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Transilvânicos tropicais

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

o que você não vê

Dizem que têm hábitos noturnos, que vestem capa e procuram pescoços de moças cândidas e virgens.
Mentiras, marketing puro para confundir os predadores.

Saíram das arábias, devoram babaganouch e coalhada seca.
Com doze anos, usaram aparelho fixo.
Aprenderam a dançar nos bálcãs.
E escolheram o Brasil para ficar.
Ciganos, anarquistas armados.

Ýn iþi, cin iþi deðil insan kiþi!

Não, não dormem num sarcófago no porão.
Gostam de cama macia e têm preferência por dossel com mosquiteiro.
O sangue doce e quente atrai insetos.

Quando a madrugada encontra o dia, por volta das cinco horas, correm como lobos.
Vêem o mundo que nem bandidos ou putas conhecem.
O mundo de quem ainda não acordou e de quem acaba de ir dormir.
Nessa saída quase que religiosa, gritam, dão socos no ar.
Levam iPod para lembrar da caminhada de outros séculos.
Suam.
O corpo não é esguio e muitas vezes pensam em cirurgia plástica.

É certo que não são dourados de sol.
A pele branca é usada como isca.
Em Cuba, fiquei sabendo, usam “vampisol”, um poderoso preparado que não deixa a pele descascar.

Sim, seduzem.
Têm canto de sereia.
E brincam de levar um séquito de curiosos para cima e para baixo.

Mas é na corrida de todo o dia que sabem quem são.
Correm sós.
Debaixo de temporal.
Pensam em, quem sabe um dia, baixar a guarda.

Fragmentos

domingo, 26 de dezembro de 2010

Um passeio de barco. Uma água de coco em casa de caboclo.
De bicicleta, enquanto o helicóptero me inveja lá do alto.
Um passeio de barco só para colocar as mãos na água morna.
Eu me despedi ansiosa de 2010.
E, nesse fim, ele me deu um tapa de luva.

(imagine aqui qualquer foto bonita)

chegada

Pandemônio

quinta-feira, 30 de abril de 2009

fragmentos (Fragmentos de uma capa)

Ontem peguei um táxi e o motorista era hilário!

Entre várias ótimas, contou que estava imunizado contra a gripe do suíno. Tinha tomado a vacina há dois dias. “Afinal, gripe é gripe!” Depois, alongando o assunto, disse que tinha ouvido no rádio que a doença havia atingido o status de pandemônio. Eu me diverti! E olha que o moço não estava tão errado…

Segundo o Pasquale hoje, na Folha:

A “endemia” é definida pelo “Aurélio” como “doença que existe constantemente em determinado lugar e ataca número maior ou menor de indivíduos”. O “Houaiss” diz que a malária, por exemplo, é uma endemia em determinadas regiões do planeta. O mesmo dicionário “Houaiss” define “epidemia” como “doença geralmente infecciosa, de caráter transitório, que ataca simultaneamente grande número de indivíduos em uma determinada localidade”. Da epidemia para a pandemia…
Pois bem. Em “pandemia” encontra-se o elemento grego “pan-“, que significa “todos”, “tudo”, “cada um”, “a totalidade”. No caso da gripe suína, que já se alastra por algumas regiões, não é difícil entender por que a OMS já fala em “pandemia”. A esta altura, alguém talvez já esteja pensando se há relação entre “pandemia” e “pandemônio”. Será que há?
Não há, ou melhor, há, se pararmos no “pan-“, que é o mesmo que se vê em “pan-americano”, “panteão”, “panfobia” etc. Em “pan-americano”, por exemplo, temos a ideia de união das Américas (não é por acaso que os Jogos Pan-Americanos têm o nome que têm). Em “panfobia” (ou “pantofobia”), temos a ideia de “medo de tudo” (como se sabe, o elemento grego “-fobia” significa “medo”, “horror”).
E “pandemônio”? Temos aí mais um termo criado por um escritor inglês. Assim como fez Thomas Morus (1480-1535), que deu o nome “Utopia” a um país imaginário (que tinha um sistema sociopolítico ideal), o poeta inglês Milton criou a palavra “Pandemonium”, resultante de “pan-” e “daimon” (“demônio”). Em sua obra “Paraíso Perdido”, Milton deu ao Palácio de Satã o nome de “Pandemonium”, também definido como capital imaginária do inferno.

