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Fantasmas

terça-feira, 13 de março de 2012

“To live is the rarest thing in the world. Most people exist, that is all.”
Oscar Wilde

Pois hoje apenas existi.

Lendo e me atualizando – por obrigação profissional – sobre as fanfarronices do futebol nacional.
Desde jogador bêbado, passando por ex-dirigente ficha suja até chegar em goleiro criminoso.
Uau.
Futebol é uma coisa ‘submundo do crime’.
Era uma vez Pelé que roubou do UNICEF que chamou Ronalducho para levantar uma grana que defendeu Ricardo Teixeira e fez o Corinthians contratar o Adriano. Adriano que descia ladeira abaixo como tantos e tantos outros.
Vontade de ver o filme “Heleno” mesmo sabendo que não vai vale a pena.

E a política?
Houve um tempo – poético – em que eu acreditava em anular meu voto.
Hoje acredito em eleger o menos pior e atrapalhar os terríveis que estão por cima.
Nas últimas eleições, ajudei a derrubar o Netinho de Paula…

Ah…
E a amiga que precisa de um abracinho?
Ela está em seu casulo e eu aqui pensando nela.
E a amiga cheia de esperança no futuro?
Se eu pudesse, beberia água da mesma fonte.
Ah – meus amigos queridos – que vêm e que passam como a garota de Ipanema.

Fim de dia. Vou reler o Fantasma de Canterville para ver se recupero o humor fino.

bu!

Ode ao calor que derrete asfalto

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Frescurete de mocinhas

Dia de sol.
Acordo cedo, vejo a Vila com seus tipos bizarros, divertidos, muitos cachorros e terra vermelha.
Não, não me falta mar.

Museus, deck sem piscina.
Água de bica estilizada.
Pó de asfalto.
Pele é diamante negro.
Horizonte cor de laranja.

Pausa no frege do trabalho.
Cidade dura em festa.
Cortesia ensinada.
Adestramento do encanto.

Pausa para um clericot.
Nasceu na Índia faz mais de cem anos.
Ingleses no Punjab, mortos (como eu) de calor, gelaram vinho claret (Bordeaux para britânicos) e misturaram a ele pedaços de abacaxi.
Claret up!
A idéia rodou o mundo, ganhou branco ou espumante no lugar do tinto e acabou-se em total clericot.

 

Clericot  tropical para uma São Paulo em chamas

1 garrafa de champagne
50 ml de grenadine
12 morangos cortados ao meio
2 maçãs picadas
¼ de abacaxi em cubinhos
½ manga ou laranja picada
8 linchias

Misture tudo, acrescente gelo.

Beba logo, aproveite o resto do dia.

As arestas da vida adulta

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Esta semana, meu radar fechou o foco nas notícias dos tablóides.
Não, nada de príncipes e duquesas, aqui em Pindorama nossos heróis são mulatinhos (com mais tempero do que os ingleses cara de cavalo) e louras de farmácia.
E é com elas que inicia-se meu assombro.
A apresentadora de um programa dominical divulgou e a notícia foi manchete em um dos nossos sites de maior audiência: ela está com o assoalho pélvico malhado.
É isso mesmo: bacurinha trabalhada com personal trainer.
É que a moça vai ser mãe e quis deixar avisado para o filho e o mundo: pode vir que estou pronta! Ah, bom!
Da loura aparecida para o tema da questão…
Em minha hidro geriátrica, o assunto recorrente é bexiga caída.
Não, não farei piadas infames sobre a salubridade da água da piscina.
Você sabia que existe um aparelhinho chamado epi-no que promete facilitar a aula de musculação para o baixo ventre e que, entre outras vantagens notáveis, faz com que novas e idosas fiquem com o assoalho pélvico em dia?
E nem precisa de personal trainer.
As minhas velhinhas são mais espertas do que a loura de farmácia – piada pronta, eu sei.
Agora, já que malhamos as Madalenas, vamos aos Judas.
Uma série de sucesso da HBO brasileira promete ter nova temporada: Filhos do Carnaval.
Disseram que, nesta edição, o nome sofrerá alteração: Filhos do Futebol.
Aqui como acolá, começou a aparecer nos gramados, é hora de ter um bastardinho – diria Maria Antonieta do cerrado.
Querem nomes?
Pelé, Ronaldo gorducho, Ronaldo Gaúcho, Robinho… Agora o craque da vez: Neymar.
Quando o mundo pensava que ele estava saindo com uma dessas halterofilistas que desfilam de biquíni na TV, o menino inova: avisa que engravidou uma menor de idade (17 anos), e que vai assumir sua parte. (?)
Para fazer uma ponta nesse novelão, o galã e boxeador Dado Dolabella também anunciou que está buchudo.
Será o terceiro filho – cada um com uma mulher diferente – em um ano e meio.
Como o garoto também é chegado num chute, tem grandes chances de ser escalado para a nova série.
E vamos fechando com a polêmica da vez: os ricos que habitam o bairro de Higienópolis (dos primeiros a ter infra-estrutura de esgoto na capital mais rica do país), não querem metrô nas redondezas.
Reclamam que o buraco quente vai atrair camelôs, ladrões e pobres – não nesta ordem.
Um ou outro blogueiro quis faturar em cima indo contra a maré – há outra estação muito próxima e o blablablá periférico.
O problema, mermão, é que não querer uma estação de metrô alegando que ela “atrai a população desfavorecida” é coisa de Pindorama alucinada.
Em alguns países, isso é mais conhecido como xenofobia.

