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Case, compre bicicleta, bolo de chocolate e fettuccine

segunda-feira, 13 de junho de 2011

 

Que seja eterno

Santo Antônio.
De pequena, freqüentei a casa dele em Minas.
Pe.Hélio comandava a patotinha que fazia catecismo aos sábados.
A festa, celebrada nesta data, era uma delícia.
Tinha procissão pelas ruas da Savassi ao anoitecer.
Eu tirava o copinho que protegia a vela e ficava queimando as mãos até elas virarem uma pasta endurecida de cera.
Arroz doce.
Coco caramelado.
Pipoca fria.
Pescaria com brindes simplórios.
Lírios brancos.
E pega-pega do lado de fora enquanto a missa não acabava.
As politicagens para levar oferendas. Para ler os salmos.
Minha avó frequentou por décadas (e ainda insiste) a turma “da costura”, que faz roupas e bordados para os mais pobres.
E olha que bordado até para rico hoje é luxo.
Antônio, dizem, atende prontamente pedidos relacionados à prosperidade e riqueza, além de recuperar objetos perdidos.
Para os místicos, é santo guerreiro, senhor da magia, da força e da coragem.
E foi numa sexta-feira, 13, dia dele, que me casei.
Nem Zagallo faria melhor.
No Estadão, a coisa vai longe:

“Isto porque se completam 780 anos de sua morte (ocorrida em 1231) e este é um número muito positivo, ligado às questões do coração”, explica Daniel Atalla, proprietário da Escola Esotérica Luz da Lua e um dos maiores especialistas no assunto. “De acordo com a numerologia, se somarmos 7 + 8 + 0, teremos um 15, e o 15 é justamente o número da paixão. E se formos além, a soma de 1 + 5 resulta em 6, o número da família, que traz a vibração do amor”, complementa.
(…)
Uma outra faceta não tão conhecida de Santo Antônio está relacionada à área de ensino. De acordo com Atalla, uma grande ocupação que Antônio teve em vida – e um de seus maiores dons – foi lecionar, atividade que iniciou por indicação pessoal de São Francisco de Assis. “Esse dom de ensinar rendeu-lhe o título de Doutor da Igreja, honra rara concedida apenas àqueles que contribuíram
notoriamente com a doutrina Cristã”, conta.

(Leia na íntegra: http://www.dgabc.com.br/News/5892560/antonio-um-santo-milagreiro-de-muitas-utilidades.aspx)

Hoje, sem quadrilha nem procissão, comecei pela sobremesa (Jean et Marie, um primor!) e pretendo seguir até um ilegítimo Fettuccine Alfredo
feito em casa.

E você? Pensa em casar ou montar uma quadrilha?

 

Reproduzindo gênios

sábado, 13 de novembro de 2010

Instrucciones para llorar

Julio Cortázar

Dejando de lado los motivos, atengámonos a la manera correcta de llorar, entendiendo por esto un llanto que no ingrese en el escándalo, ni que insulte a la sonrisa con su paralela y torpe semejanza. El llanto medio u ordinario consiste en una contracción general del rostro y un sonido espasmódico acompañado de lágrimas y mocos, estos últimos al final, pues el llanto se acaba en el momento en que uno se suena enérgicamente. Para llorar, dirija la imaginación hacia usted mismo, y si esto le resulta imposible por haber contraído el hábito de creer en el mundo exterior, piense en un pato cubierto de hormigas o en esos golfos del estrecho de Magallanes en los que no entra nadie, nunca. Llegado el llanto, se tapará con decoro el rostro usando ambas manos con la palma hacia adentro. Los niños llorarán con la manga del saco contra la cara, y de preferencia en un rincón del cuarto. Duración media del llanto, tres minutos.

FIN

cai a água da biquinha...

Quando pequena “ganhei” (surrupiei) um caminhão de plástico de meu irmão menor.
Dava-me inveja vê-lo feliz pela casa e na calçada puxando o brinquedo pelo nariz.
Sim, o caminhão tinha boléia com cara e nariz vermelho.
O que roubei era igual ao que ele amava.
Ele havia ganhado dois iguais e dava mais atenção para o que tinha um barbante longo amarrado.
Meu novo caminhão, decidi, seria mais bonito, teria uma corda mais resistente e andaria mais rápido.
Com a ajuda do meu pai, coloquei uma fita plástica, daquelas de enrolar carne no açougue, no “pescoço” do veículo.
Saímos eu e meu irmão para nosso passeio vespertino com nossos brinquedos velozes.
Os quatro anos que nos separam me deixavam um tanto ridícula com minhas sandálias de Carmen Miranda puxando um carrinho pela rua.
Meu pai ia à frente, arrancando folhas de ficus da cerca viva para mostrar como transformá-las em assovio, em apito.
Eu nunca consegui fazer uma folha de ficus assoviar.
Meu caminhão era mais veloz, mais bonito, mais inteligente.
Meu irmão, que não sentiu a perda do caminhão gêmeo, achava tudo lindo.
O apito, a folha, dois caminhões com cara de gente e nariz de palhaço.

Hoje, recebendo meu irmão menor, notei como ele está bonito.
Alto, corpo atlético, louro com fiapos brancos na cabeça, um nariz adunco de grande personalidade e olhos azuis.

Hoje, estranhamente, quis puxar um caminhão de plástico pela calçada.