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Confesso tudo

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Em caso de emergência (...)

Depois de um fim de semana de pura esbórnia para menores no Rio de Janeiro, arrastei comigo, em corrente de prata meu bode.
Primo distante da vaca profana, conhecido da turma do terreno baldio, ele veio apertando o peito já no Santos Dumont.
Seria o excesso de champagne e de conversas proibidas em Santa Teresa?
Todas as noites mal dormidas?
Tudo o que poderia ser?
Tudo o que não se pode contar?
Com cara plácida, mastigando sei lá o quê… o Bode chegou devagar.
Sentou-se ao meu lado na 1E.
Nem o encontro com o amigo querido de São Gonçalo do Riacho das Pedras o afastou.
Lá pelas tantas, um balido.
Teve gente pensando que era turbulência.
São Paulo cinza, fria.
Mil emails sem ler.
Mensagens.
Decisões de segundo – tudo, tudo esperando, pressionando, exigindo resposta.
– Bééééé…
Bodejo de velho entediado.
Casa nova, emprego para decidir, carro, gato doente, menino, regime, conta.
-Béééééééé…
Confesso que quase fiquei na escolinha para que me fizessem brincar, para que me dessem banho e jantar.
– Bééééé…

Amanhã

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sarjeta

Penso no Obelix e me pergunto se também cai em algum caldeirão.

Não, a roupa é de ginástica, mas não serviu para nada.
Fui para o escritório assim, fantasiada de atleta.
Coisas de quem corre sem sair da esteira.
Esteira?

De tarde, desmarquei a hora mais esperada.
Corri para receber a moça grávida que não planejou nada e, agora, quer casa.
Casa?

Há dois dias estudo o Rio.
Rio, rio de tudo tão impossível.
Casa? Corra, corra!

Amanhã farei uma bela pose.
Falarei com toda propriedade.
Mostrarei dotes.
Farei olhos de nuvem.

Rio?
Antes vagabunda no Bar da Lagoa, hoje soberba pensando em casa.
Casa?

Rio, o que aconteceu com suas noites ásperas e tão baratas?
Com seus Jardins nada Europeus?
Com seus preços camaradas, com a praia misturada?

Amanhã irei para a forca.
Rio.

(rio)

Traidora do movimento

sábado, 5 de março de 2011

O outro carnaval

Carlos Drummond de Andrade

Fantasia,
que é fantasia, por favor?
Roupa-estardalhaço, maquilagem-loucura?
Ou antes, e principalmente,
brinquedo sigiloso, tão íntimo,
tão do meu sangue e nervos e eu oculto em mim,
que ninguém percebe, e todos os dias
exibo na passarela sem espectadores?

De presente, o adereço que não batizei com confete

Eu ia correr atrás da banda…
Mas o friozinho bom, a chuvinha fina que vai e vem (bem).
A estrada afora.
A bagunça, a cerveja, a praia chuva, o Rio, o xixi na rua.
Ah…
Traí o movimento.
Vou curtir – excepcionalmente este ano – o carnaval numa São Paulo acolhedora.
A mala continua pronta para o caso de eu mudar de idéia.

Vejo você na quinta.

A mesma praça, o mesmo banco

domingo, 16 de janeiro de 2011

O ano começa numa grande expectativa e mostra que nem tudo é renovação.
2010 (lembra?) abriu os serviços com Angra dos Reis desabando sobre cabeça e membros de muita gente. Depois foi a vez do Rio e de Niterói.

Em dezembro passado, um amigo gringo superdesavisado anunciava, feliz, que iria passar o reveillon em alguma cidade do litoral fluminense.
Eu logo joguei um balde de água fria: todo cuidado é pouco!

Nem preciso contar que a virada dele foi debaixo d’água e ninguém imaginava que mais de seiscentas pessoas iriam partir desta para debaixo de lama, sem socorro e sem despedida.

Nossa língua – difícil e muitas vezes maltratada por esta que vos escreve – algumas vezes nos coloca em xeque.
Nascida há cerca de dois mil anos, filha dos povos pré-romanos que habitavam a região ocidental da Península Ibérica, a língua portuguesa virou hit nos séculos XV e XVI quando os reis das piadas de padaria estabeleceram um império que ia do Brasil, na América do Sul, até Goa, na Índia.

Vasta distância, muita gente colonizada, e a língua foi virando uma criolice doida que logo confundiu “x” com “ch”, “s” com “z”.
E é por isso que, hoje, os jornais insistem em culpar o Aquecimento Global pela tragédia.

