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Panen et circenses

domingo, 6 de dezembro de 2009
gatooulebre

Flagrante de um país

Um  país de cordeiros colonizados.
Nos sites, jornais, nas redes sociais (Facebook e twitter, principalmente), a macacada só fala em futebol.
Em Flamengo, em Grêmio, em Internacional.

Na sexta, um estudante universitário foi baleado quase dentro da PUC, no Rio. Menino do interior, morava numa pensão. Está num hospital público.
Em São Paulo, um diretor e autor de teatro tomou 3 tiros na Praça Roosevelt.
Paranaense radical – e como me identifico com esses loucos que enfrentam ladrões (eu já tenho dois embates com bandidos armados no meu CV) -, também está em estado grave, internado num hospital público.

Sabe o que mais me choca: domingo é dia de futebol.
Pão e circo para quem não topa ver as cores da realidade.

Dois brasileiros sem grana para o hospital particular.
Dois brasileiros como eu e você.

Nos jornais, especialistas parabenizam Belo Horizonte por disponibilizar um site que mostra o local de assassinatos na cidade. É um google maps da morte – para que a população saiba onde mora o perigo e para que fique de olho nos policiamento.

Mas o assunto é Flamengo, cerveja, Maracanã.
Corrupção em Brasília já virou o cachorro correndo atrás do rabo.
Arruda agora é piada.

Logo mais, às 21horas, vou pegar um metrô.
Vou deixar meu carro na garagem.
E vou me arriscar com a câmera de mil dólares.
Vou me reunir aos poucos brasileiros vivos, no 158 da Praça Roosevelt.
A turba de zumbis vai andar por aí com a camisa do time. E depois vai tomar cerveja belga.

Não sou petista, não sou de esquerda.
Moro em bairro nobre de São Paulo, em casa própria.
Tenho carro importado.
Viajo para o exterior.
Tenho bolsa da moda.
Gasto uma nota no salão.
Falo e escrevo em 4 línguas.
E pago do bolso por cada um desses luxos.
Não tenho pai rico – pelo contrário.
E nem conto com herança da família.

Nunca fui a um espetáculo sequer na Praça Roosevelt.
Mas estou preocupada.
Não quero pão nem circo.
Quero ganhar mais e ter certeza de que não serei, pela terceira vez, abordada por um bandido armado e acabar tudo em pizza.

Se fóssemos sérios, não iríamos ao Maracanã.
Mas somos poucos a remar contra a maré de sacanagens que tomou conta do Brasil.
É uma pena. Mas é o que é.

Sobre o programa de hoje à noite:

“Vamos nos reunir para mostrar o quanto queremos que nosso amigo se recupere completamente. Chamamos os amigos, artistas, público, freqüentadores da praça, vizinhos, jornalistas e todos os que se dispõe a enfrentar a violência para vir a este encontro”

http://parlapablog.blogspot.com/

No Brasil como os romanos

Na Roma antiga, a escravidão na zona rural fez com que vários camponeses perdessem o emprego e migrassem para a cidade. O crescimento urbano acabou gerando problemas sociais e o imperador, com medo que a população se revoltasse com a falta de emprego e exigisse melhores condições de vida, acabou criando a política “panem et circenses”, a política do pão e circo.

O método era muito simples: todos os dias havia lutas de gladiadores nos estádios (o Coliseu era o mais famoso deles). Durante os eventos, eram distribuídos alimentos.

Ao mesmo tempo em que a população se distraia e se alimentava também se esquecia dos problemas e não pensava em rebeliões. Foram feitas tantas festas para manter a população sob controle que o calendário romano chegou a ter 175 feriados por ano.

No ano que vem, teremos 11 feriados nacionais.

E a Constituição garante outras dezenas:

LEI Nº 9.093, DE 12 DE SETEMBRO DE 1995

Dispõe sobre feriados

(Alterada pela LEI Nº 9.335/96, já inserida no texto)

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA – Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º São feriados civis:

I – os declarados em lei federal;

II – a data magna do Estado fixada em lei estadual.

III – os dias do início e do término do ano do centenário de fundação do Município, fixados em lei municipal.(inserido pela Lei Nº 9.335, de 10 de dezembro de 1996)

III – os dias do início e do término do ano do centenário de fundação do Município, fixados em lei municipal.”

Art. 2º São feriados religiosos os dias de guarda, declarados em lei municipal, de acordo com a tradição local e em número não superior a quatro, neste incluída a Sexta-Feira da Paixão.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

A moda do panetone na meia ou REAJA!

sábado, 5 de dezembro de 2009

blahO arquiteto suíço Jacques Herzog é o responsável pelo projeto do Teatro da Dança, obra de R$ 300 milhões (na largada), que será construída na região da Luz, em São Paulo.

