Posts com a Tag ‘poesia’

Travesti

domingo, 26 de julho de 2015

para-raios

Porque hoje, não do nada, saquei quando a gente saiu da estrada.
Diferente do mundo, eu vivo a vida às claras.
Eu não tenho medo nem amarras.
O que eu faço, mato no peito. Sem programa que deleta o que eu escrevo.
Meu aplicativo replica, publica. Grita.
Eu sou 80 em estado puro.
Eu não minto. Nem tenho mais pinto.
E eu decidi que, a partir de agora, quero ser de mais de um. De dois. Ou três.
Vou colocar o dedo na tomada. Eu sempre fui 220.
Vou dar o que me der. Vou dar.
Vou, finalmente, criar, vou deixar quem eu sou ganhar. Eu vou me entregar.
Eu comecei a ir embora.
Eu sou de trás para frente.
Comigo tudo sempre começa do alto, do grande.
Agora eu quero o diminuto.
É hora de voltar ao meu espaço, à minha mesa de sinuca, à minha solidão destemida que vai puxando gente como ímã.
Eu estou chegando em casa.
Eu não tenho mistério.
Senha.

E é por isto que você me quer.

Ressaca

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Quando chove na metrópole, o mundo para.
Árvores desistem.
Faróis de carros parados criam uma atmosfera de filme noir.
Meia-luz e céu sem estrelas.

Eu? “Elucubrista”.
E o pau que a Yoani anda tomando?
Como se o governo da Ilha merecesse mesmo qualquer defesa.
Enquanto isso, a Venezuela reedita seus fantoches.
Se fossem checos, talvez tivessem graça.
No outro continente, heróis da perna de pau enjaulados.
Chinês que paga por cirurgia plástica em cachorro.
E moças que se autodenominam “rycas”.

Os dedos coçam para ler toda poesia de Leminski.
Fazendo as contas, tenho 6 anos para beber mais do que ele.
Por que poesia…
Tmbém posso começar a fazer judô.
Por que não?

No Rio, faz 40oC à noite.
Como filhos fiéis, todos de cervejas a postos e pés na areia.
Rio.
Pouquinho.

pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando
(p.l.)

Branco

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

ação?


Uma semana usual
não tem poesia
Tem almoço fora
(todo dia)
correria

conversa jogada fora
venda
compra
tempo curto
sem destino

Nova York
Londres
Paris

tempo
é tudo o que me falta.

Meu espaço fica em branco.
Minha falta.
Meu espanto.

Meu casaco de general

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Acordei mais tarde, não ri das graças da macacada, mandei a tropa ao trabalho e fui fazer as minhas tarefas.
Dia produtivo, sem muita conversa ou poesia.
Segunda-feira.

Penso que as liberdades que damos e que de nós são tomadas configuram-se grande mistério.
… limites.
… respeito.
Na prática, a vida é luta.

Todo tempo e toda hora, com sol escaldade lá fora e chuva aqui dentro.
O dia, apesar da minha rebeldia que insiste em acreditar na doçura do caos, foi bom.
E cá estou sozinha às 17h31 fugindo para blogar e sonhando com goiabada cascão.

E que se cumpram as novas ordens.

assim, assim

Cesaria e Goran

domingo, 16 de janeiro de 2011

ausencia

si asa um tivesse
pa voa na esse distancia
si um gazela um fosse
pa corre sem nem um cansera

anton ja na bo seio
um tava ba manche
e nunca mas ausencia
ta ser nos lema

ma so na pensamento
um ta viaja sem medo
nha liberdade um te’l
e so na nha sonho

na nha sonho mieforte
um tem bo protecao
um te so bo carinho
e bo sorriso

ai solidao to’me
sima sol sozim na ceu
so ta brilha ma ta cega
na se clarao
sem sabe pa onde lumia
pa onde bai
ai solidao e un sina…

Ainda sobre léxico.
Quem disse que as palavras são realmente necessárias?
Nesta vida, depois dos 20, aprende-se que nem tudo é falado.
E que, por isso mesmo, deves tomar muito cuidado com que falas e não fazes.
Por que, com verbo no futuro do pretérito, que ironia, quando falares, não haverá certeza de que um dia se conjugará a vida no presente.

Ausência.