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Estrangeira

domingo, 18 de julho de 2010

filtro

A alegria da internet no Studio e de fazer revista durou pouco… Risos. 
Coisas diferentes.

Minha vontade de sair por aí.
Há tempos que eu não sentia isso. Quantos fins de semana em casa. Noites lendo.
Aqui eu não consigo ficar quieta.

Claro que não tenho o conforto da minha casa, nem as distrações eletrônicas, os meus livros, a companhia, a bicharada.
Mas a rua me chama.
E ontem quase que a rua fica comigo.
Peguei o último metrô!

Conto tudo.
De manhã, casa.
Francês, l’imparfait.
Gente para que ais, ais, ait, ion, iez, aient? Chato de falar, quase não utilizado – e eu tendo que inventar um texto usando isso…
Almoço, pulei.
Botei minha roupinha chique, o sapatão na bolsa, a sapatilha de ballet no pé e fui passear.

O escolhido do dia: cemitério Père Lachaise.
De cara, Balzac. Um busto imponente.
Proust. Granito negro, um nome  e só.
Oscar Wilde, que coisa.
Uma tumba art deco, lindíssima. E totalmente beijada de batom.
O falo, conta-se, foi arrancado por uma louca indignada com o tamanho.

batom

Não acredito em vida após a morte. Não acredito em incomodar os restos mortais de alguém.
Portanto tudo ali era para os vivos que expressaram seus sentimentos das maneiras mais loucas.
Gertrud Stein era pedra e areia.
Piaf e Henri Salvador são vizinhos, quem diria.
A pequena Piaf tinha rosas vermelhas; Salvador, um cesco com uma banda de negrinhos – completa.
Jim Morrison – que bateu Chopin e tantos outros restos de pó ilustres – foi cercado.
O busto, roubado. Ficaram duas capas de disco, um ou outro bilhete e só.
Bourdieu. Comte. La Fontaine.
Abelardo e Heloísa, dos primeiros a chegar ao cemitério, na Idade Média (Père Lachaise recebeu os restos quando foi fundado), repousam juntos enfim.

Depois dessa, só sacudindo o esqueleto com carninhas.
Passei na Sephora e dei um tapa no make. Coisas de menina.
Le Fumoir – encontrei meu mais novo amigo, Paulo Mariotti, correspondente da Vogue em Paris.
3,4 taças de um excelente branco e veio Rodrigo.

Heloísa e Abelardo

Comemoramos o último dia de trabalho dele, que vai para Barcelona em agosto. Deixa Paris.

Meu risoto com verbena estava uma coisa! Mas eu precisaria de dois pratinhos para matar minha fome dos vivos.
De lá, passamos no Marais.
Mais drinks, comi uns queijinhos e pimba!
Amigo belga chamando para a festa num inferninho.
Fomos!
Uma tacinha de champagne e eu e uma ratazana maior que meu gato corremos em direção ao metrô.
Duas da manhã, virei abóbora!

PS: Ontem provei o chá Troyka (preto com laranja, “bergamote” e “mandarine” – eu pensei que mexerica e bergamota fossem a mesma coisa e, pelo visto, não. O Houaiss é um tanto ambíguo. Usa uma como sinônimo da outra, mas explica que a bergamota é uma ” variedade de pêra sumarenta”). Agora, estou prestes a descobrir o St.Pétersbourg, como “agrumes” (cítricos), frutas vermelhas e caramelo. Pelo cheiro… promete.

Bandinha

Caça-palavras

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Comer uma cidade não é como sentar em um restaurante e pedir a entrada.
Mil coisas na cabeça.
Ritmo instável.
Umas faíscas.
Livrarias incríveis.
Sorvetes.
Um vinhozinho no almoço. E só.
Pegando leve.

Uma boa peça de teatro. Agosto .
Com a famosa Norma Aleandro.
Para quem é fã de Costa Gravas como eu, é fácil reconhecê-la em “A história oficial”.
Com esse filme, ela  levou Cannes e o Globo de Ouro.
Com outro, “Gaby”, concorreu ao Oscar.
Ela rouba toda a cena. 3 horas de peça.
Eu cortaria todo o primeiro ato.

Um musical. Piaf.
Com Elena Roger que, por esta peça, levou o Laurence Olivier de melhor atriz de comédia.
Argentina, trouxe toda a equipe técnica e montou na raça a versão para espanhol.
As canções são em francês, o ritmo e a montagem são todos ingleses.
E a moça tem uma voz e uma presença de palco.
Simplesmente excelente.

Livrarias. Uma ótima em P.Soho.
Achei Rimbaud no original.
Não comprei.
Preciso de coisas mais leves.
Ando fotografando palavras. Stencils.
Comida.

É bom ficar assim, sem destino.
Fazendo coisas que você jamais pensou em fazer.
Hoje comprei outro Peep Toe.
De crocodilo.