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Pelas ruas

segunda-feira, 4 de julho de 2011


Carregando mais peso, os passos lentos, o tempo é outro.
Três horas cruzando o país, dois gatos na cabine – nem um miado e uma curiosidade amansada.
“Casa” – um apartamento modernete, dois quartos, dois banheiros, muitos equipamentos eletrônicos, um calor viscoso, janela.
Foram sentir maresia.
Para começar a aclimatar, Olinda.
Comer polvo com leite de coco, ver árvores, sentir o Brasil onde ele é mais português.
De azeites, ladrilhos, cerâmicas, rendas, bacalhau. (um desconhecido francês disse detestar o peixe salgado. Bom mesmo é ter Sarkozy e Dominique Strauss-Kahn no cardápio).

No fim da tarde, enfrentar a multidão na feira de artesanato do Centro de Convenções.
Madeiras, panos, sementes, palhas, literatura de cordel, comidas com nome estranho e gosto familiar – mungunzá; bolo de macaxeira; se der, arrumadinho, e se não der, escondidinho.
Vim para uma semana.
Penso em transformar em duas.
Deixar São Paulo, reuniões, médicos, aulas para a terceira idade, pó de obra, empregada nova – deixar tudo o que é realidade para trás.
Café da “Mére”?
Tapioca com queijo coalho, mungunzá, chá de manga, maracujá e laranja e meio mamão para rebater.

Às vezes penso que só mesmo complicando primeiro é que desembaraçamos os desvios por completo.

Escrever

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Uma brasileira, duas americas e uma inglesa - coisa boa não é

Eu fico pensando no menino morto.
E no menino que atropelou.
Em um segundo, nada mais.

Aqui, como diz meu amigo Ely, só se fala em outra coisa.
Cheguei há 22 dias e todo dia a capa dos jornais é o chamado “affaire Bettencourt”
A imprensa joga forte as fichas dizendo que Sarkozy não escapará dessa.
Tudo começa com um francês safado que apoiou os nazistas.
Dono de uma fábrica de cosméticos, ele sacou que Hitler iria para o beleléu e mudou de lado.
Deu a sorte de combater ao lado de Mitterrand.
Um virou presidente, o outro, dono da L’Oréal. Amigos do peito.
A filha do empresário tinha malandragem para negócios e fez a empresa crescer mais ainda.
Virou a maior fortuna da França, uma das maiores da Europa.
E, velhinha, resolveu dar ilhas e um bilhão de Euros para o amigo fotógrafo gay e deixou a filha danada.
A filha resolveu entrar na justiça e surgiram revelações de riqueza não declarada da mãe – contas na suíça, o de sempre – e envelopes com 150 mil Euros para Sarkozy e amiguitos.
O atual ministro do Trabalho e ex-ministro do Planejamento é o tesoureiro do partido do presidente (UMP) desde 2003. Woerth, cuja mulher trabalhava na empresa que administra o dinheiro da bilionária, teria fechado os olhos para a evasão fiscal praticada em larga escala pelos administradores da fortuna pessoal da dona da L’Oréal. Além do mais, teria recebido dinheiro vivo para a campanha presidencial e teria empregado a mulher, graças a sua influência. De quebra, agraciou com uma das mais prestigiosas condecorações da République o big boss da empresa que administra a fortuna de Madame Bettencourt, Patrice De Maistre.

Resumo da história: desconfie sempre.
Dinheiro demais é vendaval.

Escrever.
É algo insano. As coisas saem de você e ganham vida, interpretações.
E você não consegue parar. Nem as coisas.
Aqui, perambulando por aí, tenho feito rascunhos, colocado no “papel” idéias.
Ódios. Amores, besteiras, tudo.
Nem 1/3 do que sai no blog.
E tudo sempre ao mesmo tempo.