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ETA: agora, neste momento

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Não é mais rico quem tem mais, mas quem precisa menos.”

provérbio budista

 

O tempo é agora.
Quem deixa para amanhã, acaba se surpreendendo.
Eu nasci com um dedo na tomada.
E não durmo se não termino o projeto, o casamento, a história, o tudo.
Eu sou daquelas que não desliga se todas as gavetas não estiverem arrumadas, pratos lavados e guardados. Cinzas de charuto devidamente empacotadas e no lixo.
Eu durmo?

E eu amo os novos tempos.
A internet, a conexão virtual, o romance por fibra ótica.
Tudo o que é virtual pega fogo.
Para quê o real?
A vida pode ser muito mais do que o aqui. Pode ser na Síria.
No Iraque.
No Japão.
E ainda assim real.

Deu errado hoje?
Tenta de novo amanhã.
Tem coisa boa para tentar mais e mais e mais.
E a liberdade?
Fazer tudo o que não pode.
A regra.
O certo.

Fazer tudo errado de verdade.
Ai, mais de 30, mais de 40 é muito mais gostoso.
Vai por mim.

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Romaria

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

 Estou eu no prédio embolsado pelo Lalau quando vejo as imagens da Síria.

Todo tipo de gente morta pelo governo. Crianças, adultos, jovens, velhos.
Um avião descarregou o gás da morte sobre Damasco.
O governo desconversa.
A ONU, para variar, nada faz, só fala.
Corpos acinzentados espalhados pelo chão.
Sem feridas.
Todos os mil e trezentos mortos.

No Egito, um bundalelê.
Dona Morte anda dançando cancan sem parar.
Hosni Mubarak vai ser colocado sob prisão domiciliar.
Aumenta o som.

O porteiro, desta vez, levou a pior.
Eu tenho que fazer milagre até sexta-feira.
Dólar a 2,45.
Minha tosse agora é lenta: fica 10, 15 minutos sem parar.
A casa nova saindo do forno.
Grana para cortina, arandela, mesa, sofá.

As imagens das crianças acinzentadas, enroladas em panos como bonecas russas.
Minha cabeça gira.
Atravesso o rio.
Os faróis parecem uma grande procissão.

Ando meio sem ar.
Talvez pneumonia.
Ou uma sensação de últimos dias.

Água em marte

terça-feira, 29 de maio de 2012

Procura-se abrigo

Encontraram água em Marte?
Se eu usar um escafandro moderno posso respirar?

Essa sensação que me voltou hoje surgiu pela primeira vez em 2001.
Depois de um período vivendo em Cuba, cheguei em São Paulo e fiquei catatônica em frente a uma prateleira de supermercado.
Juro que pensei em consultar um psiquiatra.
Era pós-Torres de Nova York, era pós-Cuba dos anos 50 corrompida até os ossos, era um momento em São Paulo frenética, desorientada, era necessidade de pagar aluguel.

Hoje fiquei com vontade de escrever para sir Richard Branson criar logo uma rota TERRA-MARTE.
Eu venderia a alma para me exilar em outro planeta.
Levaria umas mudas de roupa, o filho, umas fotos em papel.

Hoje, estupidamente, abri um vídeo enviado por ativistas sírios.
O vídeo não tem nem 10 segundos.
E mostra as crianças mortas, com tiros enormes, do tamanho de uma nação.
Os adultos sacudindo aqueles trapos sem vida, gritando por não ter pátria, por não ter fé.
Todos, eu e meus problemas tão pequenos e tão duros incluídos, precisando fugir da Terra.

Um governo que manda matar velhos, mulheres, crianças.
Gente escolhida ao acaso.
Efeito colateral de um líder covarde e violento, de um mundo perdido, de um desesperançado século XXI.

Por aqui, ex-presidente tão bandido quando qualquer anterior.
Um corrompido cheio de soberba – como aquele de lá, por que não?
Ex-ministro defensor de bicheiro assassino em troca de 15 milhões de reais que ninguém sabe (mas todo mundo desconfia) de onde saíram.
Repórter que recebia benesses de bicheiro
Ministro encontrando com ex-presidente lobista querendo atrasar julgamento dos ladrões da pátria.
Por aqui, vizinho que quer dar golpe em condomínio.
Gente que mente na sua carta.

Por aqui, tudo reduzido a um salve-se quem puder.

Ontem brinquei em rede social: “Meu pirão primeiro! É muita marmelada…”
Brincadeira de péssimo gosto.
Quero ir embora.
Para muito muito muito longe.

Stay cute and shut up

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

(mundo, vasto mundo)

(mundo, vasto mundo)

A Síria se acabando, os tetos desabando e Gisele, nossa modelo-modelo, abalando Bangu gringa.
Tudo porque resolveu defender o marido atacando os colegas dele.
Já pensou se a moda da über model pega?
A empresa foi mal, ações despencam e a patroa do C.E.O. dá entrevista:
“- A culpa é das marmotas que trabalham para ele”.
O PIB despencando e a Dilma:
“- Mas com esse time de ministros o que vocês esperavam?”.
O Brasil perdendo mais uma Copa e o técnico da ocasião:
“- O Ricardo Teixeira escala esses pernas de pau e vocês olham para mim?”

Ah… O mundo em cores.
Não é assim o pensamento do Assad?
Ele é presidente e a culpa é dos civis por estarem morrendo…
Ok, comparação exagerada, mas hoje em dia está cada vez mais difícil de achar gente que:
1 – Pede desculpas,
2 – Assume erros.

Nossas escolas não preparam cidadãos.
Preparam competidores.
E, para chegar ao pódio, vale tudo.
Quando entramos na selva do mundo corporativo, fico pensando no professor de ética…
Herói da resistência – como os cidadãos sírios.

Ando lendo sobre antroposofia – ainda não tenho uma opinião formada – mas fui profundamente impactada por uma frase:
“A nossa mais elevada tarefa deve ser a de formar seres humanos livres que sejam capazes de, por si mesmos, encontrar propósito e direção para suas vidas.” (Rudolf Steiner)

Se eu tivesse lido isso antes, talvez não tivesse rodado como enceradeira por aí…