Posts com a Tag ‘praia’

Bipolaridade

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Uniforme

Há algum tempo foram-se os anéis.

Os últimos dias têm sido de um futuro incrível com sol, academia e novas viagens  – fiquei enferrujada neste quesito. Travada no presente.

Intervalos de “e agora, José?”.

Revisão de arquivos da memória – grande parte deles preenchidos com participações especiais e que não deveriam ser memoráveis.

Sozinha no meu quarto de hotel, penso em como começar – sabendo que já começou, a despeito do meu planejamento tardio.

As questões de grana nunca afetam meus planos. Sejam eles de morar em Paris ou de me acabar em algum restaurante.

E agora o sonho é fácil. Retomar as rédeas do pangaré.

A casa, os gatos, cachorro, a vida.

Eu sempre estive pronta para transformar o esquema.

Isto não me aflige.

Me aflige apenas a divisão, a negociação que, a partir de agora, deverá ser feita. Hoje e sempre.

Ainda sou dona do meu nariz, mas nunca fui do dos outros.

Paciência, Ana.

Isto eu não tenho.

Então sossega, mas como?

Lá na frente eu vejo até mais gente.

Hoje só esta impessoalidade com assinatura Blue Tree.

Resolução de ano novo

sábado, 3 de janeiro de 2015

O ano quando começa abre as portas do impossível.
E elas se fecham rapidamente. Quem passar não volta jamais.
Não, não há dinheiro envolvido, amor novo ou sua saúde de volta.
Sete ondas, oferendas, espumante, beijo – nada disto faz sentido.
Ousadia.
Dos significados do dicionário, os que mais se assemelham à verdade são a falta de reflexão; a imprudência; a temeridade.
Não que eu não ame cometer todas as antonímias.
O objetivo é testar, testar, testar.
Aqui, dentro do meu universo, eu vôo muito, vôo longe.
A tal casca dura que molda como mármore.
Que te faz uma personagem.
Quando você voa ela se esfarela como sal do Mar Morto.
E você vira passageiro desta espiral de coisas impossíveis que, quando leves, sempre proibidas.
Beber de manhã, falar o que não deve, sonhar com coisas difíceis, escrever o que bem entende e para quem se interessar. Escrever.
Imaginar outras histórias, outras pessoas, uma casa menor, um gosto por café, uma sem-vergonhice absolutamente inusitada. A falta de vergonha de seguir o faro.
Pensar nos grilhões de um trabalho como um tíquete de loteria.
Desejar salvação pelo caminho mais simples: uma nova prisão.

Quando a gente é novo, o novo é puro prazer.
Ele é doce.
Ele tem tempo e fé.
Quando se envelhece, existe a dor.
Existe também um auto-conhecimento, um saber cristalino de suas limitações.
E, a despeito de tanto chumbo, tudo é bom porque é suado.

Passei oito anos e meio – quase dez se contar um intervalo sabático – no mesmo emprego.
Coisas de principiante.
Hoje espero coisas que estejam fora do tempo.
Não sou guia nem sou calma.
Vejo meu filho inquieto, impaciente, exigindo “agora”.
E eu sinto uma identificação orgulhosa.
No fundo, no fundo, o “agora” ainda grita em mim.
E são tantos anos.

Agora.

Meu melhor ângulo não está aqui

Amanhã

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sarjeta

Penso no Obelix e me pergunto se também cai em algum caldeirão.

Não, a roupa é de ginástica, mas não serviu para nada.
Fui para o escritório assim, fantasiada de atleta.
Coisas de quem corre sem sair da esteira.
Esteira?

De tarde, desmarquei a hora mais esperada.
Corri para receber a moça grávida que não planejou nada e, agora, quer casa.
Casa?

Há dois dias estudo o Rio.
Rio, rio de tudo tão impossível.
Casa? Corra, corra!

Amanhã farei uma bela pose.
Falarei com toda propriedade.
Mostrarei dotes.
Farei olhos de nuvem.

Rio?
Antes vagabunda no Bar da Lagoa, hoje soberba pensando em casa.
Casa?

Rio, o que aconteceu com suas noites ásperas e tão baratas?
Com seus Jardins nada Europeus?
Com seus preços camaradas, com a praia misturada?

Amanhã irei para a forca.
Rio.

(rio)

Coco, cocada e quebra-queixo

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Les fleurs du mal

Acordo às cinco da manhã, faço uma hora e vou caminhar.

É calor logo cedo para os transparentes.
Em Boa Viagem, admirei-me com o que vi: cerca de cinco homens de uniforme azul royal no alto dos coqueiros.
Pensei logo: que bacana, a prefeitura poda as folhas secas dos coqueiros.
Poda?
Que nada, macacada…
Mutila.

A turma cortava, sem piedade, os brotos de coco, os cachos floridos, branquinhos e tão poéticos.
Eram dezenas, quase centenas, de cocos em produção sendo ceifados deste pobre verão.
Uns hão de dizer que é para proteger o povo que vai à praia.
Ora, bolas, quem passa debaixo de um coqueiro sabe que coco dá.
E a água vale o risco quando o sol é inclemente.

Pelo calçadão, a imagem do velório.
Algumas senhoras recolhiam galhos e flores para por eles orarem mais tarde.
E eu fiquei borocoxô.
Dia feio de gente má.

Nem Baudelaire aguentaria.

