Posts com a Tag ‘Paris’

Faltam 3

segunda-feira, 19 de março de 2012

…para esse blog ter que tomar uma atitude.
ou MUDA de nome ou ACABA.
Afinal são muitos, mas muitos mais do que 30.

Hoje foi dia de festa.
Acordei cedo, passei na feirinha de orgânicos – comprei uma coisa e outra, muitos temperos: erva doce, manjericão, hortelã, açafrão (a raiz verdadeira).
A cachorra me acompanhou. Ela conhece os caminhos melhor do que eu.
Passei na venda de secos e molhados – “seu Manuel, dois adaptadores de tomada”.
“- Tem que ser de 20 amperes”.
Passei na lojinha de brinquedos: piso de EVA para servir de carpete do banheiro dos gatos.
Dei um olá para o japonês que tão bem costura minhas roupas.
Um abraço na dona Maria e no baixinho da padaria.
Recebi 200 votos de muito bem, vá mais longe.

Moro em São Paulo, mais de 10 milhões de habitantes.
Caminho a pé pelas ruas.
Conheço o padeiro, o lixeiro, o guardador de carros.
Não ando de bicicleta.
Selvagem demais para um mundo que levanta poeira.

Vejo sabiá todo dia na minha praça preferida.
Dou bom dia aos sanhaços que disputam água doce na janela.
Abrigada aqui desde 1997.
São Paulo insana me aquece.

Já a traí com Fortalezas, Rios, Havanas, Paris.
Dei voltas por Nova York.
Desdenhei da pequena maçã.

Ultimamente…
Ando vendo tanta coisa bela na selva de pedra.

Não me fale de trânsito, assalto, explosão de caixa eletrônico, desemprego.
São Paulo é dura, é como pedra mineira.
Uma vez lapidada…
Turmalina, safira, ametista.

São Paulo, receba hoje essa ode.

Foto extraída do http://conexoesvisuais.wordpress.com/ Parece coisa do saudoso Klaus Mitteldorf

Les paradis

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

coisas mínimas e essenciais

A desgraçada da tecnologia.
Ao voltar de Paris, meu micro morreu.
Meu celular caiu e se quebrou.
E perdi tudo o que registrei discretamente dessa vida em suspenso e suspense.
Agora, exatamente 364 dias depois…
Arrumei a tela do celular (o mais moderninho foi roubado) avariado.
E, escondidas num arquivo que só pode ser transferido por email (cinco em cinco fotos), toda a viagem.
E venho, toda noite, enviando para mim mesma essas fotos.

Hoje entardeci em Paris. Vendo os telhados.
Comendo frios.
E fui para a cozinha, sentir cheiros d’além mar.
Como é bom poder viajar.

simples e certo

rEALiDAaAde

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Uma coisa surrealista em cinza

Meu melhor espião avisa que a casa ainda vai estar um caos quando eu chegar – depois de 2 semanas exilada para poder respirar ar puro e não viver dentro do programa Consumidores Compulsivos.

E é sempre assim: eu não quero sair, saio, chego querendo voltar e volto querendo ficar.
Ô coisa inconformista.

Preciso agendar uma hora num terreiro e liberar esse ebó.
Saia, espírito revoltado. Saia espírito inquieto.
Dê lugar para um ser classe média que compra móveis prontos, mora em edifício com fachada neo-clássica e sonha com férias em um resort na praia (all included – até coquetel feito dentro de abacaxi).
Deixa de ser radical, reclamona e revoltada.
Vá ouvir Ivete Sangalo e comprar abadá em 10 parcelas para o carnaval do ano que vem.
Vá pesquisar a lista dos produtos mais pedidos das novelas.
E peça autógrafo para O Astro da TV Globo.
Se tudo der certo na sua vida, compre um apartamento em Miami.

E dá-lhe fumar charuto e incensar o ambiente ao mesmo tempo em que grunhe palavras em alguma língua perdida da África.
Não enrola não e cachaça não pode.
Nem vem com Paris que sua vida agora tem “r” no lugar do “s”.

