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A vida que não me dei

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Da ressaca pós-eleitoral veio a inspiracão.
Nossos suspiros são sobre a vida que poderíamos ter tido.
Sobre as promessas não cumpridas, não realizadas.
Sobre nosso auto-engano.
Sobre acreditar que tudo poderia ter dado certo.
Mesmo insistindo várias vezes em fazer tudo torto.

Da vida que vi lá atrás e que nada tem com a de hoje.
Das noites mal dormidas.
Dos gastos estapafúrdios.
Das idas e voltas, das despedidas.
Da coragem de deixar para trás.

Os candidatos tiram de nós o retrato.
Hoje parei o carro em plena avenida para uma ratazana passar.
Ela estava confusa, provavelmente louca de veneno.
Mas parou. Saiu debaixo do carro que estava a minha frente.
Parou.
Olhou.
Viu que não era a sua hora.
E sumiu pelo jardim do acostamento.
Um pedestre gritou.

Eu acelerei de novo.
Pensando nos caminhos, repisando a calçada portuguesa.
Ansiando por minha solidão benvinda – tão atacada, vilipendiada.
Pensando em tudo o que poderia ter sido.

Eu sabia que seria assim.
Mas me enganei muito bem.
Parabéns.
Palmas para a ressaca moral.

Em dias de ressaca,

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

tome um café amargo e siga em frente.

Nas manchetes, além de mensalão, Sarney e outros quitutes, o cardápio é variado:
– Polícia conclui que mãe matou duas filhas;
– Mãe e filho são achados mortos em prédio;
– Casal é morto e crianças são abandonadas;
– Chacina deixa 6 mortos e 1 ferido em SP;
– Homem morre atropelado ao fugir de ladrões e o corpo antinge e mata outro motorista.

Acordei com gosto de cabo de guarda-chuva na boca.
Cabeça pesada como pedra no alto da montanha.
País de m.
Eleitores de m.
Tudo m. m. m.
Daí que pensei que meu humor irônico não pode morrer.
Pois já está tudo morrendo mesmo.
Ele há de se salvar.
Rir do bigode do Sarney, do saldo da minha conta bancária, rir dos fornecedores que, como ratos, tentam te levar uns nacos.
Rir da chuva, do sol, rir.
E continuar a chutar a cachorrada.
Hoje mesmo fiz uma croniqueta.
Segue:

Era uma vez uma viúva alegre.
Saltitava de peitos novos pelo bosque quando encontrou uma amiga.
A amiga, emburrada, não saltitava, urrava.
Tentava, desesperada, se fazer ouvir ao celular.
Do outro lado da linha, a atendente de telemarketing.
– Lalalalalá.
A viúva achou muita graça de tudo e foi celebrar no bar.
Lá encontrou um moço rico e ficaram muito amigos.
Ela ganhou carro novo, celular e computador.
E todo ano, caso não faça chuva, ela leva mantimentos para o Lar dos Meninos Pobres.

Moral da história: quem pula com peitos de silicone vai mais longe.
Patrocínio: Petrobrás.
Apoio: Lei Rouanet.

Fim.

Era uma vez um país.

Ouvidos

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Para não ter que ouvir nada, nada, nada.
Pernas para correr.
Para virar esquinas.
Pulmões para não gritar.
Boca para aspirar todo o ar.

Mar, oceano, chuva.

Ressaca.
Sem álcool.
Cem noites.

Vento…

zen zun água

 

Nova geração

sábado, 22 de maio de 2010

Estamos com ela na cabeça.
Num focus group nada científico, tudo me impressionou: a pontualidade, a opinião ponderada, a assertividade, a fé, o medo do que vai ser.
A crítica fundamentada – que derruba muita percepção fácil de que a publicidade engana a todos. Eles associam marcas a desejos, mas não são bobos. Não venha com essa de que é só misturar tudo com um sorriso ou um visual esportivo que eles engolem… Eles não engolem.
A gente fica achando que essa geração Y é isso ou aquilo… Olha, pode ser que a primeira leva seja mesmo despreparada para a elegância. Mas a última leva é a própria redenção.
Que garotada bacana e que fé no futuro! Vai ver, já são Z!

Hoje, rodando por aí sem um pingo de culpa na carteira, pensei para onde vamos todos: eu, você, a geração X, a Y e a Z. Eu volto para o caminho da felicidade, com o rabinho abanando em busca de um “dono”.
Já estou montando uma agenda incrível: yoga, aulas de francês (particulares – para eu pegar esses verbos pelo pescoço), dois, três almoços, trabalho só depois de tudo isso.
Encomendei aquela bota-sandália Balenciaga que tanto me encanta. A chique da minha personal vai para Paris, meu bem! E eu vou personalizar com o marido dela – sem segundas intenções porque a moça aqui não é de vida dupla.
Também fui olhar uma casa. Por que não?
Os desempregados também amam! E consomem e sonham e tudo o mais.
Quero achar tempo para escrever – sua corporação tem medo do meu blog? 
Ai que delícia é começar e recomeçar e ter fé.

Momentos antes da ressacaFina ironia