AQUECIMENTO não, cara pálida, ESQUECIMENTO.

Esquecimento proposital e político porque tirar pobre de beira de rio e de encosta de morro dá um trabalho danado, gera manchetes e imagens de famílias desdentadas chorando e arrastando seus poucos pertences pela telinha superpovoada. Imagens que serão amplamente usadas pelos adversários de urna e que, certamente, inflacionarão o mercado de compra e venda de votos.
ESQUECIMENTO porque desapropriar mansões em área de risco é algo que não se viu na Colônia. Taí a história do ex-governador de Roraima para exemplificar uma questão tão nacional.

Lendo meu jornal paulistano fiquei sabendo que, em Brisbane, na Austrália, onde a enxurrada também mudou a geografia, 25 pessoas morreram e dezenas estão desaparecidas. Alguns tubarões apareceram asfixiados no asfalto. Koalas, cangurus e cobras sobreviventes agora correm risco por não encontrarem água e alimento.
Lá, tenho certeza, o aquecimento global será preso, julgado e condenado.
Aqui, quando não é culpa do povo, que constrói em área de risco, a culpa é de São Pedro.
Claro, ele deve ter alguma coisa com a história, afinal Pedro vem do grego Petrus que significa pedra, rocha. Os católicos aprendem cedo que Jesus, antes de se mandar, deu novo nome ao apóstolo Simão e disse:
-“Pedro, tu és pedra e, sobre esta pedra edificarei minha igreja”.
Pois a culpa não é da região pedregosa, onde a água da chuva não se infiltra e arranca a terra onde estão casas, pessoas, cachorros, cavalos e galinhas – todos irregulares e inconsequentes?
A culpa de São Pedro então está comprovada.

Eu, no meu domingo de sol, acordei revoltada com a irresponsabilidade política, impressionanda com gente que não teve a sorte de ser estilista nem sócio de banco e que perdeu pai, filho, mãe e continua com o pé na lama tirando corpos e salvando gente que há dois dias espera por socorro.
Gente que perdeu tudo e que está em estado de transe, tentando arrancar pedaços de gente da lama.
Gente que, de certa forma, teve alguma sorte de não ser classe alta e que, portanto, não foi amplamente fotografado, falado e comentado enquanto enterrava 2 filhos, a irmã, o cunhado, 4 sobrinhos, mãe e pai.

Este sentimento de impotência, esta vontade de sair gritando, louca, pela rua contra a bazófia, esta vontade de chutar pessoas e de beijar os cachorros, este grito que mora no peito.
Esta dita coragem que me faz seguir em frente mesmo assim.
Este confessionário em berros.
E eu penso: qual é a palavra para “blog” em português?

Ainda é cedo

sábado, 28 de agosto de 2010

É nozes e café

Eita!
O último post recebeu vários comentários, meu programa travou e o seu lindo texto sumiu…
O maravilhoso mundo eletrônico!
Dia desses vi um Mac todo arrebentado no metrô. Primeiro, achei que fosse uma televisão de tela plana. Depois, vi que era um Mac de 17 polegadas… Morto e chutado.
É amor puro… risos
Por isso, a quem me escreveu, meu agradecimento sem violência.

Ainda não fui.
Mas já começou a despedida.
Ontem, festa na casa de Rodrigo e Nico, os dois mais queridos de Paris.
Eles também estão de mudança e peguei carona!
Como é da minha natureza, uma da manhã saí de soslaio e virei abóbora.
Ninguém soube, ninguém viu.

Chego em casa, desmaio na cama.
Meu jantar foi chips e bala de ursinho. 😛
Para rebater, 4 cosmopolitans tamanho pequeno e uma taça de champagne.
Hoje de manhã, nem o anti-ácido me salvou.
E fui a luta.
Uma mala está pronta.
Dentro dela, pequenas maravilhas.
Um vidro de sal e outro de foie gras – ambos com trufas (uma fortuna da Maison de la Truffe, na Place Madeleine)
Chocolatinhos, caramelos, pastas de mil coisas exóticas, cinco tipos de mel, cogumelos selvagens e venenosos – Fauchon.
Da Hediard, uma semente brasileira que nunca vi e que serve para preparar peixes e doces.
Pimenta caiena, baunilha de Madagascar, sal de Guérande, um molho agridoce de pimenta.
Um maçarico para queimar sequestradores e o açúcar do crème brûlée…
Perfume para a vovó.
Aquele creme incrível para a noite que só é vendido com receita médica, mas somos brasileiros e sempre conseguimos tudo com um papo sobre samba, praia, carnaval e, quem sabe, até futebol. Por via das dúvidas, comprei logo dois.

