.

Num mundo em que todo mundo grita e ninguém tem razão, os quatro velhinhos são um belo exemplo.
Para que complicar o que já sabemos que não será fácil?
Eu sei, ando piegas, mas é que mundo anda muito absurdo…

Ao mundo

terça-feira, 2 de agosto de 2011

desconheço

Um mês em sintonia variada.
Acomodados, somos.
Em diferentes terras, mimetizamos.
De volta a casa, não me reconheci.
Com tudo do avesso, inventei.
E Ana se perdeu para todo o sempre em Ana (qual delas?).

Por aí, comi novos sabores, diferentes caminhadas.
Por aqui, mudei tudo de novo para inventar uma casa.
Sairam funcionários, novas gentes.
E fiquei pensando em como somos descartáveis.
Embora não queiramos.
Amores, trabalhos, histórias – nada é perene.

Agora, sozinha em uma tarde, enrolo.
Não trabalho.
Não faço nada.
Fico sentada esperando a poeira trocar de lugar.
E tudo o que foi marcado, acertado, combinado…
Ah… deixa tudo para outro dia.

Quando bate preguiça…

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Totalmente aclimatada, com fornecedores dos mais variados tipos.
Personal, massagista, doméstica, frutaria (sim, aqui tem isso)…
Minha mãe sempre me disse que eu era de fácil adaptação.
Já tenho a padaria preferida, a manicure, o banco, a academia, o mercado.
Já conheci pessoas legais.
Já bateu preguiça…

A casa paulistana começa a sair do pó.
Quarto pintado, colocando papel de parede.
O calor que não deixa meu cabelo sossegado.
O frio e saudade da cachorra vira-lata que teve que ficar para trás dessa vez.
Uma sexta com várias obrigações.
E uma vontade louca de fazer birra e cruzar os braços.

Trabalho?
Quem inventou essa chatice?
Amigos e aviões – Santos Dumont ou irmãos Wright, sou mais vocês.

Lapsos

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Topo até Coney Island para abaixar a maré

Descubro hoje que faltei ao médico na segunda-feira. E que simplesmente não tomo meu remédio de tireóide desde sexta passada…
Não saí do eixo?
Deu nisso.

Ontem, ao meio dia, chego em casa com tempo para uma ducha, comida e saída correndo.
O lado esquerdo da caixa de energia desarmou.
Sem internet, telefone, luz, aquecedor, com banho frio e descabelada.
Chego em casa tarde da noite e vou dar uma de Maria.
Passar pano úmido para tirar poeira.

Nesse campo de guerra aberto em Marte, falta de vontade de ir para frente.
Ontem mesmo pensei em mergulhar dentro da própria barriga.
Ficar nadando no líquido quente.
E mandar uma banana para realidade.
Dar um chute se me incomodar.

Amanhã embarco de novo. 10 horas.
Calor.
Meias de média compressão.
Serviço de concierge.
Caminhadas e um pouco, um pouco mesmo de “trabalho”.

Se uma viagem não me salvar, aí é que a vaca vai para o brejo e não voltará nunca mais.

Raizes e alguns galhos

sábado, 18 de junho de 2011

 

Mais curvas

Dias de inverno tropical com sol quentinho.
Calço meu tênis sujo.
Meu uniforme preto sobre preto.
Busco sol.
Busco cantos com árvores e sem gente.
Nada de notícias no jornal.
Escrevo um roteiro para um amigo que vai passar uma temporada em Paris.
Escrevo.

Quantas vezes em sua vida você teve tempo sozinho?
Sem ouvir.
Sem falar.
Sem nada para te obrigar.
E alterar o próprio roteiro só para brincar de Deus?

Ney Matogrosso canta Cartola.
Tudo no mundo acontece.

Ando pensando em deixar de ser morena.
Em setembro faz um ano.
Nova York está aí para isso, não?

Gosto da solidão animal.

o+o+o+o+o+o+o+o

Z

Diário

A obra veio para cumprir o seu papel: estressar, abalar, renovar, trazer novidades.
Digamos que estou de tocaia no quarto de hóspedes – que conta com roupa de cama fora do lugar e uma arrumação mínima para que minha alma repouse por algumas horas em alguns dias.

Sábado sem feira – liguei para meu contato que separou meu pedido e entregou em casa. R$60 pratas sem taxa de entrega.
Fui andar a esmo, com meus 9kg recém adquiridos. Que sirva de defesa: perdi 300g na última quinzena!

Eu e Alice, a cachorra pulguenta.
Alice ganhou remédio – matei uma pula-pula solitária que perambulava pela barriga dela na quinta-feira.
Andamos pelas praças, buscamos luz do sol.
Sem canto para me esconder, fico por aí como abelha, buscando nectar em jardins alheios.

Muita música e terminando o best seller do David Nicholls.
Na cozinha, frutas de todas as cores.
Um cheiro doce.

Meu gatinho velho não gosta de nada disso.
Escolheu meus sapatos dentro do armário para se aconchegar.
São 13h30 – vou ler as notícias de ontem só para me certificar de que nada vai mudar.

Amplitude

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Espaço

Meu espírito paradoxal gosta de organização e mudança.
E a casa agora está para peixes, gatos, cachorros e Anas.
Andar por um velho espaço e não se encontrar.
Ver pilhas de coisas e se questionar: para quê?
Levantar a poeira.
Contar com a ajuda de desconhecidos.
Esperar que a noite apareça e que eu esteja só dentro desse enorme receptáculo e reorganizar pensamentos, mundo.

Avançar com os fiapos de raios de sol do fim da tarde.
Correr com a manhã.
Falar menos.
Ver muito pouco.
Ler, música.
Acompanhar a curiosidade dos bichos.
Massagem com óleo quente nos pés.
Cheiro de alfazema.

Casa em ebulição.
Vida nova.

Realidade sem reality

terça-feira, 14 de junho de 2011

pequeno abalo

Aqui no Brasil o novo hit são os blogs de anônimos que exibem fotos deles mesmos com seus visuais descolados.
Pois na Vila Madalena o novo não-hit é reformar a casa e chorar sobre cacos.

Eu decidi duas coisas: vou comprar uma casa maior e vou dar um tapa na atual.
Não pretendo vender esta onde vivo (que é bem charmosinha) e contratei uma equipe de arquitetos para criar um espacinho extra para que a casa funcione melhor até fevereiro que é quando devo comprar o apartamento do vizinho.
Resultado: o quarto de empregada vai virar closet/despensa.
O quarto de hóspedes deixará de ser escritório.
O banheiro de serviço vai virar um lavabo bacaninha.

Depois de muito fazer contas e discutir orçamento até acabar o estoque de café Nespresso, foi batido o martelo.
E hoje, em poucas horas, o banheiro veio abaixo.
Antes branquinho e muito simples, agora vai ganhar pastilhas, cores, box, tudo espremido em um espaço que mal dá para abrir os braços.
Na sequência, meu quarto será invadido.

Em meu hotel em Nova York, uma original Charles and Ray Eames de balanço na singela cor verde limão me aguarda.
Papéis de paredes serão enviados nos próximos dias.

Disseram que no oitavo dia fez-se o caos – e o homem se refestelou na lama.
(Por ser má propaganda, o editor recomendou que esse trecho fosse retirado da Bíblia)