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Quando não evoluímos

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Eu tenho visto essa série de propagandas e, cada vez que essas humoristas aparecem em minha telinha, xingo um palavrão sem depilação.
Para mim, publicitário é tudo, menos bobo.
Afinal, tem que ter um certo talento para fazer o cliente pagar e aprovar pelos devaneios da criação.

Como mulher com um toque declarado de misandria, detestei essa propaganda.
Que coisa sexista, atrasada, estúpida.
Mulher evoluída é aquela que ataca o sexo oposto?
Mulher evoluída acha que homem tem que fazer faxina?

Em tempos de grana curta e empregada doméstica virando profissão em extinção, pensei que um produto de limpeza viesse para facilitar a vida de homens e mulheres que não têm tempo nem paciência para uma faxinão da dona Maria…
Ledo engano: produto de limpeza serve é para esculhambar as questões de gênero.

Para mim, as mulheres confundiram tudo quando tentaram ser… Homens!
Quiseram trabalhar mais e melhor, colocaram a prótese peniana na mesa e excluíram os homens do jogo.
Os homens, por sua vez, ficaram fazendo aquele papel de PSDB: depois de curtirem o poder, perderam a mão.
Não se posicionaram e viram uma parte do eleitorado debandar…

Estes novos comerciais mostram que queimar soutiens foi uma tremenda besteira.
O lance é botar uns contra os outros.
E, se você for gay ou simpatizante, tem tudo para fazer a turma hétero comer poeira enquanto se engalfinha na rinha do nosso quintal.

Apertem os cintos, a guerra dos sexos vai aparecer em versão reloaded em tamanho P, M, G, XG.

Buscando um papel

segunda-feira, 28 de março de 2011

Ultimamente tenho me ligado em questões de gênero.
Talvez seja a idade.
Mas não posso deixar de defender um ponto: homens e mulheres andam perdidos, perdidos.

As mulheres, com soutiens em chamas e peitos despencando, decidiram dar uma banana para os homens.
E nenhuma, nenhuma mesmo, liga muito para o fato de não ter ganhos equiparados aos deles.
A questão é poder fazer tudo o que eles fazem e mais: ainda serem mães deles e dos filhos. Tudo?
Eles, encolhidos na perda do papel de provedores alfa, ficam na defesa.
E reclamam, pois não conseguem adivinhar o que mais elas querem.
Antes, era só um puxão de cabelo e uma penca de filhos.
Depois, houve a fase Liz Taylor: jóias, viagens, uma casa no campo.
Hoje ela puxa o cabelo, dá carro e ainda manda que ele lave a louça. Pode?
No fundo, creia em mim, elas querem ser mulherzinhas.
E eles, machinhos dominantes.

É um círculo vicioso.
Elas mudam o mundo, comem a vida pelas bordas, eles se encolhem, ficam perdidos, gritam, e ninguém se entende muito bem.

Hoje, numa daquelas conversas que pintam de quando em vez, o moço contou que está trabalhando loucamente e que a mulher, com filhos de 3 e 1 ano, deixou a profissão para virar mãe em período integral.
Não conheço o moço e nem tive interesse em me aprofundar em assunto tão íntimo, mas ficou no ar aquela sensação de que eles sabem que perderam o equilíbrio e que andam arriscando muitas coisas numa corda bamba.
Eu, particularmente, não quero falar da minha vida pessoal.
Só devo dizer que é muto difícil ser mulher moderna. Homem então…

Essa sensação falsa de autosuficiência não cola.
A gente é bicho. Vive em comunidade. Temos hábitos sociais. Precisamos do outro.

Eu ando com uma pulga atrás da orelha.
E ela, doutoranda em Lewis Caroll, vive gritando:
“-É tarde, é tarde… É tarde, é tarde, é tarde.”