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62 anos da morte de Gandhi

sábado, 30 de janeiro de 2010

Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo.”

Mahatma Gandhi

Depois do corpo de Gandhi ter sido cremado, as cinzas foram dadas a amigos, família e seguidores. Agora, 62 anos depois, algumas dessas cinzas foram devolvidas à família e serão espalhadas sobre o litoral da África do Sul, país onde o mahatma morou por 21 anos. Foi marcada uma cerimônia em Durban.

Tirando o Leonardo, única pessoa sabe ler devanágari, vai uma tradução livre para mahatma: a grande alma…

O que me impressiona em Gandhi é a força da não violência ou ahimsa (em sânscrito, अहीमर ahimsâ).
Ele criou uma espécie de escola, a Satyagraha (सत्याग्रह) = satya (verdade) + agraha (firmeza, constância). Força da verdade.

Gandhi empregou o satyagraha na campanha de independência da Índia e também durante os anos que passou na África do Sul. A teoria influenciou Martin Luther King na campanha pelos direitos civis nos Estados Unidos.

A não-agressão, uma forma não-violenta de protesto, não tem nada a ver com passividade e pode até implicar em desobediência civil.

Segundo o próprio Gandhi,

“Tenho também a chamado de força do amor ou força da alma. Eu descobri o satyagraha pela primeira vez no início da minha busca pela verdade que não admitia o uso da violência contra um adversário, pois o mesmo deve ser desarmado dos próprios erros com paciência e compaixão. E o que parece ser verdade para um pode ser um erro para o outro. E paciência significa auto-sofrimento. Assim, a doutrina passou a significar reivindicação de verdade, e não pela inflição de sofrimento sobre o adversário, mas sobre si mesmo.”

povaoGandhi propôs uma série de regras para satyagrahis em campanha de resistência (que é o nosso caso, pois estamos lutando para respirar…):

1 – Trabalhar sem ira
2 – Sofrer pela ira do adversário
3 – Nunca retaliar a agressões ou punições; mas não submeter-se, sem medo de punição ou agressão, a uma ordem dada com fúria
4 – Apresentar-se voluntariamente à prisão ou ao confisco de seus próprios bens
5 – Se você é responsável por uma propriedade, defenda-a (de forma não-violenta) com a sua vida
6 – Não amaldiçoar ou praguejar
7 – Não insultar o adversário
8 – Nem saudar, nem insultar a bandeira do seu oponente ou dos líderes do seu adversário.
9 – Se alguém tenta insultar ou agredir o seu adversário, defenda-o (sem violência) com a sua vida
10 – Enquanto prisioneiro, se comportar com cortesia e obedecer os regulamentos da prisão (exceto aqueles que são contrários ao auto-respeito)
11 – Como um prisioneiro, não peça tratamento especial ou mais favorável
12 – Como um prisioneiro, não seja rápido na tentativa de ganhar conveniências cuja privação não implicam qualquer prejuízo para a sua auto-estima
13 – Alegremente obedeça as ordens dos líderes da ação de desobediência civil
14 – Não selecionar ou escolher quais as ordens que deve obedecer. Se você achar que a ação tenha algo de impróprio ou imoral, corte sua ligação com a ação totalmente.
15 – Não fazer a sua participação condicionada à companheiros que cuidem dos seus dependentes enquanto você estiver participando da campanha
16 – Não se tornar sua causa, não virar um querelas de coisas banais
17 – Não tomar partido em disputas, mas só auxiliar aquele partido que está comprovadamente certo
18 – Evitar ações que podem dar origem a conflitos banais
19 – Não tomar parte nas procissões que a firam a sensibilidades religiosas de qualquer comunidade

Eu não cumpro nenhuma completamente (!), pelo contrário, descumpro várias… Fiz o cálculo, só 6 salvam (e mais ou menos) no meu currículo…
Para ajudar a gente como eu, ele criou um programa de 5 pontos ou atitudes:

1 – igualdade;
2 – nenhum uso de álcool ou droga;
3 – unidade hindu-muçulmano;
4 – amizade;
5 – igualdade para as mulheres.

Nesse daí, eu tenho que dar uma garibada no 1 e adotar o 2 (aliás, check up nota dez – nem o álcool me derruba!).

Igualdade, amizade – parece tão fácil…
Quem sabe? Você topa tentar?