Já para casa!

Um leque.
Meus caderninhos. Alguns livros que não foram pelo correio.
O meu certificado nada suado e que vou guardar para lembrar que a vida pode ser muito mais leve e muito menos séria do que queremos.
Para colocar na mala… Ainda falta coisa.
Imagino que vou ter um problema e já começo a pensar naquela maleta incrível que jamais comprei porque sempre trabalhei feito moura e não tinha grana para levar.
Ha! Quanta bobagem.

Terça-feira, deixo a beira do Rio.
Quarta, parto para Champagne.
Sexta, Brasil.

Que saudades do Brasil.
Toda vez que me perguntam onde eu gostaria de morar.
Em São Paulo mesmo.
Eu sou cigana e São Paulo tem tudo o que o mundo todo tem.
E tem porteiro que é jardineiro.
Aqui não tem o Dênis da Padoca.
O japonês que costura tudo o que estrago.

Onça pintada volta da festa

A sapateira nordestina.
Sampa.
Rio, Minas, também – mas São Paulo é meu amor.
Com todo mundo correndo.
E esquecendo que existe a hora do recreio.

Brasil.
Palavra mágica.
Conto algumas.
Terça-feira, Louvre.
Eu e minha amiga velhinha decidimos tomar algo no café mais bacana do museu.
Não pode não.
Só se for jantar.
Jantamos então.
Ah, mas não tem lugar.
Mas ela é brasileira… Nunca comeu aqui.
E a melhor mesa, um papo sobre cinema novo, um pão diferente para provar.
Na estação, onde eu pego a porcaria do trem para Versailles? E o atendente, em português: eu amo o Brasil, a praia, Florianópolis.
Peraí que vou te mostrar a plataforma.
E o creme de rosto?
Depois de dar uma incerta em 5 farmácias.
Ah, o Brasil.
Lá não compramos nada com receita, o rei é sapo barbudo, a próxima rainha será a bruxa guerrilheira.
Compra, compra seu creme, eu anoto aqui que você já faz uso contínuo.
Camélias para a professora.
Passo o endereço de onde encontrei o chapéu de chuva.
Esse sapato? Ah, foi ali no 2oème…
Conheço sim. Tomei o drink.
Como você descobriu?
Perguntei, ué!

Eu não quero morar em Paris, em Nova York, em Tókio.
Quero voltar para casa.

Kusmi & me

sábado, 29 de maio de 2010

Eu sei porque os cariocas são mais bonitos – os velhos, as novas, os cachorros, todos.
Porque eles batem perna, tomam sol e não vêem a vida de um escritório cheio de gadgets.
Eles vivem o mundo lá fora.

Light imprisoned in the belly of the whale

Eu venho e caminho, caminho sem medo.
E na minha vida de lá é carro, telefone, computador.
E aí eu lembro a vida de cá.
Por isso viajo.
Para experimentar outras vidas.

Ontem fiquei sabendo que Heleninha foi embora.
Foi um passarinho feliz.
Viva Heleninha.

Love and Hate

Recomendo aqui no Rio a exposição da alemã Rebecca Horn.
Minhas instalações escolhidas estão em foto para você que não pôde vir.

E descobri hoje o néctar dos deuses. Bebo a você.

kusmi, my luv

kusmi I luv

Kusmi Chá (ou Kusmi-Tea) é uma marca de chá cuja sede fica em Paris. A empresa, que produz os chás de estilo russo foi criada por Pavel Michailovitch Kousmichoff (Павел Михайлович Кузьмичёв, 1840-1908) em 1867 em St. Petersburgo, Rússia.

Filho mais velho de uma família de camponeses, Pavel Michailovitch Kousmichoff saiu de casa com 14 anos para procurar um emprego em São Petersburgo. Lá ele encontrou trabalho como entregador de um comerciante de chá. O gerente da loja logo percebeu que o menino tinha um enorme potencial e lhe ensinou a arte da mistura dos chás. Pavel casou com Alexandra, a filha de um comerciante de papel e seu empregador lhe deu de presente de casamento uma casa de chá. A Kousmichoff teahouse foi inaugurada em 1867. Alexandra teve seis filhos. Para Elisabeth (nascida em 1880) foi criada uma mistura especial que logo tornou-se o chá do czar, “buquê de flores”. Em 1901 Pavel já tinha 11 casas de chá e a Kousmichoff era a terceira maior da Rússia.

