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O Chile merece o presidente que tem, o Brasil, também!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Piñera, presidente do Chile, ao comprovar que os mineiros estavam vivos

Podem me detestar.
Mas eu não me interessei muito pelo resgate no Chile.
Se fôssemos acompanhar todos os casos semelhantes, em especial na China e na Rússia, dava até para fazer um programa de TV.
Algo entre um reality show e o programa do Sílvio Santos.
Com direito a ver os homens sucumbindo ao vivo ou escolhendo um novo eletrodoméstico na Porta da Esperança.

Apenas uma coisa me chamou a atenção.
Foram (estão sendo) muitas críticas ao presidente chileno – se você não sabe, grande parte da verba gasta no resgate saiu do governo federal do Chile.
Pelo que entendo, faz parte da liturgia do cargo de um líder de Estado dar apoio à nação em momentos como esse.
Ele vai faturar com isso?
Não importa. Ele tem que estar lá. É o papel de um presidente.

E em tempos de radicalismo político no Brasil, não quero fazer palanque para Serra ou Dilma.
Quero relembrar a brilhante participação de meu presidente em um caso muito mais triste e dramático do que o do Chile.

Na sexta-feira, dia 22 de agosto de 2003, às 13:26h, vinte e um engenheiros e técnicos do CTA (Centro de Tecnologia Aeroespacial), sediado em São José dos Campos, SP, morreram em um incêndio no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), localizado no Estado do Maranhão, quando preparavam o lançamento de um protótipo do foguete de fabricação nacional, o VLS (Veículo Lançador de Satélites).

Reproduzo matéria da BBC Brasil:

Lula disse que queria dar um “aviso ao povo brasileiro” em função do que aconteceu na base espacial de Alcântara.
“Estes homens morreram prestando um serviço inestimável à nossa pátria. Certamente vamos seguir com a política espacial e pretendemos continuar com a base de Alcântara, principalmente para lançamento de foguetes”, disse.
Lula disse que quer que os familiares da vítimas saibam “que o governo brasileiro estará solidário” e fará o que estiver ao seu alcance para “minorar o sofrimento dos entes queridos dos que se foram.”
Mas Lula não disse se o governo vai indenizar as famílias, nem se visitará Alcântara.

Até hoje as famílias dos engenheiros e técnicos que morreram na explosão não receberam a indenização que o presidente prometeu (ajuda de custo para os filhos em idade escolar, entre outras).
E o seguro das famílias (Bradesco Seguros) recusa-se a pagar o sinistro por acidente de trabalho. Pagou um seguro de vida comum.

Pouco depois do acidente, leiam o que saiu no Terra:

Lula e Putin no Itamaraty, foto de Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem uma frase infeliz ao comentar o acidente da Base de Lançamentos em Alcântara, no Maranhão, onde a explosão do Veículo Lançador de Satélites (VLS 01) matou 21 pessoas em 22 de agosto.
Lula disse que “há males que vêm para o bem”, conforme o relato de fotógrafos que cobriam o encontro do brasileiro com o presidente russo, Vladimir Putin.
“Há males que vêm para o bem. Ao invés de prejudicar, pode estimular os avanços do conhecimento tecnológico”, teria dito Lula, de acordo com os fotógrafos em Nova York.
Lula agradeceu Putin pelo apoio de seu país nas investigações do acidente.

Um curto-circuito provocou a explosão do VLS 01. Essa foi a terceira tentativa frustrada de lançar um foguete totalmente nacional ao espaço.

Eu gostaria de mantar uma lista para o Lula:
Os nomes dos 21 engenheiros e técnicos mortos na tragédia.
– Amintas Rocha Brito,
– Antonio Sérgio Cezarini,
– Carlos Alberto Pedrini,
– César Augusto Varejão,
– Daniel Faria Gonçalves,
– Eliseu Reinaldo Vieira,
– Gil César Marques,
– Gines Ananias Garcia,
– Jonas Barbosa Filho,
– José Aparecido Pinheiro,
– José Eduardo de Almeida,
– José Eduardo Pereira,
– José Pedro Peres da Silva,
– Luís Primon de Araújo,
– Mário César Levy,
– Massanobu Shimabukuro,
– Maurício Biella Valle,
– Roberto Tadashi Seguchi,
– Rodolfo Donizetti de Oliveira,
– Sidney Aparecido de Moraes,
– Walter Pereira Júnior.

No final de 2003 o governo federal pagou uma indenização de R$ 100 mil para cada uma das 21 famílias das vítimas do acidente. Também indenizou o tratamento médico e psicológico dos familiares e algumas despesas de educação dos filhos das vítimas.
Insatisfeitos, os familiares procuraram a Justiça, reivindicando, em média, uma indenização de R$ 2 milhões. (Lula chegou a falar em algo em torno de R$1milhão).
Algumas das ações propostas individualmente pelos familiares das vítimas já tiveram decisões favoráveis em primeira instância, mas que foram questionadas pela Advocacia Geral da União (AGU), com respeito ao valor pedido das indenizações.
Segundo a AGU, “não há legislação específica que fixe parâmetros de indenização por danos materiais e morais aos servidores públicos estatutários, vitimados em acidente, como no presente caso”.

Os familiares dos mortos no acidente fundaram a Associação dos Familiares das Vítimas do Acidente do VLS (ASFAVV).
Essa associação defende a continuidade do projeto do VLS, busca na Justiça o direito de saber quem foram de fato os verdadeiros responsáveis pela tragédia ocorrida, e luta para “manter acessa a chama de humanidade”, que os 21 engenheiros e técnicos falecidos deixaram a partir do seu trabalho interrompido no CLA.

Se você se comoveu com o caso no Chile, eu só te peço que pense no brasileiros que morreram em Alcântara