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Banzo brasileiro

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Por que escrevo?
Não sei.
Pois não tenho ganas de ser lida, mas o faço em público.
Não quero livros, não quero apoio, reconhecimento, nada.
Não sei “me” explicar. Contente-se.

Desde minha pausa forçada, os (poucos) leitores minguaram.
Na rede é assim, sem constância, sem ninguém.
O mais interessante é que, sem alegria, mais ninguém.
Desde que o mundo é mundo, ganham os alegres, os belos, perdem os tímidos, os tristes.
Com alguns anos de atraso, talvez ganhem – postumamente – os melancólicos.

E o que fazer?
Ter mais de 30 e quase 40.
Minha empolgação de sair dos 20 se refletiu em tantas questões.
Não ser mais uma metralhadora sem mira.
Ser apenas mais alguém – e satisfeita e em ter apenas isto como meta.
Agora, com quase 40, reviravoltas com atraso.
E uma contagem das perdas.
Do viço, dos parentes, dos trabalhos com sobrenome, da vontade de parecer que tudo está sempre bem.

Não diria “êxtase”.
Mas contentamento.
Saber o que se é.
Esperar mais e contentar-se com muito menos.
Ser o que se é.

E acordar nesta segunda-feira com banzo.
Banzo de quem deu uma volta maluca para descobrir que não queria ter saido do lugar.

Ao mundo

terça-feira, 2 de agosto de 2011

desconheço

Um mês em sintonia variada.
Acomodados, somos.
Em diferentes terras, mimetizamos.
De volta a casa, não me reconheci.
Com tudo do avesso, inventei.
E Ana se perdeu para todo o sempre em Ana (qual delas?).

Por aí, comi novos sabores, diferentes caminhadas.
Por aqui, mudei tudo de novo para inventar uma casa.
Sairam funcionários, novas gentes.
E fiquei pensando em como somos descartáveis.
Embora não queiramos.
Amores, trabalhos, histórias – nada é perene.

Agora, sozinha em uma tarde, enrolo.
Não trabalho.
Não faço nada.
Fico sentada esperando a poeira trocar de lugar.
E tudo o que foi marcado, acertado, combinado…
Ah… deixa tudo para outro dia.