Para contrariar, deixei o sol rachar lá fora, a lua cheia subir gigantesca e nem coloquei o pé na areia.
Vivi apaulistanadamente, trabalhando no computador, resolvendo problema do condomínio e dispensando aquele head hunter que insiste em aparecer na hora errada.
EPA! Aô boboi!

tudo azul

Raizes e alguns galhos

sábado, 18 de junho de 2011

 

Mais curvas

Dias de inverno tropical com sol quentinho.
Calço meu tênis sujo.
Meu uniforme preto sobre preto.
Busco sol.
Busco cantos com árvores e sem gente.
Nada de notícias no jornal.
Escrevo um roteiro para um amigo que vai passar uma temporada em Paris.
Escrevo.

Quantas vezes em sua vida você teve tempo sozinho?
Sem ouvir.
Sem falar.
Sem nada para te obrigar.
E alterar o próprio roteiro só para brincar de Deus?

Ney Matogrosso canta Cartola.
Tudo no mundo acontece.

Ando pensando em deixar de ser morena.
Em setembro faz um ano.
Nova York está aí para isso, não?

Gosto da solidão animal.

o+o+o+o+o+o+o+o

Z

Diário

A obra veio para cumprir o seu papel: estressar, abalar, renovar, trazer novidades.
Digamos que estou de tocaia no quarto de hóspedes – que conta com roupa de cama fora do lugar e uma arrumação mínima para que minha alma repouse por algumas horas em alguns dias.

Sábado sem feira – liguei para meu contato que separou meu pedido e entregou em casa. R$60 pratas sem taxa de entrega.
Fui andar a esmo, com meus 9kg recém adquiridos. Que sirva de defesa: perdi 300g na última quinzena!

Eu e Alice, a cachorra pulguenta.
Alice ganhou remédio – matei uma pula-pula solitária que perambulava pela barriga dela na quinta-feira.
Andamos pelas praças, buscamos luz do sol.
Sem canto para me esconder, fico por aí como abelha, buscando nectar em jardins alheios.

Muita música e terminando o best seller do David Nicholls.
Na cozinha, frutas de todas as cores.
Um cheiro doce.

Meu gatinho velho não gosta de nada disso.
Escolheu meus sapatos dentro do armário para se aconchegar.
São 13h30 – vou ler as notícias de ontem só para me certificar de que nada vai mudar.

Campanha e polêmica: meu nome é Ana

quarta-feira, 2 de março de 2011

Hoje chegaram os meus de cabeça…
E são homenagem ao defenestrado John Galliano e as loucuras que ele faz nas passarelas.

Em primeiro lugar, quero deixar claras algumas posições políticas.
Com relação a Israel, sou pró-Palestina e ponto.
Imagina se a onda pega e resolvem lotear a Amazônia para dar lugar a algum povo sem país? E a ONU ainda libera a reforma agrária?
Holocausto, Hitler, anti-semitismo: sou contra.

Sobre John, penso com meus botões.
Todo parisiense sabe:
1 – Que ele próprio, o nascido e criado em Paris, é um chato de galocha, bolsa e chapéu;
2 – Que bebe mais do que a média da população mundial.

Daí que um moço genial, cigano inglês, filho de espanhola, perde seu braço direito.
Em 2007, o amigo, assistente e conselheiro se matou.
E esse moço segue a vida meio zonzo, cheio de dinheiro e bajuladores.
A pressão é sempre enorme no trabalho.
Ele está ficando velho. Acaba de fazer 50 num mundo em que as protagonistas têm 15.
Ele começa a passar da conta.
Drogas? Álcool definitivamente.

O moço escolhe um boteco no bairro em que mora, que já foi comunicade judaica.
O Marais é uma afetação sem fim.
Depois de entornar todas… Elogia Hitler e xinga os vizinhos de copo.

Não estou defendendo nem justificando.
Patético, de mau gosto, idiota – no mínimo.
São adjetivos que caberiam também a outros mundos: ao da moda e, em certa medida, ao corporativo.
Atire a primeira pedra aquele que nunca soube da história da secretária com o CEO…
Das baixarias inconfessáveis das horrorosas festas de fim de ano.

