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Sobre a(s) derrota (s)

sábado, 4 de agosto de 2012

Pow

Aqui nos trópicos a moçada enche a cara de bolinha, é punida, volta para casa e não sabe o porquê.
Atleta campeã de tudo não passa da primeira fase e coloca a culpa no vento.
Nadador de ponta perde e diz que a gritaria da torcida teve a ver com a história…

Ganhar, ganhar, ganhar.
Somos tão pequenos assim?
O resolvemos virar adeptos da filosofia do Tio Sam?

Sou mesmo fã das disputas, das batalhas, da pegada de quimono.

Gosto do gosto de sangue na boca.
Da unha quebrada.
Do salto todo marcado de calçada portuguesa.
(perdoem-me os puritanos)
Mas a transa inesperada… é melhor.

Gosto de me endividar e sofrer com o prazer enorme de algumas horas em detrimento da tormenta de anos com um boleto que vence no dia 10 do mês.
Gosto de ficar feliz por ter que viajar a trabalho.
De subir na balança e ver o ponteiro subindo. Fazer o quê?
De ficar bêbada com qualquer coisa que cheire a álcool.
De gastar uma fortuna na manicure (que cobra 40 reais).

Ah…
Os lindos de olhos azuis e a medalha de ouro que me perdoem.
Mas eu gosto mesmo é de pé rapado que me leva para copo sujo.
Vira-lata.
Rasteira.
Que fala palavrão.

Eu perco muito. Repetidas vezes.
Fazer o quê?

…”solidão cuja forma final é um confronto com a própria mortalidade”.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

amiga do peito

Aqui no único minuto de silêncio, espero pelo próximo da noite seguinte.

Essa invasão de corpo, de casa, de tudo o que me guardava em mim mexeu muito mais do que hormônios e do que toda essa história de “continuidade “.

Aqui nesse canto fugaz e soturno, meu rabicho de segurança se esvai.
E fico sentada com pernas cruzadas pensando em como me esconder debaixo da mesa.

Enquanto as alegrias falsas correm como rio que deságua em Tietês e Capibaribes, penso nas verdades que nunca ninguém quer ouvir.
Ou dizer.
Que tudo é apenas isso e que não há mágica ou momento eternizado.

A vida pequena nas coisas grandes, médias, minúsculas.
E os riachinhos que não terminam em lugar nenhum.
Água pura e cristalina sem sentido ou direção.

Nunca tive medo de escuro.
É o claro que me assombra.

A tal da lei da relatividade

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Tenho lido na web “recados” interessantes de amigos e conhecidos.
Uns não acreditam em amor “moderno”, outros anunciam casamento, a foto do filho, mortes e festas.
Fotos sensuais, opinião sobre a presidente do Brasil, viagens a Ibiza, Saint Tropez e muito mais.

Mas, McLuhan, se o meio é a mensagem, a mensagem em si é uma redundância?
Estamos aí para colocar a vida em pratos limpos?
Ou para tecer uma novela particular?
Para falar que o trabalho anda chato, que aquele colega é um imbecil, para mostrar para o ex que, sim, vamos bem, bebendo todas e ainda viajando pacas?
Para mostrar o que comemos, quanto malhamos, a pré-estréia que assistimos?

Eu acho mesmo que estamos muito carentes.
Que queríamos mais festa, mais beijo, mais gente.
Ou estamos doentes?
Essa muleta aqui é cachaça pura.

Aqui, as melhores fotos, as festas mais badaladas, os murmúrios que dão margens a comentários.
Aqui, o lindo, o bacana, o inusitado.
Da tela para fora, uma vidinha mais ou menos, uma pancinha, uma dor de cotovelo.
Uma deprê basiquinha.
Um aperto para pagar a conta.
Uma cafonice, querida, nem te conto.
Uma espinha na ponta do nariz.

Então, façamos um pacto.
Eu continuo escrevendo a dor e a delícia de ser uma anônima na multidão e você toma um chopp comigo qualquer dia desses?

Think outside of the box