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Latas de sardinhas raras

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Um dia inteiro sozinha perambulando por Nova York.
Gosto muito.

Ida e volta 49 East com Lexington a 18 West com 7th.
Parada estratégica para um cigarro imaginário.
Parada fina para comprar aquele trench coat inglês – nada de cáqui para quem precisa de protetor solar 50.

Como vestimenta é cultura, vamos lá.
A invenção très-elegante foi popularizada quando passou a ser uniforme alternativo de soldados franceses e ingleses que lutaram na Primeira Guerra Mundial.
A marca Aquascutum diz que já havia inventado o casaco bem antes, em 1850.
Thomas Burberry, o inventor do gabardine, desenhou o casaco para as tropas da Grã Bretanha em 1901. Quem ganhou dinheiro com a brincadeira todo mundo sabe…

(Pausa: Ana Pessoa teve uma versão nacional cor de gelo que usava apenas com botas altas marrons e era chamada de espiã russa por William Waack.
Agora tem uma preta clássica “double breasted” com cobertura de lã removível.
Imagina a máscara.)

Esta semana foi uma coisa DH reprimida pelo contexto.
Com o cabelo neo-curto, meus infalíveis óculos de abelhão tiveram que ser aposentados.
Depois de muito procurar, acabei no clássico rock’n roll RayBan Wayfare (que não combinava nada com meu antigo “eu”).
Coloquei minha calça jeans com bainha dobradinha, amarrei o que me restou de cabelo num rabicó, vesti meu casaco de de couro à la Marlon Brando e meu novo trench coat por cima.
Luvas de couro forradas de legítimo cashmere e e saí por aí com cara de moça levada, punk e um tanto rockabilly.
O próprio negativo da Debbie Harry nos bons tempos.
A-do-ro!

Foto tirada o CBGBs

Depois de sair por aí e ter que parar para contar onde comprei algumas peças de roupa para os locais, baldes de água geladíssima.
Embarquei na pobreza de uma classe econômica, banquetinha 18K, acompanhada de crianças aos berros, baianos idem (por motivos distintos), paulistas que compraram cachorro de madame e trouxeram na aeronave, bichas com jeans apertados e toda a fauna que vai para os Estados Unidos e volta com 4 malas de muamba.

Velha de guerra, trouxe uma mala apenas com algumas novidades.
Lembra do espremedor de limão da Alessi assinado por um então-quase-conhecido Philippe Starck?
Um iPad para saciar meu vício.
Uma câmera nova para usar com minhas lentes velhas.
Sapatos.
E claro, como é de praxe, fui mandada para o raio-X pela delegada da PF.
É regra comigo: quando a polícia veste saia, eu pago onda de bandida.

O mesmo moço simpático de sempre bate uma chapa dos meus pertences, manda um charme e tchau. Sem taxas, sem culpa.

Chegando em casa, cama. Acordei de ressaca e ainda com sono depois do meio dia.
De tarde, salão de beleza.
Até um roqueiro do CBGBs tem direito a um visual mais caprichado – e o meu precisava de lanternagem completa.

Em tempo, a atriz Kirsten Dunst nunca saberia interpretar Debbie Harry…

Tirando tanto lugar comum, hoje cedo saí do avião me sentindo o Freddie Mercury de blusinha cor-de-rosa e ainda passando aspirador de pó.
Fim de carreira para quem tem coração de vidro, Ana Pessoa.


França, América, cigarros e algo mais

sábado, 21 de novembro de 2009
Auto retrato em momento abstrato

Autoretrato em momento abstrato

Paris, para mim, é a capital que mais fuma no mundo ocidental.
Mas, no metrô, cartaz com menção a fumo é proibido.
O cachimbo fumado por Monsieur Hulot (de Jacques Tati) foi substituído por um cata-vento.
O poster do filme “Coco antes de Chanel” foi retirado porque a protagonista segurava um cigarro.
Agora é a vez de “Gainsbourg, vie héroïque”. E olha que o cantor só aparece soltando fumaça vermelha pela boca.

Talvez Paris seja apenas a mais bela das capitais hipócritas do mundo ocidental.

Por aqui, uma coisa tem me deixado incomodada.
Buzinas. No trânsito, fazer barulho parece fazer parte das regras de etiqueta.
E outra coisa intrigante: poetas-pop mortos estão em alta.
Queen, Andy… Morreu? Tá vivo!

Eu fui ver (engraçado ver as mesmas obras em três museus diferentes, em três países distintos) uma exposição de Andy Warhol. Como tenho síndrome do coelho de Alice, perco alguns detalhes. E isso tem vantagens: a desculpa de sempre descobrir algo novo – mesmo vendo as mesmas coisas. Pois bem, além da fixação pelo prateado e (a declarada) por grana, Andy tinha boas sacadas – muito além dos quinze minutos de fama.
Uma é ideal para este espaço:

Fantasy love is much better than reality love. Never doing it is very exciting. The most exciting attractions are between two opposites that never meet.”

Num encontro que já começa a ficar tradicional (esta é minha quarta reunião) com aposentados da indústria cinematográfica local – na também tradicional pizzaria Güerrín (fundada em 1932), conversas de anos passados. Da “generosidade” e da “alegria” do Brasil. Da “empáfia” americana. Cervejas para uns, vinho para outros, e excesso de Genebra para os que estão dando passos largos. Comi meus dois pedaços, mas desta vez não fui até o Café Ouro Preto. Tradição em excesso.

CSC_0081Um bom lugar, com jazz, chás, calma e bolinhos. Magendie.
Uma merceraria perdida na Honduras. Quero passar algumas horas por lá. Ainda mais agora, com essa chuva quente na minha janela.

Na casa de luminárias (sim, nós “alumiamos” a leitura com acrílico transparente que imita linhas clássicas com muito humor), um argentino que morou em Minas, Rio, São Paulo e Fortaleza. Preferiu Fortaleza. Hoje fornece material para hotéis.
Por que assim é a vida.
Os pés aqui com a cabeça voando.
E um punhado de dinheiro para nos enforcar.

Mas esse post não tem álcool, não tem melancolia.
Ele está caminhando por aí.
Ele vê a vida dos outros.
E não atende telefone de manhã.

Eu queria fazer um poster com cara de classificados.

“Procura-se.
Não precisa tomar banho nem pagar contas.
Experiência em bipolaridade comprovada.
Falar línguas estrangeiras e escrever sem consultar dicionários será considerado um diferencial.
Comer pouco.
Ouvir muito.
Beber apenas o suficiente.
Não é necessária fidelidade.
Momentos sombrios, guarde-os para si. Ou publique o que for pior.
Recompensa-se bem”

DSC_0001

Sem pente. Em momento Thai.