Enfim, Galliano surtou e falou besteira.
E a Dior encontrou a deixa ideal para fazer o ex-enfant terrible picar a mula.
Afinal, ele já está velho e caro demais.

E o cisne do Oscar?
Essa continua embolsando a grana da campanha que fez com o fofo, mas resolveu condenar a atitude do moço publicamente.
Natalie Portman é a favor do exército de Israel e do dinheiro do bêbado anti-semita.

O que publicou o estilista:
Eu tenho de assumir a responsabilidade das circunstâncias em que me encontro e por ter permitido a mim próprio ser visto a ter os piores comportamentos possíveis.”

Quer saber?
Vamos comprar confete e beber uma cerveja – todas menos a Devassa.

PS: Ah, e quer saber por que estou torcendo por Charlie Sheen?
Não deixe de ler “como ser um roteirista maquiavélico e acabar com atores viciados“…

Pour Nico

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

aujourd'hui, j'ai rêvé en français

Nico, la vie se passe ici à un rythme différent.
Arriver. Voir des gens que j’aime.
Retourner à la maison, au lit, à la cuisine, aux animaux de compagnie.
Ensuite, vous vous réveillez à la réalité. Payer les factures, les petites administrations d’une vie.
La recherche de travail.
Mon ordinateur est mort.
Mon téléphone est tombé et a cessé de travailler.
Sao Paulo est la ville qui vit à l’intérieur d’une voiture.
Nous voyons moins de gens et ne donnent pas bonne journée.
Nous avons moins disponibles.
La politique sale qui nous entoure montrant que nous travaillons pour nourrir les monstres corrompus.J’ai couru 12 km.
(Pour sentir le vent souffler sur mon visage)

Paris et Sao Paulo ne devrait jamais être le même.
Ainsi, nous nous sentons unis.
De ce qui nous manque.

(Mon français est seulement autorisé à se tromper sous la forme de la poésie.)

Ainda é cedo

sábado, 28 de agosto de 2010

É nozes e café

Eita!
O último post recebeu vários comentários, meu programa travou e o seu lindo texto sumiu…
O maravilhoso mundo eletrônico!
Dia desses vi um Mac todo arrebentado no metrô. Primeiro, achei que fosse uma televisão de tela plana. Depois, vi que era um Mac de 17 polegadas… Morto e chutado.
É amor puro… risos
Por isso, a quem me escreveu, meu agradecimento sem violência.

Ainda não fui.
Mas já começou a despedida.
Ontem, festa na casa de Rodrigo e Nico, os dois mais queridos de Paris.
Eles também estão de mudança e peguei carona!
Como é da minha natureza, uma da manhã saí de soslaio e virei abóbora.
Ninguém soube, ninguém viu.

Chego em casa, desmaio na cama.
Meu jantar foi chips e bala de ursinho. 😛
Para rebater, 4 cosmopolitans tamanho pequeno e uma taça de champagne.
Hoje de manhã, nem o anti-ácido me salvou.
E fui a luta.
Uma mala está pronta.
Dentro dela, pequenas maravilhas.
Um vidro de sal e outro de foie gras – ambos com trufas (uma fortuna da Maison de la Truffe, na Place Madeleine)
Chocolatinhos, caramelos, pastas de mil coisas exóticas, cinco tipos de mel, cogumelos selvagens e venenosos – Fauchon.
Da Hediard, uma semente brasileira que nunca vi e que serve para preparar peixes e doces.
Pimenta caiena, baunilha de Madagascar, sal de Guérande, um molho agridoce de pimenta.
Um maçarico para queimar sequestradores e o açúcar do crème brûlée…
Perfume para a vovó.
Aquele creme incrível para a noite que só é vendido com receita médica, mas somos brasileiros e sempre conseguimos tudo com um papo sobre samba, praia, carnaval e, quem sabe, até futebol. Por via das dúvidas, comprei logo dois.