Ciências Contábeis

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Ultimamente minha vida é no balanço.
Balanço a caminho do mar – sem me molhar e com o cabelo avacalhado de calor e areia.
Balanço de criança que me faz gastar um milhão de calorias e dá uma sede, menino…
Balanço eletrônico para a mesma criança que me libera umas boas 3 horas de trabalho.
Balanço financeiro apresentando (sempre) mais gastos do que receitas.
Balanço pessoal e intransferível de quem tem muito mais do que 30.

Sendo assim, decidir aderir ao movimento sambalanço na caixinha 24 horas por dia.
E vou tocando, cantando, batendo na caixinha de fósforo Cartola, Pixinguinha, Beth Carvalho, Portela, Mangueira, Chico, Xico, Paulinho, Candeia e muito mais.

O que seria da vida sem música?
E sem balanço?


Beira-rio

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

La mariquita roja trae suerte a aquellos que lo creen.

Essa coisa de ficar enclausurada.
Quando fujo, falta tempo.
Fico em carne viva.

Nesta caixa, voando.
Você me vê – creio.
Lembro de algo que me fez bem na década passada.
Espero chover.
Será que tudo seria diferente?
Duvido.

Leio as notícias, reclamo das grades, caminho da sala para o quarto.
Vejo um pedaço do mar.
E acho que estou ali, outro lugar.

Prometo respeitar as horas.
Não começar 2012 agora.
Minto e você acredita.

Viajante.
Cigana.
Mais feliz do que ontem.
Choppinho gelado em dia de calor.

Maria

terça-feira, 16 de agosto de 2011

possibilidades

Lava roupa com sabão de coco.
Discute aprovação de obra.
Passa no banco.
Com paciência, pede ao abusado para liberar a vaga que lhe é de direito.
Faz uma reunião online com todo aquele lugar comum de “Brasil corrupto”, novas leis, pau nos servidores públicos, o ideal é implantar um sistema de projetos em todos os escalões.
Ah, se tudo tivesse este estalo que resolve as questões fundamentais.
Maria, Maria, você já foi melhor nisso.

Vá encher bolsa de água quente para aquecer a lombar que dói.
Vá comer direito, vá dormir e descansar um pouco.
Opa, hoje já é outro dia.
E há trabalhos para entregar.
O cliente sempre tem pressa.
Mesmo que o sol aqueça a janela.
E que seu biquíni preferido esteja numa gaveta distante 2672km.
Maria, Maria, deixa de lero-lero.

Hoje é só terça-feira e o mundo inteiro quer mais.
Ninguém quer aurora boreal.
Gota de orvalho em folha de mato.
Terra, café, um vapor.

Acorda, Maria, que já são quase oito horas.

Papai Noel, hambúrguer de minhoca e outras histórias

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Não se preocupe.
Quando você crescer, vai se casar, ter dois filhos – um menino e uma menina – e irá morar numa casinha com chaminé e uma árvore no jardim.
Seu cachorro será gordinho e simpático.
Você terá um carro bacana e vai trabalhar numa multinacional.
Provavelmente irá entrar como gerente e, em menos de 5 anos, será promovido a diretor.
Não, nunca precisará tomar empréstimo no banco.
Terá disposição para fazer ginástica todos os dias e vai adorar comer salada.
Não terá problemas de colesterol, obesidade, triglicérides e estresse.
Diabetes é marca de fruta tropical?
Viagens fantásticas, hospedagens no George V, classe executiva, como não? Você e sua família merecem.

Drogas?
Dívidas?
Dúvidas?
Bebidas e cigarro?
Emprego?
Você andou vendo muito Harry Potter e acreditou em Voldemort.
Muito impressionado? Ansioso?
Tome um valium que passa.

Feliz dia de sol na praia.
E cuidado com os aviões.

Segundos, minutos, horas

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Como dez dias passam rápido.
Muitas vezes, demoram.
Eu fico pensando em Som e Fúria e o relógio sem ponteiros.
Quem é o carrasco?
O tempo ou o relógio?

Hoje acordei muito cedo.
Não entrei no mar.
As caravelas vieram até a areia e preferi um banho de chuveiro.
(virei uva-passa na piscina)
Dormi, acordei de sopetão.
Subi na cadeira.
Olhei para o céu.
Corri.
Cheguei um minuto antes da chuva cair.
Deu tempo de salvar as roupas que estavam secando ao sol.

Sou assim.
Previdente, organizada.
Vento…
Voou como meu tempo aqui.

Agora é barco, estrada, avião.
E uma vontade doida de colocar rédeas na vida.
Ano bom.

Foi dada a largada

sábado, 1 de janeiro de 2011

Jantarzinho e integração quase total entre cachorros e 14 bangalôs.
Quando o ano começou, ninguém fez contagem regressiva.
Vimos uns fogos do outro lado do mundo e soubemos que 2010 tinha partido.
Nossa garrafa de litro e meio de champagne foi distribuída entre funcionários e novos melhores amigos.
(Não que faltassem garrafas, mas gosto dessa coisa de compartilhar)
Uma cesta de rosas brancas e amarelas, uma vela…
E Alice entrou no mar, recolheu tudo e destruiu as oferendas na areia.
Uma cena engraçada.
Ela incorporou Yemanjá e não deixou nenhuma das 14 cestas escapar.
Foi uma rosa-vela-ficina.
E a bichinha virou um cachorro empanado pegando onda à noite.
Depois de chuva-para-chove-para-chove, o primeiro dia do ano foi puro sol.
Eu passei todas as minhas horas na praia.
Só curtindo o calor e o sal.

Benvindo 2011.
Venha macio e devagar.

Happy