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Pula, meu povo, pula

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Fale em voz altaAbro com a frase de um polêmico muito já desprezado por mim.

“They say: Think twice before you jump. I say: Jump first and then think as much as you want!”

Osho, Courage: The Joy of Living Dangerously

Em minha nova vida, tenho conhecido mais e mais gente.
A sensação que tenho é que virei (ou voltei a ser?) um grande ímã do universo.

Durante 16 anos eu tive a oportunidade de viver em devoção.
Não sou fácil e não foi sempre um mar de flores.
Mas foi uma história do ontem e do amanhã. Uma grande história de amor.
E gratidão é pouco para o que pude viver.

Agora, eu tenho a oportunidade de viver uma segunda vida em vida.
Eu grito para o Universo – e ele responde. Responde rápido – ele é dos meus.
Eu ganhei meus mantras pessoais.
Eu ganhei um corpo completamente diferente de tudo o que ele já foi.
É como se eu tivesse parido às avessas: pari a mim mesma, e, por isto, surgi mais esguia.

E sobre as pessoas: elas têm vindo mais e mais e mais.
De todos os jeitos: com problemas sérios para que eu as ajude.
Com projetos mirabolantes.
Com propostas indecentes.
Com amor. Amor demais. Um rio. Um mar.

E todo dia, em especial de manhã, quando estou fazendo os primeiros mantras com o nascer do sol, a sensação que eu tenho é de total comunhão com o universo.
E quanto mais alto eu falo, mais ele dá. E mais ele me pede para que  eu faça.
Ele me dá certeza de coisas que ainda nem se realizaram.
Ele me oferece o impensado.

E eu sinto o fluxo.
Eu me sinto Ana com tanta força.
Tudo ao mesmo tempo agora.
Yoga, bicicleta, trabalho.
Amigos fiéis.
Alegria.

Eu durmo pouco.
É muito pouco dia para tanta gratidão.

Namastê.

Para André Zilar e Gê Fujii

Em ação?

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Cara de "tô no cheque especial"

…daí que eu me pego fazendo as malas mais uma vez.
Cansada do quadro político atual, raspando o cofre para mudar para a casa nova – e arrependida por ter feito isto. Sem grana, de novo.
Cancelei meu hotel cinco estrelas e vou ficar em casa de amigos.
O carro quebrou. R$6 mil para arrumar.
Tento nem pensar na Síria, no festival de Veneza.
Penso que tenho que ir ao banco, transformar os dólares em reais para tampar os buracos.
Mandei email para a gerente assuntando um empréstimo.
Vai que…
Penso que preciso trabalhar mais para ganhar mais e juntar dinheiro de novo.
Daí que queria mesmo ir a Marte.
Sem contas, sem ter que sair da nave, alternando o dia entre a internet – para saber o que rola na Terra – e algumas músicas. Talvez alguns abdominais e uma corrida parada.
Tenho ouvido dois pops: Jack Johnson (por que ele é bonzinho e tem clips engraçadinhos no Havaí) e John Mayer (porque ele não é bonzinho – como eu -, mas tomou tanta porrada que agora quer ser).
Deixei os clássicos.
Comprei biografias – não romances.
Tenho ficado muito interessada na vida real.
Meu corpo voltou ao que era antes.
E está até mais forte, musculoso.
Foram 3 anos de calça que não cabe.
Esta coisa de você se olhar no espelho e não se reconhecer.
… daí que tenho que pegar um vôo para o Rio.
Durante 4 dias vou fazer caras e bocas, ficar por dentro do que rola de up no mercado, ver meu jornal na mão de todos os que interessam.
Tenho um encontro hoje com velhas amigas.
Uma festona no sábado.
Almoços, jantares.
Passei dois dias sem fazer ginástica e usando camisola a maior parte do tempo.
Estou preparando a mente para fazer bem o papel.
Aquele livro do Stanislavski mudou minha vida.
Porque – lá vem o chavão – todos somos atores em tempo integral.
Representamos o que queremos ser, ou o que gostaríamos que fóssemos.
E nem todos têm talento para subir ao palco.