Em 1907, ele enviou o filho mais velho para Londres para aprender sobre o chá. Viatcheslav começou abrindo filial britânica da empresa, a PM Kousmichoff & Sons. A cidade era a capital mundial do comércio de chá, o que ajudou Viatcheslav a se tornar um mestre no mix de chás. Viatcheslav retornou à Rússia e, depois da morte de seu pai em 1908, assumiu os negócios da família. Ele abriu  51 casas de chá em todas as grandes cidades da Rússia.

1917 Um novo começo em Paris

Em 1916, vendo as ruas de São Petersburgo agitadas (e com medo de uma revolução), Viatcheslav transferiu parte de sua fortuna para o escritório da companhia em Londres e, em 1917, abriu uma loja em Paris, a Maison Kusmi-Thé.
Enquanto ele passava a maior parte de seu tempo em Paris, sua família permaneceu em São Petersburgo e nas vésperas da Revolução, ele decidiu enviar mulher e filhos para passar o verão na região do Cáucaso.
Com o estouro da revolução, eles fugiram para Constantinopla e, em seguida, para Paris em 1920. Em Paris, Viatcheslav e sua esposa, viveu a vida dos ricos, com seus três filhos.
A filha Vera participou do Conservatório de Paris onde conheceu Rachmaninov e se tornou uma famosa cantora de ópera.

A família prosperou durante o período entre guerras, abrindo escritórios em Nova York, Hamburgo e Constantinopla.
Viatcheslav Kousmichoff morreu logo após a Segunda Guerra Mundial, em 1946, deixando seu filho de Constantin para assumir um negócio de família muito enfraquecido por anos de guerra.
Mas Constantin não tinha o mesmo tino comercial.
À beira da falência em 1972, ele vendeu o negócio por uma ninharia.
O néctar dos deuses é o “almond green tea”. Fui para o céu e voltei mil vezes.

Anote o site: www.kusmitea.com

E veja que bacana:

TEA PROFILE PREPARATION
Origin: China
Time of day: afternoon
Main flavor:
gourmand with herbaceous note
Ideal water temperature: 70°C
Quantity needed: 3g
Brewing time:3-4 min

Para não esquecer: PASSO 6

Were entirely ready to have God remove all these defects of  character. (Atenção: Deus não atua em corporações e não faz hora extra!)

Humor negróide

quarta-feira, 7 de abril de 2010
pedaço de matéria

torre

Ao lado, pedacinho do nosso editorial com dicas de produtos para casa. O que me impressiona nessa revista é o tanto que se faz com tão pouco. O cuidado é tamanho e a criatividade e bom gosto… Não estou puxando a brasa para a minha sardinha não porque sou vegetariana e edito, não produzo essas fotos incríveis.

Aqui no Brasil varonil, chuva matando gente. Algo me diz que Darwin estava errado. A teoria certa é a da involução das espécies. Ninguém vai me convencer de que:
– pisar na Lua,
– descobrir cura para as doenças mais agressivas,
– fazer crème brûlée,
– usar supercomputadores
São resultados de uma evolução se o homem ainda morre na chuva.

Podemos pensar numa teoria dos paradoxos seguida pela teoria da involução da espécie. Quem descobrir o mistério, ganha uma família de baratinhas para dividir no descampado de Blade Runner…

Tem um lado meu involuído que não resiste. A manchete global hoje “Rio recomenda evitar grandes deslocamentos”.
Rárárá… Fala isso para a terra. Para o morro. Porque eles são os “grandes deslocadores e deslocados”.

E o Jornal Nacional? “Geografia é fator de vulnerabilidade para o Rio”…

chumbinho

chumbinho

É por essas e por outras que resolvi deixar as redações e ganhar uns cobres mundo afora… A culpa é da montanha e todos estão proibidos de fugir do caos. Isso tem ou não tem cara de um flash mob? Estátua!!!