Já para casa!

Um leque.
Meus caderninhos. Alguns livros que não foram pelo correio.
O meu certificado nada suado e que vou guardar para lembrar que a vida pode ser muito mais leve e muito menos séria do que queremos.
Para colocar na mala… Ainda falta coisa.
Imagino que vou ter um problema e já começo a pensar naquela maleta incrível que jamais comprei porque sempre trabalhei feito moura e não tinha grana para levar.
Ha! Quanta bobagem.

Terça-feira, deixo a beira do Rio.
Quarta, parto para Champagne.
Sexta, Brasil.

Que saudades do Brasil.
Toda vez que me perguntam onde eu gostaria de morar.
Em São Paulo mesmo.
Eu sou cigana e São Paulo tem tudo o que o mundo todo tem.
E tem porteiro que é jardineiro.
Aqui não tem o Dênis da Padoca.
O japonês que costura tudo o que estrago.

Onça pintada volta da festa

A sapateira nordestina.
Sampa.
Rio, Minas, também – mas São Paulo é meu amor.
Com todo mundo correndo.
E esquecendo que existe a hora do recreio.

Brasil.
Palavra mágica.
Conto algumas.
Terça-feira, Louvre.
Eu e minha amiga velhinha decidimos tomar algo no café mais bacana do museu.
Não pode não.
Só se for jantar.
Jantamos então.
Ah, mas não tem lugar.
Mas ela é brasileira… Nunca comeu aqui.
E a melhor mesa, um papo sobre cinema novo, um pão diferente para provar.
Na estação, onde eu pego a porcaria do trem para Versailles? E o atendente, em português: eu amo o Brasil, a praia, Florianópolis.
Peraí que vou te mostrar a plataforma.
E o creme de rosto?
Depois de dar uma incerta em 5 farmácias.
Ah, o Brasil.
Lá não compramos nada com receita, o rei é sapo barbudo, a próxima rainha será a bruxa guerrilheira.
Compra, compra seu creme, eu anoto aqui que você já faz uso contínuo.
Camélias para a professora.
Passo o endereço de onde encontrei o chapéu de chuva.
Esse sapato? Ah, foi ali no 2oème…
Conheço sim. Tomei o drink.
Como você descobriu?
Perguntei, ué!

Eu não quero morar em Paris, em Nova York, em Tókio.
Quero voltar para casa.

Extrañamiento

quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Extrañamiento s. m. Destierro de una persona a un país extranjerom. Acción y efecto de extrañar o extrañarse.

Momento pós trombada...

Pois é…
A chuva passou, o sol fritou um ovo no asfalto, eu troquei de roupa e fui gastar meu tempo.
Ataulfo Alves que o diga: vestir uma camisa listada (original sem “r”) e sair por aí é bem coisa de parisiense.
A marselhesa é um hit…
E a caminhada a esmo também.

Encomenda para amiga.
Amiga que lê o blog e sabe que eu faço de bom grado (mas reclamo).
E olha que o perfume é especial.
Annick Goutal. Que delícia tomar um banho e colocar duas gotinhas.

Saí do metrô e vagabundeei.
Para lá e para cá vendo palácios, estátuas, navegando na idéia de república.
Faltavam duas horas para encontrar uma tchurma e decidi pegar o caminho mais longo.
Passeando pela Place Vendôme, logo botei a cabeça para viajar.
O que é ter grana para ficar no Ritz e encher a sacola de feira com Chanel, Comme des Garçons, Patek Phillippe?
Como sempre, turistas e mais turistas tirando fotos.
Desviei de um grupo.
Calçada liberada e eu fui com passos fortes.
Do outro lado da rua, uma pequena aglomeração.
POW!
Um baixote me deu uma cabeçada.
Ao lado dele uma loura dessas de Pigalle. Atrás, uma câmera, 200 assistentes, quem sabe a Carla Bruni.
Desculpa dali, desculpa daqui. Pensei: “tô arrasando Paris em chamas”.