“Esqueça de tudo, deixe fluir, mas lembrem-se: isto pode acontecer algumas vezes em sua carreira, ou mesmo nunca. O que existe é técnica. Todo o resto depende da forma (particular) com que você atua.”

Constantin Siergueieivitch Alexeiev (vulgo Stanislavski)

Romaria

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

 Estou eu no prédio embolsado pelo Lalau quando vejo as imagens da Síria.

Todo tipo de gente morta pelo governo. Crianças, adultos, jovens, velhos.
Um avião descarregou o gás da morte sobre Damasco.
O governo desconversa.
A ONU, para variar, nada faz, só fala.
Corpos acinzentados espalhados pelo chão.
Sem feridas.
Todos os mil e trezentos mortos.

No Egito, um bundalelê.
Dona Morte anda dançando cancan sem parar.
Hosni Mubarak vai ser colocado sob prisão domiciliar.
Aumenta o som.

O porteiro, desta vez, levou a pior.
Eu tenho que fazer milagre até sexta-feira.
Dólar a 2,45.
Minha tosse agora é lenta: fica 10, 15 minutos sem parar.
A casa nova saindo do forno.
Grana para cortina, arandela, mesa, sofá.

As imagens das crianças acinzentadas, enroladas em panos como bonecas russas.
Minha cabeça gira.
Atravesso o rio.
Os faróis parecem uma grande procissão.

Ando meio sem ar.
Talvez pneumonia.
Ou uma sensação de últimos dias.

Ouvidos

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Para não ter que ouvir nada, nada, nada.
Pernas para correr.
Para virar esquinas.
Pulmões para não gritar.
Boca para aspirar todo o ar.

Mar, oceano, chuva.

Ressaca.
Sem álcool.
Cem noites.

Vento…

zen zun água

 

Ando (sempre) virada

sábado, 29 de dezembro de 2012

Durmo pouco, escrevo nada – penso em mil textos e deixo o vento levá-los sem publicar.
Vejo o agito do Rio.
O calor das Minas.
As chuvas em São Paulo.
Ando vermelha nas costas.
Muito banho de mar.
Com gritinhos para espantar o gelo desta água imunda que tanto me inunda.

Ontem entornei um Vouvray.
Eu consigo.
Penso em besteira.
Ainda.

Comprei sapatinhos de cristal para o ano que chega.
Vestidinho cor de champagne.
Vou, babe, perambular pelo Leblon perdida.
Vou de salto e bicicleta me desencontrar em Copacabana.

Desejo o fim das coisas.
Despejo o preto mais escuro.
Copacabada.
Copassambada.

Babe, ando imaginando coisas impossíveis com você.
Quero tudo transfigurado.
Posso tomar mais um gole…
Aí já viu.

Ano que chega, prepare-se.
Eu não te prometo nada.
2012, tranquilinho.
Você ainda dá um caldo.

De salto e bike.
Não duvide.

Mordo, corto, corro e grito

Éramos quantos e outras estórias

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Uma festa em um dezembro que não existe mais

Éramos dois.
Eu na estrada.
Feito balão de gás hélio, solta, subindo, subindo, subindo.
Viramos três. Eu na estrada, eles em casa.
Viramos quatro.
Durante um curto período de tempo, fomos cinco.
Dois viajantes sem rumo, três caseiros encantandos entre si.
Voltamos a quatro.
Rio e suas aventuras.
Eu virando outra pessoa.
Eles aprendendo a fugir.
Adicionamos um carioca à conta.
E deixamos um rastro de baixo Gávea, Cine Íris, Largo de São Francisco.
Algo de Santa Teresa.
Cinco e um destino.
Viramos seis.
Aos poucos o tempo foi se esgotando.
De seis voltamos a quatro.
Cinco.
Seis.
Cinco de novo.

Somos cinco.
Flanando, partindo e chegando.
Somos assim.
Sem rumo – com múltiplos objetivos.
Casa cubana – ora gritam, ora cantam. Dançam.
Ora choram.
Ora berram.

Somos cinco e, agora, ponto.
Pronto.

