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Trottoir

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

No centro, ao lado de uma estação de ônibus, esbarrei de novo com o Itamar Assumpção.
Magro, cheio de dreads, cultuado ainda e nada maldito.
Maldito era o enrgético com uisque, depois com gim.
Maldita é a combinação com o celular.

O jazz.
O menino.
Os meninos.
E esta coisa de travesti – que, quem entende dos astros, dos seres do outro mundo, quem entende manda que eu anule, que eu pare, que eu não assuste.

Devo sair por aí de vestidinho rosa de lacinho.
E devo sorrir com biquinho.
E o mundo viverá tranquilo e eu apavorada.

O Jazz era nos Fundos mas o passeio foi na praça Roosevelt.
Os loucos, os bêbados, os tarados, toda a trupe reunida.
Eles comiam minha amiga com os olhos e eu, com minha corda de mulher maravilha, ia dando estaladas no chão para espantar tudo que é invisível e qualquer vampiro.

No restaurante escolhido, mojito.
Ceviche depois de duas esfirras de carne.
Ou 3?
E a promoção: dois Aperol Spritz dão direito à uma taça de vidro vagabunda.
E eu realmente preciso de uma taça de vidro.
Um sanduiche de grao de bico, um pacote de biscoito de gergelim.
Eu pensando: vai ser até bom, preciso de um quilinho a mais no momento.

Mas o maldito celular e a coragem estúpida dos bêbados.
Se era para fazer tanta besteira usando a ponta dos dedos e uma tela de cristal, melhor teria sido ter subido no palco e ter cantado “Código de acesso”.

Panen et circenses

domingo, 6 de dezembro de 2009
gatooulebre

Flagrante de um país

Um  país de cordeiros colonizados.
Nos sites, jornais, nas redes sociais (Facebook e twitter, principalmente), a macacada só fala em futebol.
Em Flamengo, em Grêmio, em Internacional.

Na sexta, um estudante universitário foi baleado quase dentro da PUC, no Rio. Menino do interior, morava numa pensão. Está num hospital público.
Em São Paulo, um diretor e autor de teatro tomou 3 tiros na Praça Roosevelt.
Paranaense radical – e como me identifico com esses loucos que enfrentam ladrões (eu já tenho dois embates com bandidos armados no meu CV) -, também está em estado grave, internado num hospital público.

Sabe o que mais me choca: domingo é dia de futebol.
Pão e circo para quem não topa ver as cores da realidade.

Dois brasileiros sem grana para o hospital particular.
Dois brasileiros como eu e você.

Nos jornais, especialistas parabenizam Belo Horizonte por disponibilizar um site que mostra o local de assassinatos na cidade. É um google maps da morte – para que a população saiba onde mora o perigo e para que fique de olho nos policiamento.

Mas o assunto é Flamengo, cerveja, Maracanã.
Corrupção em Brasília já virou o cachorro correndo atrás do rabo.
Arruda agora é piada.

Logo mais, às 21horas, vou pegar um metrô.
Vou deixar meu carro na garagem.
E vou me arriscar com a câmera de mil dólares.
Vou me reunir aos poucos brasileiros vivos, no 158 da Praça Roosevelt.
A turba de zumbis vai andar por aí com a camisa do time. E depois vai tomar cerveja belga.

Não sou petista, não sou de esquerda.
Moro em bairro nobre de São Paulo, em casa própria.
Tenho carro importado.
Viajo para o exterior.
Tenho bolsa da moda.
Gasto uma nota no salão.
Falo e escrevo em 4 línguas.
E pago do bolso por cada um desses luxos.
Não tenho pai rico – pelo contrário.
E nem conto com herança da família.

Nunca fui a um espetáculo sequer na Praça Roosevelt.
Mas estou preocupada.
Não quero pão nem circo.
Quero ganhar mais e ter certeza de que não serei, pela terceira vez, abordada por um bandido armado e acabar tudo em pizza.

Se fóssemos sérios, não iríamos ao Maracanã.
Mas somos poucos a remar contra a maré de sacanagens que tomou conta do Brasil.
É uma pena. Mas é o que é.

Sobre o programa de hoje à noite:

“Vamos nos reunir para mostrar o quanto queremos que nosso amigo se recupere completamente. Chamamos os amigos, artistas, público, freqüentadores da praça, vizinhos, jornalistas e todos os que se dispõe a enfrentar a violência para vir a este encontro”

http://parlapablog.blogspot.com/

No Brasil como os romanos

Na Roma antiga, a escravidão na zona rural fez com que vários camponeses perdessem o emprego e migrassem para a cidade. O crescimento urbano acabou gerando problemas sociais e o imperador, com medo que a população se revoltasse com a falta de emprego e exigisse melhores condições de vida, acabou criando a política “panem et circenses”, a política do pão e circo.

O método era muito simples: todos os dias havia lutas de gladiadores nos estádios (o Coliseu era o mais famoso deles). Durante os eventos, eram distribuídos alimentos.

Ao mesmo tempo em que a população se distraia e se alimentava também se esquecia dos problemas e não pensava em rebeliões. Foram feitas tantas festas para manter a população sob controle que o calendário romano chegou a ter 175 feriados por ano.

No ano que vem, teremos 11 feriados nacionais.

E a Constituição garante outras dezenas:

LEI Nº 9.093, DE 12 DE SETEMBRO DE 1995

Dispõe sobre feriados

(Alterada pela LEI Nº 9.335/96, já inserida no texto)

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA – Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º São feriados civis:

I – os declarados em lei federal;

II – a data magna do Estado fixada em lei estadual.

III – os dias do início e do término do ano do centenário de fundação do Município, fixados em lei municipal.(inserido pela Lei Nº 9.335, de 10 de dezembro de 1996)

III – os dias do início e do término do ano do centenário de fundação do Município, fixados em lei municipal.”

Art. 2º São feriados religiosos os dias de guarda, declarados em lei municipal, de acordo com a tradição local e em número não superior a quatro, neste incluída a Sexta-Feira da Paixão.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.