Posts com a Tag ‘Regina Shakti’

Confete e serpentina

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Decidido. Este ano não tem carnaval.

Não precisa ficar chateado e nem brigar com o prefeito do Rio de Janeiro – que deixa a cidade virar um banheiro público (e cria uma lei para punir o folião). Não precisa se preocupar com o dinheiro perdido em sua fantasia de odalisca, comprada em 10 prestações no Saara. Nem precisa ficar chateado porque já tinha comprado 3 engradados de cerveja e uma nova roupa de banho para desfilar a pança (essa não é nova!) em Ipanema. Se você este ano inovou e comprou ingresso para ver a Sabrina rebolando como passista da Gaviões, nada de pânico. Se você já fez a reserva de plumas na Casa Turuna só para marcar presença na padoca, tudo certo. Baile do Copa, com a turma que tem mais de 80?

Vai fazer calor, vai ter cerveja, blocos e sujeira na rua. Vai ter gente que sai no domingo e só volta na quarta-feira de cinzas. Vai ter bêbado e vai ter fantasia. Vai ter confete e serpentina. E vão haver histórias secretas de carnaval. Como a do avô que cismou de usar a anágua da tia para ir para a praia.

Mas esta foliã anônima, completamente montada e sóbria às 9h da manhã não vai estar em nenhum quadro de Dali. Nada de make up profissional, nada de meia arrastão. Este ano vou radicalizar.

Já perdi a conta das fantasias campeãs: com 4 anos de idade, lá estou na foto de família, de pirata com direito a tapa-olho e sapatilha dourada. Na de 2 anos, sou uma baiana com muitos colares de contas e uma salada de frutas na cabeça. Foto feita pelo Gerson, o tio doido que uma vez convocou todo mundo para destruir um bolo de aniversário com as mãos. Aquele que usava um brinco falso para deixar meu avô desconcertado. O tio que morreu fumando um cigarrinho enquanto fazia hemodiálise. Humor negro era com ele.carnaval
No baile do interior, aos 5 anos, havaiana do pão de queijo. Aos seis, passei uma semana na fazenda vestida de mulher-maravilha… Na hora do baile, era a mulher-maravilha com sandálias sujas de barro e bicho-de-pé. Aos 12 anos, misto de bruxa com Nina Hagen. Gene Simmons. Palhaço. A minha predileta é de melindrosa contemporânea – algo de franja, algo de bruxa, tudo dark. Tutu preto, meia arrastão, top Vivienne Westwood legítimo e cabelos presos com muitas plumas para suportar o calor com charme, para não reclamar ao levar os esguichos de água, espuma, e cerveja. Maquiagem a prova d´água alemã – mais cara do que todo meu arsenal do dia-a-dia. Porque carnaval exige planejamento, investimento e muito alumbramento.

Sem confete e sem serpentina. Sem sombra com purpurina. Sem pluma e sem flor artificial.

Novos tempos, novas invencionices.
Vou para um ashram.
Vou dormir cedo, acordar cedo.
Vou relembrar que um dia fiz yoga. (Minha pança e meus bracinhos que se cuidem)
Vou tomar chá, passar a tarde aprendendo a meditar e a não falar.
Marquei duas massagens e até um negócio diferente: quirologia.
Olha o que me diz o email de confirmação do lugar:
“Recomendamos que você acorde cedo, aproveite os banhos de água mineral e participe de todas as atividades.
Mantenha o bom astral e aproveite a sua estadia!”

Isso sim é provação ou provocação…
Mas eu decidi: em 2010 tenho umas coisas internas para resolver.
E não dá para ficar no meu natural ritmo de F-1 para desatar esses nós.
Com esse tratamento de choque (que um dia adorei), talvez eu me obrigue a desarrumar tudo lá dentro.
E como uma decoração nova me encanta.

Detalhes do mundo mundano: pagamento em 3 vezes no cheque.
E fantasia de yogini.
Tem algo de meu aí.
(Risos)