E, para ser democrática, vamos falar da imprensa paulista. O bicampeão olímpico Torben Grael salvou um bebê e a mãe. Na madrugada, um carro foi arrastado pela lama e parou no jardim do atleta. Ele e a família conseguiram tirar as duas criaturas de dentro do carro. Mas o repórter, diligente, achou uma boa frase para terminar a matéria. “Um dos carros de Grael, uma caravan, xodó do velejador, também foi atingida pelo deslizamento e está em cima de uma árvore.”
Acho que deveríamos iniciar imediatamente uma corrente de orações para o carro. Se os bombeiros resgatam gatinhos presos em árvore, eles devem resgatar caravans também. Faça como nos States, liguem 190 ou 191, 1406 ou 0800… Salvem a caravan!!!

E, claro, a manchete paulista do dia: “Leptospirose, hepatite A e dengue são as doenças que mais devem ameaçar a saúde pública nas próximas semanas”.
Eu, do alto da edição, faria uma alteração no texto: “Corrupção, apatia e autoironia são as mazelas que mais devem ameaçar a saúde pública no atual século”.

Se o site Gawker tivesse uma versão em português, juro que seria candidata a uma vaga…

Linha do tempo

sábado, 13 de março de 2010
Ponta da Fruta

Ponta da Fruta

Eu tenho certeza de que fui no Sílvio e minha porta da esperança tinha alguém esperando por mim… Só pode ser.
Acho que descobri um trabalho que é bem do meu número – mais louco que eu.
O dindim está chegando de tudo – do que estava parado, do inesperado, dos jobs…
E é tão legal não ter um menos na conta.
Tenho conhecido muita gente fofa.
Tudo está rodando como um reloginho.

Sem querer dar uma de “ó céus, ó azar”, uma coisa tem me preocupado. As distâncias.

Hoje por motivo alheios a minha vontade, entrei num avião com destino a Vitória.
Crematório de Ponta da Fruta.
Eu queria combinar que ninguém mais pode morrer este ano. Nenhum pai, nenhum cartunista, nenhum tio, nenhuma criança, ninguém.
O fato é que tive uma tia-avó que foi dona de vastas terras em Ponta da Fruta. E até os doze anos, passei parte das férias lá.
Era um deserto com praia delicioso.
Conta a lenda que uma prima chegou de noite pela primeira vez e às 5h da matina acordou a todos:
“-Mãe, vamos logo, já ligaram o mar!”
Ponta da Fruta (eu sempre imaginei um bicho de goiaba batizando a vila) hoje estava particularmente linda.
Cheguei 14h30, parti 19h.
E cá estou em Sampa.
Ontem, Rio.
Semana que vem, Rio de novo.
Na outra, mais viagens. Na outra, mais e mais.

Acho muito legal poder viajar e chegar em mundos diferentes em “um” minuto.
Mas fico pensando que esse negócio mexe com a gente.
Não é possível que o corpo viaje no espaço e a gente não mude por dentro.
Que bicho a gente vira no final?

Enquanto penso madrugada adentro, comida indiana, cerveja Gold.
Eu, 3 gatos, uma cachorra e vários pernilongos paulistas do Tietê.

Fico pensando no que acontece quando a gente perde o fio condutor.
Quando se desorganiza e não acha mais chão.
Será que tem volta?
E por que a gente quer tanto fio a nos segurar se a gravidade já basta?

200km por hora

quinta-feira, 11 de março de 2010
2001, uma odisséia no espaço

2001, uma odisséia no espaço

E foi assim que tudo começou. De saco cheio da vida de jornalista que rala, mas não leva crédito, parti rumo à ilha.

E abri minha caixa de surpresas.

Agora, 9 anos depois, fico relembrando as viagens da viagem. Em pleno Caribe, fugindo do carpete e das redações, curtindo andar com um pano na cabeça. Os óculos eu perdi num Skoll Beats, os brincos fiquei com um só na Ilha do Mel e mandei para o mar, o pano foi blusa, saia e vestido e, hoje, está guardado com toda pompa no meu gavetão de panos. No dia dessa foto, uma cubana me achou patrícia e perguntou se eu estava faturando o “gringo” que me acompanhava. Risos e mais risos. Fiquei me achando “a” cubanita de pano na cabeça.

Pois é…

Amanhã, Rio; dia 27, Abu Dhabi, dia 12 de abril, Salzburgo. Eu que estava pulando em comemorações ao meu momento ex-Latam pago a língua com estilo. Mas não posso reclamar – essa vida de communications é literalmente uma viagem. Só não pode ter amarras, filhos e se levar muito a sério.

Como diz a canção do Lô, “sou do mundo, sou Minas Gerais”.