Talvez o pandemônio seja aqui. Risos.

E o vexame que passei: fui chamada para as entrevista de seleção para o curso 10000 women do Goldman Sachs.  (www.10000women.org) Lá fui eu, linda para uma entrevista de… EMPREGO! Overdressed!
Pensei (errado), sou uma das 100 finalistas entre 800, tenho que ir bacaninha.
Ao chegar, achei meus pares – duas ou três perigosas peruas. E um grupo de moças mais simples, vindas de cidades do interior, com um sapatinho gasto, uma bolsa velhinha do nosso lado.
Eu, com minhas pérolas, fui ficando extremamente constrangida.
É que o programa do curso não é claro: não fala se existe a opção de ser pago pelo aluno… E na realidade ele é totalmente free, bancado pelo banco americano.
Ainda, não explica que o target é apenas gente que não tem ou teve acesso a boas escolas. Ele deixa em aberto.
Resumo: entrei na sala de entrevista. Pedi perdão pelo vexame. Afinal, não vou tirar lugar de alguém que não tem nada. Tenho uma certa vergonha na cara.
O professor entendeu, riu, sugeriu outros cursos da FGV para mim e pediu para eu fazer uma matéria para ajudar na divulgação.
Toma distraída.
Risos e mais risos.

Adorei essa foto do editorial

Adorei essa foto do editorial

E, em tempos de fechamento, tenho visto pouco minha cama.
Aliás, esse negócio de dois empregos poderia ter sido um bom argumento na entrevista.
Hoje (!) voltei para casa às 5h30 da manhã.
Meu porteiro deve achar que eu sou uma party monster.
Todo dia o tiro o sono de beleza dele – quem disse que porteiro fica acordado de madrugada? – para me receber com o sol raiando.
Descabelada, maquiagem borrada, com mau humor…

Fechamos a revista do Iguatemi ontem e hoje (!) terminamos a Vogue Noiva.
A madrugada foi de texto atrás de texto. No final, eu já não tinha mais gramática…
Esta edição tem quase duzentas páginas.

Eu pensei que vida de editora-chefe de Vogue fosse mais Anne Wintour e menos plantão médico.
Ontem minha alimentação foi: pizza, carolina, pão de queijo e biscoito de povilho.
Hoje não aguentei tomar café da manhã. Foi tanta porcaria que acho que posso ficar sem me alimentar por uns três dias.
Isso me faz querer fazer piada com o Chiquinho Scarpa…
Mas é maldade. Deixa para lá.

Enfim, a Vogue Noiva está incrível nessa edição!
Piramos na batatinha completamente: fizemos uma festa num circo.
Está lindo: a noiva de bailarina, com tiara de brilhantes de 30 mil reais. Tem palhaço, malabarista, etc
Este é um casamento que eu gostaria de ir…
Ainda, para os que gostam de alta moda, temos um editorial feito na Espanha com noiva maquiada de vermelho e milhares de flores, vestidos incríveis – uma coisa chic!

No domingo, no lugar de ver a final do Flamengo no Maracanã (detalhe: ingresso comprado e na mão), tenho que voltar a São Paulo mais cedo.
Tenho um coquetel na casa de Vera Simão para lançamento da revista.
Gente, quero ir ao Leblon, quero minhas havaianas, açaí do Bibi.
Cabelo sem escova, areia por todo o corpo. Mate da lata.
Esse negócio de glamour girl é só fachada!
E a Vera que me perdoe… Mas ir a festa bacana em casa nos Jardins… Eu não sou target!
Goldman Sachs me salve! Eu sou classe média, mas também sou carente…