E, sendo assim, bom dia.
Nos vemos amanhã.

Futebol, família e algo mais

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Passou o vendaval.
Minha casa voltou a ser o lar doce lar de duas pessoas.
E eu estou resfriada – nariz entupido, corpo um pouco dolorido. Isso sem contar o bolso completamente furado. E o Fred segurou a onda sem uma reclamação. Taí algo que preciso aprender… A calar a boca.

Esse fim de semana fui ao Museu do Futebol.
E que museu. E que terapia intensiva. Recomendo para os depressivos, para os excessivamente críticos, para os chatos em geral.

Como um esporte mexe com sentimentos tão variados: amor à pátria, rivalidade, emoção. E como a história do Brasil é brilhantemente contada através de nossos melhores jogos de futebol.
Eu não tenho vergonha de ser mulher no país do futebol. Bato minha bolinha quando convocada – e não faço feio. Em Cuba, era “Copa das Nações”. No time em que joguei, a tática de ser a dona da bola trouxe vantagens, tais como não estar ao lado de argentinos (risos). O melhor atacante era da Costa Rica. O mais bonito – e maior -, o que nos dava certa vantagem, era chileno. Também tínhamos um equatoriano bem danado, um panamenho, uns cubanos e nenhum argentino. Esses ficavam no campo adversário e minha melhor tática era chamá-los simplesmente de “argentinos!” a cada jogada errada, a cada passe mal feito. Tá certo que eu era xingada de pelotuda. Mas mulher pelotuda é tipo mulher barbada: não existe.
Vez ou outra uma mexicana me acompanhava nas peladas. Era mais perna-de-pau, mas tinha garra.
Só deixávamos a quadra quando não havia mais luz ou quando faltavam 30 minutos para fecharem o refeitório. E pensar que um período curto em terras caribenhas deixou tanta saudade. E pensar que o futebol era nossa linguagem de nações.

Proibido de entrar no estádio São Januário (do adversário Vasco), Ary Barroso subiu no telhado para não deixar os ouvintes na mão.

Proibido de entrar no estádio São Januário (do adversário Vasco), Ary Barroso subiu no telhado para não deixar os ouvintes na mão.

Voltando ao museu, a excelente narração de um gol pelo mineiro Ary Barroso em 1941 merece destaque. Para quem não sabe, além de brilhante compositor, Ary Barroso também foi locutor esportivo. Apaixonado pelo Flamengo, torcia descaradamente a favor do rubronegro nas transmissões pelo rádio. Quando o Flamengo era atacado, ele dizia coisas do tipo:”Ih, lá vêm os inimigos. Eu não quero nem olhar”, e simplesmente não narrava o gol do adversário. Quando o embate não envolvia o rubronegro, sempre que saía um gol, primeiro ele falava coisas engraçadas tipo: snif, squif, squifffffy, GOOOOOL (e depois tocava uma gaita). Impagável. Um locutor-torcedor é o máximo. Máximo que hoje não se ousa repetir (ou assumir)

A mãe do juiz também dá seu depoimento. Duas mães contam as agruras de ser mãe de juiz de futebol. De verem os filhos sairem de campo sob escolta. Uma, mais engraçada, logo diz: a maior desgraça foi a profissão que ele escolheu. Se o filho da p*. E confessa que também xinga a mãe do juiz em jogo. Sensacional.

Forçada de barra é Pelé dando as boas-vindas em português, espanhol e inglês. Pelé, vamos combinar, não é um cara simpático. Não é um cara bacana para dar as boas vindas para brasileiros. Ver as embaixadas de Ronaldinho Gaúcho em 3D é sensacional. É um circo. E ele faz as macaquices de quem – como muitos outros – é um grande jogador de clubes, não de seleções.

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Puskas em campo

Ver nossas derrotas tratadas com ar solene é interessante. O Maracanaço. A moça elegante que chora na arquibancada. Barbosa que sofre. Ver Zico perdendo pênalti.
Ver os vitoriosos de outras nações. O imortal Ferenc Puskás Biró (Budapeste, 2 de Abril de 1927 — Budapeste, 17 de Novembro de 2006), o “Major Galopante”. Puskás – que era baixote e atarracado – e se tornou, sem dúvida, um dos melhores do século XX.
Franz Beckenbauer o líbero alemão que, com sua visão de jogo incrível, armava contra-ataques fulminantes e tinha na elegância, com porte ereto e cabeça sempre levantada, uma marca registrada.

O Flamengo ganhando do Atlético de 3 a 2 em 1980. Um título que, dizem os meus colegas de torcida, foi roubado.
Garrincha fazendo gato e sapato de todas as equipes adversárias. E sendo generoso em quase todas as jogadas: ele não fazia o gol, armava a jogada e deixava o gol para um companheiro finalizar.

O Brasil é o único país que participou de todas as Copas realizadas até hoje. E o único também a ganhá-la por cinco vezes. Detalhes dessas conquistas (e também das derrotas), bem como o pano de fundo do momento político, social, econômico e cultural, em que cada uma se deu, estão representados nesse espaço em que presidentes, misses, artistas, ditadores da moda, torcedores anônimos e gênios da bola são personagens da mesma história e dividem espaço com as glórias da seleção canarinho. (Texto retirado do site do museu)

Segundo o sociólogo Roberto da Matta, ”foi o futebol que permitiu uma visão mais positiva e generosa de nós mesmos num plano realmente popular, como nenhum livro, filme, peça teatral, lei ou religião jamais realizou”.

Enfim, lavei a alma. O futebol tem esse poder.