Posts com a Tag ‘paciência’

Não

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Eu não

Definitivamente não tinha medo.
Quanto mais alto o andar, mais tinha vontade de pular.
E coração sempre batia acelerado.
Algumas vezes, ficava tonta.
Por não ter medo vivia cheia de hematomas.
Cicatrizes.
Pontos.
As pernas, tão bonitas, tinham marcas de alto a baixo.
E falava alto.
Sempre.
Para ser ouvida.

Achava estranho não ter morrido como os mártires, aos 27.
A velhice ia chegando e ela estava de pé.
O medo, talvez, fosse a própria morte.

Voltando à ativa

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

descalça

Depois de milhares de emails, de uma temporada hospitalar e de agradecer ao cara que inventou a analgesia aos 7cm do último tempo, bora acordar para a vida?
Saber que tudo continua e você não pode parar.
Saber que vai ter que trabalhar para chegar ao que era antes – e nem é tanto assim e dá trabalho.
Rodar pelas ruas e avenidas e pensar em novos caminhos.
Ter que lidar com a vil realidade.
Ter que lidar com a falta dela.
Ser você e ter muito mais responsabilidade – mesmo sendo você.
Ser assim.
E ser assado.
Pensar e repensar.
Descobrir que agora não sois mais aquele.
E encontrar em você uma calma tão rara.
Nem choros nem gritos te comovem.
Nem aquela pessoa que nasceu para ser infeliz.
A vida é assim pequenininha.
E vamos tecendo nossas teinhas de aranha-aprendiz.
Para saber que água, o vento e a terra hão de desfazer o seu tricô.
E ninguém saberá que a pequena aranha existiu.
Nem vão ver a teia mal tecida que foi o que melhor que você já fez.

E tudo porque é impossível reinventar rodas.

Sobre os blogs alheios

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Meninas, da minha piscina ao UOL, o lance do momento é o blog da baiana que promete ficar 365 dias sem comprar roupas e acessórios.
Óbvio que espiei, gostei de umas três páginas, curti a idéia e depois enjoei.
Aí, abri meu potinho de doce-de-leite Chimbote (made in Argentina) e a sensação foi a mesma.
Comi e não gostei…

Nessa minha pré-velhice, ando meio com pavio curto.
Nada a ver com a adolescência – quando nem pavio temos.
Estou num momento “me poupe”.
De Obama ao comentário óbvio, passo o facão.

Quero gente interessante, texto rasgante, idéias absurdas.
Essa coisa tatibitati… Ai, santa falta de paciência total e irrestrita.

Semana cheia dá é nisso.
Ontem a reunião de 18h30 foi cancelada e transferida para hoje.
Hoje eu cancelei a mesma reunião e transferi para segunda.
No mundo eletrônico, você nem precisa telefonar.
Manda uma atualização de agendas e pronto.
Ninguém reclama de ir para casa mais cedo.

E o que você acha do guardador de carro que te vê na rua, pergunta se você engordou e se parou de trabalhar – já que está dando banda na Vila antes do anoitecer?
Vai para o trono ou não vai?
Troféu abacaxi…
Ah, claro, isso tendo feito a introdução cafona: “Você sabe que eu te amo profundamente”.
Hombre, ¿por qué te quiero?

Em mundo virtual…
A empregada liga avisando que queimou dois ferros de passar de uma vez (o vaporizador já estava na assistência).
Um minuto depois, você blasfema não perdoando nem a Santa Terezinha, e  dá, ao mesmo tempo, uma geral no Buscapé para comprar o ferro de passar mais barato do mercado.
(Ela também vai acabar com esse antes de você pagar a primeira parcela)

E ainda registra reclamação no Procon via web depois que o WalMart te entregou mercadoria com defeito e se recusa a te mandar outra ou te ressarcir… (!)

 

Do jeito que a coisa anda, vou mandar um email avisando que hoje só venho amanhã.
Fui.