O fim de uma era

Mentira: saquei na hora o encontro histórico.
Era o Woody Allen!
Na curva, saquei meu telefone e tirei a foto. Ninguém iria acreditar que trombei no judeuzinho que fez tantos filmaços.
Risos e mais risos.

Depois dessa, chutei o pau. Entrei na Hermés e fiz umas compritchas de mil euros.
Eu tenho certeza de que isso é uma manifestação do meu inconsciente que quer voltar logo para casa.
Afinal, tenho que trabalhar para pagar essa conta!

Agora, estou me preparando para dar uma passada na grande Mesquita de Paris.
Além de ter um chá famoso, o Hammam me foi recomendado por duas pessoas.
Fazer uma sauninha, tomar um chá de hortelã…
Vamos ver no que vai dar.

C’est moi, soy yo, é ieu!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Psicose de passarinho é galinha?

Semana non stop total…
Eu simplesmente não dormi.
Hoje liguei o on às 5h30 da manhã (prova na Sorbonne e eu não consegui parar para estudar – foram duas horas de madrugada com gramática intensa). Ontem cheguei em casa meia noite.
Confere a agenda: Sorbonne, Panthéon, almoço em casa correndo, visita a única loja Maille (1747) que fica fora de Dijon (já provou mostarda com figos, e com pimentas tailandesas e limão; pêssego e gengibre?), Lavinia (uma garrafa de uísque custa 10 mil euros!), exposição, casa voando para um banho, drink na maison de amigos, chuva e eu mais molhada do que o Nemo, jantar com amigo num chinês para lá de exótico, metrô, eu já dormindo, casa.

Museus incríveis. Passeios pelas casas de gastronomia.
Amigos.
Eita como eu gosto disso!

Agora vamos falar de coisa séria porque o blog (não) é sobre a minha pessoa.
(…)
Risos

Termina dia 22 a exposição mais do que especial de Willy Ronis no Palais de la Monnaie.
Com o nome forte Une poétique de l’engagement, a mostra tem dezenas de fotos do francês (o nome é de moço que veio do leste europeu) que faria 100 anos este ano. Ele morreu no ano passado, e deixou tudo prontinho para o público babar. Clicks de 7, 8 décadas. Greves, favelas, meninos pobres, meninos alegres, um homem em pânico no Natal, o amor… Holanda com mulheres altas, gordas, exóticas e de tamancos. Paris com chuva e sol. E neve. Gente famosa. Gente comum. Nova York, Itália, Argélia. Procure na internet porque vale a pena ver.

Domingo no Louvre

« Mes photos ne sont pas des revanches contre la mort et je ne me connais pas d’angoisse existentielle. Je ne sais même pas où je vais, sauf au-devant – plus ou moins fortuitement – de choses ou de gens que j’aime, qui m’intéressent ou me dérangent. »
Willy Ronis

Essa frase é de uma beleza… Vou tentar traduzir porque é para guardar no livrinho.

Minhas fotos não são de vingança contra a morte e eu não conheço a angústia existencial. Eu não sei nem por onde vou, exceto para satisfazer – mais ou menos por acaso – coisas ou pessoas que eu amo, que me interessam ou que me incomodam.
É ou não é a nossa cara? A minha, a desse blog, a sua?
Eu sei que ele não gostaria, mas roubei duas fotos no Google.

Essa coisa de estarmos sós na multidão.
A turba aos berros, cuspindo alegria e nós, aqui, fora do eixo. Querendo explicar que o pêndulo não se move, mas a Terra.
Tomando vinho às 11h da manhã enquanto todo mundo, chocolate.
Sendo excêntrico para valer e sem um tostão furado.

Andando de sapato novo e com o pé machucado. O coração, às vezes, arrebentado.
Essa coisa de não matar a aranha…E dela morrer.
Eu sei, muita gente não entende nada.
Mas eu também preciso de alguma explicação.

