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Transparência

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Começo a semana com uma frase divertidíssima de Ibraim Sued: “Os cães ladram e a caravana passa”.
E é com ela que me levanto depois de uma semana com espírito de poodle histérico…
Engraçado como as palavras voam e tomam direções inesperadas.
Há quem tenha tido a impressão de que estivesse perdida.
Estou mais é achada.
E isso é um processo caro, leitor.

Enquanto pulo de head hunter em head hunter (semana passada, três a zero para eles), resolvi fazer o que faria se tivesse ganhado na loteria.
Ler!

E estou relendo coisas de que gosto…
Minha pequena biblioteca é bem organizada e variada.
Para quem se procura, por que não Raízes do Brasil?

Sérgio Buarque de Holanda, fazendo alusão ao conflito de Antígona e Creonte (e a crise de adaptação dos indivíduos ao mecanismo social), chega ao homem cordial.
Segundo Sérgio, “nossa forma ordinária de convívio social é, no fundo, justamente o contrário da polidez”.
Nosso personalismo que sobrepõe-se ao coletivo e passa por cima de leis e convicções faz uma boa figura, pois queremos logo ser íntimos. Nada de sobrenomes ou processos naturais, burocráticos e hierarquizados.
Nós, brasileiros, vamos logo “ficando da família” e dando opinião onde não somos chamados.
Nós nos atropelamos enquanto povo para fazer valer o “eu”.

Talvez hoje, depois de mestrado, especialização e muito trabalho suado, eu entenda melhor esse “ser brasileiro”.
Essa vontade vã de nos satisfazer acima de tudo.
Acima do próprio trabalho, acima do Estado.
Ter prazer pelo prazer.
Pela sensação doce de estar aqui, agora, e dane-se o amanhã.

Talvez você entenda o meu ar às vezes sombrio porque, justamente, eu decidi saborear a caminhada.
Eu abdiquei do falso brilhante.
Eu sei que meus sobrenomes Globo, Cyrela, RedBull e tantos outros me “aproximaram” de muita gente interessante.
Mas o caminho que estou buscando é mais longo e de passos curtos.
Das boas maneiras que nos tornam íntimos e, ao mesmo tempo, senhores e escravos ao trabalho suado que contribua para algo que vá além de mim, de Paris, de Nova York e de minhas viagens incríveis.
Uma construção de algo que envolva os outros e que se sustente por si.
Um trabalho bem feito e só.
Não falo de trabalho social.
Falo de ter um apego diferente ao trabalho do dia a dia que nos dá o pão.

Enfim, fez-se a luz. 
Contrariando o Gênesis, não foi no primeiro dia. Demorei 35 anos