Capítulo Quatorze e meio

segunda-feira, 7 de maio de 2012

so so

Começou com um espumante barato no hotel – tudo bem, qualquer coisa servia.
Mais tarde, um casal perguntou se os assentos estavam livres.
Meia-idade, sem filhos.
Outro casal se sentou ao lado deles.
Chamaram uma dupla de amigos.
Os copos não ficaram vazios.
As histórias virando tranças.
Ela, no Rio.
Ele, Florianópolis.
Com uma filha de nove anos.
Sem filhos.
Mudar de vida.
Segundo casamento.
Uisque.
A seleção de futebol alta de maconha em plena Jamaica nos anos 80.
Teve aquela da festa na Locanda della Mimosa.
De repente, todos no salão.
New York, New York.
De lá até chegar ao Rap das Armas foram camisas amassadas, alguns cacos de vidro no chão.
Aquele casal de gringos não saiu da pista.
MC Hammer.
Docinhos caseiros.
Café.
Remédio para proteger o estômago.
Meu Louboutin fico preso no pier.
Lá se foram 800 dólares.
Espumante.
Uma lua absurda.
No dia seguinte, todos muito comportados na areia.
Abraços protocolares no aeroporto.
Como se o mundo não existisse fora do salão.
Florianópolis.
Rio.
Nova York.
São Paulo.

Quedas e quedas

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Foco

 

 

No Rio, pó e pedra.
Não quis saber, ver, ouvir.
É como ir ao velório de um desconhecido e levar flores.

 

Por aqui, quedas d’água.
Eu abri o jogo em rede.
Muita gente se solidariza.
Outros apontam o dedo.
Louca.

 

Agora entendo porque, em São Paulo, o calor avisa que a chuva vai fazer a rua virar rio.
Fumo, nervosa, um cigarro imaginário.
Rio.

Benefícios

sábado, 15 de janeiro de 2011


Ano novo, check up em dia, casa se arrumando automaticamente e um sábado.Sábado para acordar sem obrigação, sem rapidez ou idéia que vá mudar seu mundo.
Sábado para sair por aí com cachorro.
Para comprar flores para a vida nova.
Para ver antiguidades e ter idéias.
Para novos eletrodomésticos.
Para um elogio de pedreiro.
Para um pedaço de livro eletrônico com café.
Para ver imagens do Rio, do moço que perdeu irmã, filhos, sobrinhos, cunhado e pensar que hoje, agora, um raio de sol e mais nada.
Sábado com sorvete novo.
Sábado de brisa sem motivo.
Sábado de folhas.
Sábado.

Bom para você e para mim.

Eu acho que o mundo pirou (ou Frida fritou)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Flagrante de minha manhã

Estou dormindo pouco.
Deito tarde, acordo cedo.
Trabalho.
Corro para chegar com tudo pronto até o Natal.
Em paralelo, casa para montar.
Tem coisa mais chata?
Preço de eltrodoméstico, acerto de contrato, empresa de mudança, tomada de preços…
Para relaxar, nem joguinho besta do Facebook ajuda.
Vinho não tentei…
Acabo rodando os sites de notícia e me admiro com o mundo.

Prefeito assassinado. Secretário de habitação preso.
Tentativa de assassinato de genro. Milionário dono de companhia de transportes preso.
Pai que mata dois filhos.
Pai que mata filha.
Wikileaks, estupro e intriga política.
Menino mau do Facebook eleito personalidade do ano.
Chove chuva, chove sem parar.

Eu sei, estou procurando sarna.
Mas dá para fechar os olhos diante dessa ferocidade animal a que somos expostos todos os dias no noticiário?
Fico pensando: o que não nos faz animais?

Destesto dezembro.
Destesto chuva que dura uma semana.

Gosto de sol com brisa.
Passarinho na janela.
Ficar em casa sem fazer nada.
Miado de gato.
Cachorro bobo.
Corrida na praia.
Açaí do Bibi.
Pizza do Braz.
Música nova.
Música velha.
Tênis usado.
Roupa de linho.
Livro novo.
Livro velho repetido.
Poesia concreta.
Champagne com amigos.
Sol no rosto.
Esmalte colorido.

2011, te espero ansiosa.