E estou devendo, mas não nego. Vou contando em pílulas.

Sobre minha história no mundo da construção civil… Começou animada, no meio tinha um caixa dois, depois um processo e, hoje, acertei minhas contas. Tudo porque peitei a gigante e sem colete à prova de balas. Não foi fácil, tem que ter coragem, tem que ser meio doido. Em vários momentos, a vontade era de ir até a Receita Federal e vomitar as porcarias que testemunhei em números. Mas tive que adotar um meio termo. Porque ferro com bandido acaba em fogo.

Mas digo apenas uma coisa: no Brasil, as construtoras limpam a grana através de agências de publicidade e todo mundo sabe. Eu não sabia e fiquei horrorizada. Mancha negra total no meu CV. É chato se descobrir honesto num meio em que o modus operandi é comprar fiscal de prefeitura, prefeito, vereador, é limpar dinheiro achacando fornecedor ou transformando fornecedor em cúmplice. Cruzes, traficar deve ser mais limpo.

Fui.

Propaganda e crítica

sábado, 6 de fevereiro de 2010
fazendo merchand

fazendo merchand

Depois de pula-pula no carnaval, momento de auto-indulgência. Estou numa fase totalmente eski-bon. Bom demais!

Pular carnaval em São Paulo… Algo estranho. O bloco é todo organizadinho – tem camiseta para todo mundo, rua com cavaletes de ferro, banheiro químico, decoração, barraquinhas de bebida, UTI móvel, policiamento. No quesito cidadania, 10.

Pausa para um xixi

Pausa para um xixi

A música, superbem escolhida. Marchinhas antigas, todas consagradas.
Mas no quesito bossa e malemolência, zero.
Os caras param para avisar que o bloco vai virar a esquina.
Param para agradecer o pai, a mãe, o patrocinador.
Param!
Gente, carnaval não tem essa de pausa. Começou, meu bem, tem que ir até o fim!

Enquanto isso, o Rio virou outra vez um grande mictório e os blocos arrasam. Que engraçado.
E suspeito que, se juntar, não dá certo. Água e óleo.
Palavras de uma mineira sem pátria que pulou muito carnaval de salão e que ama essa época do ano.

E como estamos em São Paulo, sejamos paulistas.tandoorilicius
Dia agitado hoje, passeio com cachorro, depósito no banco, falhei na busca do melhor açaí, salada de fruta na Padoca, cachorro em êxtase dando pulos no mato da pracinha, pé e mão, corte de cabelo, ingresso de cinema para a manicure, supermercado… Computador, muito reencontro no Facebook, blackberry, um pouco de trabalho…
Adoraram meu vestido-saia indiano trazido de Punta.
Adorei meu novo-velho cabelo a la Farrah.
Perdi um chá de bebê por causa da chuva.
Casa! E acabou – meu carro ficou preso na garagem…
Pedi – pela internet – comidinha do Tandoor. Eles trouxeram um forno tandoori da Índia e a comida é uma maravilha! Tem anos que não vou lá, mas arrumei um clima em casa. Vela de citronela (para espantar mosquito), flores (rosinhas caipiras), mesa posta, bebida com gelinho.
Samosas, daal masala e outras delícias. Cervejinha, livrinho e cama.
Chega de festa porque a tia aqui tem mais de trinta!

Ah! Alguém leu “A” notícia do dia?

“Três caixas de uísque e duas de conhaque pertencentes ao explorador Ernest Shackleton foram recuperados depois de terem ficado enterradas por mais de cem anos sob o gelo da Antártida.
As bebidas foram achadas por um grupo de pesquisadores, armazenadas sob a cabana que o inglês construiu no continente em 1908.”
(Fonte: Folha de S.Paulo)

Eu só digo uma coisa: se eu encontrasse, eu abriria uma garrafa e tomaria. Uma oportunidade dessas?

“Richard Paterson, mestre malteiro da Whyte and Mackay, empresa que havia fornecido uísque Mackinlay para Shackleton, descreveu a descoberta como “um presente dos céus” para os amantes dos destilados. “Se o conteúdo puder ser confirmado, extraído com segurança e analisado, o blend original pode ser reproduzido”, afirma. “Como a receita original não existe mais, isso pode abrir uma porta para a história.”
Fastier disse que deve definir nas próximas semanas como lidar com a “delicada tarefa de conservação.””

Melhor que isso, só tomar banho de mar à noite em dia de calor…
Ciao.