Eu não acredito em santo, Deus ou assombração.
Não acredito no inferno da corporação.
Então o meu destino é perambular.
De quando em quando, vagabundear.
Por que, como tudo termina em pó, antes eu do que a poeira…

Natal

Sobre queijos e pombos

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cartaz da prefeitura

Alguém me explica por que o teclado europeu é completamente diferente do americano (vulgo nosso)?
Os poucos minutos que consigo ter acesso a um computador na Sorbonne, eu fico catando milho nesse teclado europeu…
O mundo conspira para eu me desconectar mais vezes…

o0o0o0o0o0o

Hoje foi pancadão…
Depois de dormir cinco horas – gastei boa parte do meu domingo comendo verbos, advérbios, pronomes…
Essa manhã-tarde foi prova na veia.
A hora de ver se a grana que investi em mim mesma vai ter retorno.
Eu sei que alguns mais íntimos vão torcer o nariz, mas tenho que me elogiar.
Sexta-feira fiz prova de fonética. Não pense que é baba…
É difícil pacas…
Você sabia que existem sílabas orais, ligações consonantais, ligações obrigatórias… e por aí vai?
Pois tirei 8 em 10 com direito a elogio da professora.
Segundo ela, minha pronúncia é (quase) fluente e (algo) elegante.
Devo agradecer à champagne de champagne, bien sûr, e ao vinho de Cassis (fica entre Marseille e Toulon) – eu recomendo o rosé La Ferme Blanche geladinho. Somente o álcool destrava a língua com tanta eficiência e graça!

Viva o álcool francês engarrafado na própria vinícola. Viva o solo estrangeiro!

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Esta manhã, prova de gramática.
Não foi fácil… Confesso que ainda não estou à vontade, mas começo a entender o uso das danadas das flexões.
E fiz a prova com segurança de quem “deu de si”: sou o próprio jogador da segunda divisão rezando para alguém da primeira dar sopa do tipo quebrar a perna.

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Depois de tanta ralação, culinária francesa e causos.

Na estação, atrasada, com calor e aflita… Quase chuto uma pomba!
Detalhe: a estação Vavin tem dois andares de subsolo…
Manca como um palhaço de desenho animado.
Levando susto com os trens que chegavam e os que partiam, mas não deixando de procurar uma migalhinha de qualquer coisa.
Uma pomba.

Ao sair da estação, calculei: foram 3 minutos de túnel… como a pomba entrou?
Na certa ela tem Carte Navigo e pega o metrô sempre naquela hora.
Acabei me lembrando do cara que mora na estação Place Monge.

Todo dia, eu chego às 8h da matina e ele está lá, dormindo na mesma cadeira.
Tem uma mochilinha bem vazia e mais nada.
Algumas vezes, quando meu trem chega, ele sai do sono e sorri para os passantes.

Sorrir é um alimento tão poderoso quanto o pão.

Sorrir quebra muita gente.
E dizem que faz chorar.

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Compradas num estabelecimento de 1825

Queijo. Acabo de comer uma maravilha de outro planeta!
Anote, compre e viaje comigo.
Tomme Noire des Pyrénées. Que queijo incrível, que loucura!
Parece um queijo minas mais caprichado.
Com um pedaço de pão. E o banquete está pronto.
Ai, o chèvre do almoço…

E flores – cravos e flores do campo frescas para amigos que aqui moraram, moram e para o Brasil voltarão.
Um dia.
Esse mundo muito grande que faz a gente andar para lá e para cá como bois de Poty numa página de Guimarães Rosa.

Eu sou aquele da ponta esquerda. Mete a cara e esconde o corpo atrás da boiada.

o0o0o0o0o0o

A outra pomba…
Estava morta no chão, ao lado de uma poça d’água.
Pobre pomba morta numa calçada.

o0o0o0o0o0o

E mais tarde… a pomba intelectual vou sobre os livros na Fnac…
Subsolo do shopping na Place Italie. Foram atrás dela.
Ela levantou a poeira – ou você acha que limpam o alto das prateleiras?
Voou pelos caixas e sumiu.
Espero que não tenham matado.
Uma pomba dessas merece respeito.