Posts com a Tag ‘paz’

Vapor

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Ando pensando muito e escrevendo na cabeça.
Saem uns textos bonitos e sem a menor revisão.
Aí me esqueço daqui e fico flanando no ar.

A estilista morta – tão bonita, tão trágica.
Os meninos ricos da internet.
As lutas televisionadas.
As empregadas.
Fica tudo assim tão século passado.

Tenho achado todos muito impacientes.
Todos correndo.
Todos atrasados.
Uma agressividade pulsante.
Uma necessidade de gritos.

Estou no olho do furacão e gosto.
Sou feliz.
Aqui não há som.
Só imagem.

Casa nova que vai subindo.
Dinheiro, como sempre, escoando rua abaixo.
Viagens.
Cartões.
Chocolate.
E bastante vinho.
Agora com direito a corrida, personal trainer.
Cabelo louro.
Cortado louco.

Vapor.
Ando rindo de tudo.
Ando calma.
Será o outono ou a primavera?

anti-ruido

Macaquitos

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Flores.
A casa cheia de flores coloridas.
Parece que tenho um quintal imaginário de onde tiro pintinhas amarelas, azuis, laranjas e lilazes.
E invento histórias.
Com gentes distantes.
Com coisas pequenas e sutis que mudam todo o enredo.
Apenas com flores.

Borboletas

Malas prontas para mais uma viagem.
Desta vez seguindo as minhas regras:
– sem planejar;
– sem companhia;
– sem compras (tudo feito antecipado e on line);
– com ótimos reencontros marcados.

A viagem marca uma nova fase.
A da Macaca.
A partir de agora, não ouço, não vejo e não falo.
E toco minha nave louca.
É o tal do grau anareta.

Frase do dia?
What is the definition of insanity?
It’s when you do something wrong repeatedly and expect a different result.

Tosca e de blockbuster. Risos.

Vamos falar de poesia?
viver é super difícil
o mais fundo
está sempre na superfície
Leminski

A louca.
A rápida.
A que fala tudo o que pensa (?).
A cheia de expectativas.
A tradutora oficial.
A que cansou da guerra.
A do signo de fogo.
A flecha em direção ao infinito.

Inquietude companheira, vamos mais uma vez.
Em busca do que está além.
Com a fé que, agora, tem algo de João, além de Maria, de Chlóris, de Otto.

Perdas e ganhos

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

You don't know me

Graças a 2010, eu não choro mais do que o necessário para seguir em frente.
Mas anda doída a perda de meu amigo de 18 anos. Não posso negar.

Graças a 2011, abrem-se novas e boas portas.
E estou revendo algumas das minhas decisões radicais.
Ex-amigos, mudanças que quase-foram, outras que foram, velhos conceitos.
É chegada a hora de voltar atrás, fazer a curva. Quero ser menos “definitiva” com o que um dia não deu certo.
E quero caminhar na paz.

Nesse clima, meu espírito contraditório veio com tudo.
Mais uma vez, esbravejei contra essa onda de transformar José Alencar em herói.
E andei jogando porcaria dos outros no ventilador…
“Paz” com assinatura Ana Pessoa.

Depois de resolver as chatices burocráticas que todo dono de empresa enfrenta no começo de um ano, hoje me dei uma folga.
Deixei o texto do amigo que estava quase pronto para depois, não cobrei a entrega de material do fornecedor atrasado, congelei o grande projeto da enorme empresa.
Deixei tudo para amanhã na cara dura.
E fui para o salão de bairro com minha prima 4 anos mais nova.
Pé, mão, café e fofoca.
Mais uma escova que me deixou com o cabelo todo oleoso de “produtius”.

Ah, Belo Horizonte é uma cidade estranha…
Parece o ensaio de uma série daquelas tipo Mad Men só que feita com baixo orçamento.
Uma coisa do passado com personagens muito marcantes.
E, definitivamente, eu não faço parte do cast.

Agora, hora de ir para a degustação dos novos pratos do bistrô francês com a mamãe.
(Leia-se: As incríveis aventuras da balzaca inconformada com a condição humana e com os dois pés definitivamente na jaca…)

pequeninas coisas bonitas

domingo, 21 de novembro de 2010

somewhere I have never travelled, gladly beyond
by E. E. Cummings

somewhere I have never travelled, gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which I cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though I have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, I and
my life will shut very beautifully , suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(I do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands


Quando perdemos o controle – e estou falando de coisas sutis aqui -, quando a história muda e te atropela…
Como deixar de ver poesia nesses ventos fortes?
Porque o que restar, é o que interessa.

E as coisas ganham novas proporções.
Você tem que se adaptar.

Eu estou aproveitando esses dias de “sanatório” na Montanha Mágica para fazer sessões intensivas de autoreflexão.
Olhar para as raízes e entender.
Olhar para frente e imaginar o que pode vir.

Um vendaval do avesso.
Uma redescoberta de pedacinhos de história.
Um gosto pelas coisas pequenas.
Um fiapo de luz na janela.
Um sabiá.

Amigos.
Nem tempo nem vento.
Neste vasto mundo.

Eu também tenho mãos pequenas.
Talvez por isso insista em passos largos.

(Mas desta vez, decidi, vou devagar, vou divagar)