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Aqui no Brasil…

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A presidente bate em gays e simpatizantes para manter debaixo dos panos o enriquecimento espetacular (20 milhões de reais em dois meses) do ministro que é quase um Primeiro Ministro.
Hoje, caminhando apressada, passo na porta de uma agência de modelos e…
Pausa.
Sempre que passo por ali, fico com pena das frangotas de pernas longas que vão fantasiadas de moças poderosas mendigar um qualquer para fazer uma foto.
Hoje, enquanto uma se sentava na calçada para tirar o sapato altíssimo de verniz coral com lacinho infantil, outra correu logo para entrar no carro de político com chapa oficial e se mandar (com a nossa grana de impostos) para local não identificado.
O mundo gira…
E os homens não mudam tanto assim.
No almoço de aniversário da amiga, que surpresa: revi uma velha companheira de trabalho que é doente profissional.
Sempre a mesma história: a doença, a força no futuro, a alimentação, a filosofia oriental. Uma lutadora, uma mulher forte.
Num outro almoço, encontrei outra velha conhecida que me contou ter vencido o câncer de seio.
Ela estava ótima, cheia de trabalho, idéias, novidades.
E me contou: há três tipos de doente.
O que enfrenta, o que desiste e o que transforma a vida em doença.
Minha ex-colega não me cumprimentou.
Imagino que meu Estado não seja motivo de comemoração para quem carrega a cruz e a “glória”.

Ayruveda.
A massagem com óleo quente que te deixa tão diferente.
Estudar algo que não tem literatura, não tem explicação, não tem poesia.
Difícil.

Onde me meto eu sei.
Por que é que é problema.

Salvem as crianças levadas

terça-feira, 22 de março de 2011

Foto do saudoso Guinaldo Nicolaevsky

Que falta sinto de casa!

Nesta minha curta aventura, passei um dia no famoso museu de Inhotim, MG.
Realmente, nunca vi nada parecido em minhas andanças pelo mundo.
É surpreendente, lindo, diferente de tudo.
E o jardim vale a visita.
Eu pretendo ir de novo só para curtir os pitacos de Burle Marx com curadoria do Dr. Eduardo G. Gonçalves.
Mais bacana é ver a criançada se jogando com a maior felicidade.
Lá não existe essa coisa formal dos museus tradicionais: quase tudo é permitido e as crianças, pareceu-me, gostam mais de arte conceitual… Aquela coisa maluca de disco de vinil espetado em um cano, sons de chuva, projeções com imagens de galinha morta… Uma Disneylândia e tanto!

Em se falando de crianças, imagina que descubro hoje, 33 anos depois do fato, que minha amiga é a estrela da foto!
Foi no lançamento do Alfa-Romeo em Belo Horizonte. Imagino que foi também lançamento do carro à álcool.

Meu pai, imaginem só, era o vendedor número um da marca na cidade…
Nessa época, com o salário que ganhava, ele tinha cash para comprar um carro novo por mês. Mas não tinha grana para comprar um apartamento (o que só pode fazer uma década depois).
Meu pai tinha o mesmo nome do presidente.

O presidente era filho de um general que foi comandante da Revolução Constitucionalista de 1932 – por isso, a família dele viveu exilada na Argentina entre 32 e 34. E talvez seja, em parte, por isso que tenha tido peito para realizar a abertura política.
A gestão do amante dos cavalos ficou marcada pela grave crise econômica que assolou o mundo, pelo segundo choque do petróleo em 1979, a disparada da inflação, que passou de 45% ao mês para 230% ao longo de seis anos (isso explica em parte as finanças malucas do de meu pai), e com a dívida externa crescente no Brasil, que pela primeira vez rompeu a marca dos 100 bilhões de dólares, o que levou o governo a recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em 1982.
Se você, criança feliz de museu, não viveu em época de inflação, abra o olho. Porque Líbia e mundo árabe em crise e presidente-apresentador de circo americano vindo aqui não podem ser coisa boa…

Mas o que interessa mesmo é que Rachel Clemens não se curvou ao poder do General-Presidente.
E a família dela teve que se explicar com a turma do SNI.

E vocês imaginam que, na minha família, ainda tem gente que chama o golpe de “revolução”?
Estranho mundo esse de quem nasceu no século XX.

PS: Justiça seja feita: Figueiredo não passou a faixa a Sarney porque o considerava um impostor, afinal, era um vice que deu sorte grande e, se fosse honesto, teria convocado novas eleições.