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Semana 1

segunda-feira, 11 de junho de 2012

segunda com chuva?

E a semana começa com um belo pé d’água.
Para derreter o gelo, limpar a alma e te lembrar que um escritório pode ser um bom lugar.
Imagine ficar em casa de pijama e meia grossa, enquanto a turma da faxina conjetura sobre seus hábitos e obrigações.
No escritório, um bom café de máquina pode ser a salvação.
Uma conversa de corredor, um resolver tudo de uma vez porque hoje não tem sol lá fora (mesmo que você fique numa baia distante da janela).

E aí me lembro de correr na chuva com calor.
No início, você e alguns incautos.
Depois, você e você.
Ninguém.

O tênis, encharcado, fazendo barulhos estranhos.
A roupa, antes fria, agora ensopada com um líquido meio morno: chuva, suor e seu corpo trabalhando duro para manter a temperatura.
Alguns passarinhos escondidos nos galhos das árvores.
As avenidas engarrafadas.

Os pés mantém um ritmo bom para que o corpo não entre em choque.
A semana começa com um único objetivo: ducha quente.
Depois os carros, o caminho, o trabalho, o café de máquina.

Bom (re)começo.

Fome de quê?

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Aceita?

Meu dia se resumiu a duas cervejas e um pedaço de pizza.
Minha dieta se resumiu a fazer tudo às avessas.
Minhas idéias são resignadas: resistir de pé.
Meus pés não se cansam de caminhar sem rumo.
Meu mundo é bem mais ou menos.
Perdido.
Meu feriado ainda não terminou.
E não me lembro de quando começou.
Você pensou que fosse ser bom assim.
Eu sempre tive minhas dúvidas.
Elas, hoje, são dívidas.
Meus pés.
A culpa é toda deles.

Capítulo 13 – Pausas e Partidas

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Acordou cedo – nunca passava das 7h.
Fazia frio e chovia.
Era bom sair com calça, blusa, colete, malha, sobretudo, meias de lã, sapato com sola emborrachada.
Com tanta roupa, a individualidade quase desaparecia.

Decidiu deixar o carro em casa.
O trânsito estaria caótico.
Enfrentar o transporte público com o olhar de quem não é passageiro cotidiano.
Ver as pessoas apressadas.
Tentar adivinhar a música que toca no iPod da vizinha de cadeira.
Dar lugar para uma moça cheia de sacolas.
Sentir o vagão tremer a cada curva.

Começou a olhar os sapatos.
Trabalhadores têm sapatos gastos.
Olhou para as próprias pernas.
A calça preta de tecido tecnológico.
Não molha, não amassa, não perde a cor.
Distraiu-se…

Foi quando tentou levantar a perna que notou.
Os dois pés estavam presos no solo.
Fincados, cimentados.
Quando queria se movimentar, era o chão que mexia.
A calçada toda corria para a frente ou para trás, como as esteiras quilométricas do aeroporto de Frankfurt.

Estava no meio da Avenida Paulista.
Olhava para os pés.
Os sapatos de sola de borracha (em casa usava chinelos).
Quando caminhava para frente.
A calçada ia para trás – e seu corpo continuava parado.
Tentou andar de costas.
Um movimento de ré desajeitado.
A calçada correu para frente.
Tirou os sapatos.
Com os pés descalços, nada mudava.

Riu um riso nervoso.
Ficou alguns minutos tentando arrancar os pés da calçada.
Os termômetros marcavam 12°C.
O suor escorria por seu rosto, ensopava as costas.
Alguns pedestres que viam seu agito esquizofrênico viravam o rosto.

Todos presos.
Todos sendo levados pelas ruas, calçadas, avenidas.
Ninguém notava?
Se sabiam, por que ninguém tentava soltar os pés?
Não havia bebido, não comera nada diferente. Isso não era alucinação.
Teria enlouquecido?

Mais uma vez, tentou tirar os pés.
Queria comprar uma picareta.
Quebrar tudo, libertar-se.

Olhou em volta.
Indiferentes.
Todos presos.

Pausa

Capítulo 2

terça-feira, 10 de abril de 2012

Presa dentro de uma caixa de papelão, ela ouvia a chuva.
Os pés descalços e sujos.

Um raio surdo.
A eletricidade foi cortada.

Barulhos de carros, gente que passa com pressa.
Vez ou outra alguém esbarrava na caixa.
Um chute.

Sentiu falta do celular.
Sua muleta de mão.

Por que não havia música?
Um pano de fundo para o sem nexo.

Fez contas. Quantas horas faltariam para sair da caixa.
Olhou para os pés.

carpete

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
tortos

tortos

Arrastando quilos de coisas – caramujo de táxi.
Uma trilha brilhante mostra o ponto de partida.
Na volta à casa, perdi meu sentimento de lar.
Um mês e meio fora para quem havia jurado nunca tanto sumir.

Anestesia.
Casa.
Alma.

Um cano estourado me trouxe de volta à tona.
Sem banho.
Sem comida.
Numa São Paulo vazia.
De repente, feliz.

Como pode ser assim, perdida?
(e com canelas debaixo d’água)