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Se Inês é morta, resta-nos o Leite

domingo, 11 de dezembro de 2011

Pedro e Inês

Doida mesmo foi Inês que, de aia da primeira dama, acabou virando amante do infante que viria a ser rei.
A crítica ácida da plebe hipócrita, o rei que não aprovava, o exílio – nada foi capaz de acabar com a história.

D. Inês, que era belíssima, foi tendo filhos de D. Pedro I: Afonso em 1346, João em 1349, Dinis em 1354 e Beatriz em 1347.
O amor era profundo e a publicidade tão descarada que, em 1355, o rei D. Afonso IV mandou que cortassem a cabeça da mãe de seus próprios netos.
Segundo a lenda, as lágrimas derramadas no rio Mondego pela morte de Inês formaram a Fonte dos Amores da Quinta das Lágrimas.

D. Pedro I tornou-se o oitavo rei de Portugal em 1357.
Três anos depois assinou a declaração de Cantanhede, legitimando os filhos ao afirmar que se tinha casado secretamente com D. Inês.
Mandou matar os algozes de seu amor  (arrancaram o coração de um deles pelo peito e do outro, pelas costas) e fez com que o povo beijasse a mão do cadáver da rainha.
Quando morreu, foi enterrado ao lado de Inês.

E eis que o Leite, antigo e cheio de histórias, criou uma sobremesa bem luso-brasileira: queijo (de coalho) com goiabada (derretida). O restaurante batizou a deliciosa combinação de Pedro e Inês.

Eu, vampira tropical, fugindo do sol em dia que é quase carnaval, entendi de cara que amor é assim: quase impossível e absolutamente perigoso.