Para quem não conhece, além das linduras da Sala São Paulo, da Pinacoteca e da Estação da Luz (com o Museu da Língua Portuguesa), a área tem também o Parque da Luz. Ele é o mais antigo jardim público da capital paulista: foi idealizado em 1798 e inaugurado apenas em 1825. Foi jardim botânico, ganhou mini-zoológico (as figueiras abrigam lindas preguiças, sabia?) e, hoje, tem escola pública e é um ponto de trottoir para moças fáceis em idade avançada. Ficar por ali espiando os encontros e combinações entre as vovós e os clientes é o fino da diversão.

Além das vovós – que frequentam inferninhos e hotéis baratos no bairro, a Luz tem prédios abandonados, prédios ocupados, recebeu comunidades dos países mais diversos (dá-lhe coreanos) e tem a rua mais famosa para quem gosta de roupa baratinha: a José Paulino. É uma Babel de verdade.

Vamos combinar que mais um museu bacana não seria nada mal para oferecer cultura aos diversos típos de público que por ali passam, certo?

Mas…

Os estudantes, os intelectuais, os jornalistas – todos ficaram de orelha em pé. É muito dinheiro. Poderiam fazer outra coisa?  Por que um suíço? Por que esse projeto? Por que a Luz?

Ora, enquanto tem gente comprando panetone para pobre em Brasília, eu prefiro mesmo que desviem meu dinheiro realizando projetos de cultura. Porque pago IPTU, IPVA, ISSQn e outros tantos impostos e vejo sujeira, buracos, falta de policiamento. Um museu, pelo menos, estará a disposição de todos.

E acho as coisas muito engraçadas: nossas novas elites querem cerca para fechar a rua. Nossas elites antigas, concentram o mercado, vazam informação para faturar com as ações da junção das Casas Bahia e do Pão de Açúcar. E nossas elites do PT querem controlar o mundo. Nosso valoroso chefe de Estado quer ir contra a decisão do Supremo no caso Battisti, não aceita as eleições em El Salvador… E tudo acaba em panetone para pobre na meia dos políticos.

Eu defendo a criação de um processo mais democrático: escolha para onde será desviado o dinheiro que você paga para o Estado. Eu defendo o desvio de verba para construção de museus apoteóticos: Museu da Música, Museu da corrupção, do escambau.

Porque dinheiro para panetone acaba na meia… ou na cueca.
E dinheiro na cueca do outro não é colírio.

bibi

Bibi, o gato alienado, não está nem aí

Maradona, mi amor

A Polícia do Rio prendeu dez integrantes de uma quadrilha que estava com 15,2 mil ingressos para o jogo Flamengo x Grêmio. Suspeita-se que seis integrantes da quadrilha sejam da empresa que confecciona e vende os ingressos (BWA/Ingresso Fácil).

Os ingressos apreendidos serão doados para idosos, deficientes físicos e crianças menores de 12 anos – todos têm direito à gratuidade no Maracanã.

Pergunto: isso é novidade? Ou faltou molhar a mão dos policiais?

Em tempo: a polícia batizou a operação realizada neste sábado com o nome de Gol de Mão.

Mallu ainda não é mulher

A Ronalda do YouTube, Mallu Magalhães acaba de lançar disco novo.
Uma das músicas se chama “My home is my man”.
Levando-se em conta o “my man” dela, só tenho uma coisa a dizer: casinha mais meia boca.
Em tempo: musiquinha chinfrim.

Ney, o cara

Caetano tem que pedalar para chegar aos pés de Ney Matogrosso. Leiam as frases publicadas esta semana e de autoria do ex-Secos e Molhados:

“Hoje em dia os homens estão de sombrancelha feita. E eu odeio homem de sombrancelha tirada, aquelas sombrancelhas fininhas. Acho tão feio, antiestético, não me dá o menor tesão. Os homens também estão depilados por inteiro, a depilação virou questão de honra. Antigamente os homens depilados eram os nadadores e eles tinham vergonha de ir à praia depilados”.

“Se no mundo de hoje, todas as pessoas que são homossexuais assumissem sua homossexualidade e todas as pessoas que consomem drogas assumissem que consomem drogas, nós seríamos obrigados a repensar esses dois assuntos. Seria um número tão elevado e de gente tão importante em todos os níveis, da arte à política, que todos teriam que olhar para esses dois assuntos de outra maneira”.

Pois é. Esse blog passa à margem de sexo e drogas e já toma tanta porrada…
Em tempo: hoje tive que esperar 20 minutos por minha manicure que se atrasou porque fez pé e mão, além de depilar nariz e orelhas de um cara…

Parlapatões

Pior do que ser rendido por bandidos, tomar tiro e correr o sério risco de morrer, é ouvir o apresentador meia-boca dizer, depois de tudo isso,  que “a orientação da polícia é nunca reagir”.

Com essa, termino o post.