Posts com a Tag ‘sol’

Bipolaridade

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Uniforme

Há algum tempo foram-se os anéis.

Os últimos dias têm sido de um futuro incrível com sol, academia e novas viagens  – fiquei enferrujada neste quesito. Travada no presente.

Intervalos de “e agora, José?”.

Revisão de arquivos da memória – grande parte deles preenchidos com participações especiais e que não deveriam ser memoráveis.

Sozinha no meu quarto de hotel, penso em como começar – sabendo que já começou, a despeito do meu planejamento tardio.

As questões de grana nunca afetam meus planos. Sejam eles de morar em Paris ou de me acabar em algum restaurante.

E agora o sonho é fácil. Retomar as rédeas do pangaré.

A casa, os gatos, cachorro, a vida.

Eu sempre estive pronta para transformar o esquema.

Isto não me aflige.

Me aflige apenas a divisão, a negociação que, a partir de agora, deverá ser feita. Hoje e sempre.

Ainda sou dona do meu nariz, mas nunca fui do dos outros.

Paciência, Ana.

Isto eu não tenho.

Então sossega, mas como?

Lá na frente eu vejo até mais gente.

Hoje só esta impessoalidade com assinatura Blue Tree.

Sol de inverno

domingo, 28 de julho de 2013

Fugindo do frio, da casa triste, andei pela vila.
Acompanhada de meus fiéis escudeiros, chutei bola, bebi água, fiquei suja de terra.
Já pronta para ir embora, fui atraída por uma turma de jovens cabeludos em roda.
Havia vários com violão.
Havia uns coroas também.
Cada hora uma música.
Um pic-nic.
Suco, refrigerante, vinho, salgadinho.
Rodei a roda.
Senti o último raio de sol.
Daí que alguém cantou Helena.
E os mais velhos, em coro, choraram.
Fui saindo de mansinho.
A festa, a roda, a música.
Eram uma missa de sétimo dia.

Inverno na Vila Madalena.
Que pena.

por aí, atravessando a rima

O sol em São Paulo

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Sim, meu querido, alguém tem que trabalhar.
Eu e minha dupla dinâmica saímos amarrados pela vila ensolarada.
Perdemos um pé de meia.
Demos olá ao padeiro e um beijo no costureiro.
As vovós e mulheres de idade sempre nos olham com aqueles olhos muito doces de quem ficou para trás.
Sem rumo e cheios de hiatos, andamos com muita firmeza.
Cantamos canções com vogais.
Levamos sustos com caminhões.
As ruas estavam sujas – resquícios do futebol.
Vitrine.
Compramos uma para nós e outra para um africano.
São ambas negras e idênticas.
Simples e sem amortecedor.
Queremos sentir as pedras.
Engolir vento.
E não, não usaremos jamais um capacete – de queda não morreremos (sabemos).
Alice deve ir atrás.
Pirulito na cesta.

…para ler e ouvir: À bicyclette

Kona Africa Bike Three

Sábado

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Por que hoje acordei pensando que era sábado.
Sábado de sol.
Coloco minha malha.
Corro meus 7km no parque.
Banho rápido com óleo para deixar a musculatura acordada.
Carro.
Um dedinho de gim.
Zimbro, zimbro, zimbro.

E é quarta-feira.
(ainda)

Engraçadinha e seus amores

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Por aqui, tempo louco de verão.
Chuva, sol, sol e chuva e, assim, sucessivamente.
Eu, sem tempo e sem nada fazer, vou olhando a vida pela janela do carro.
Quando dá, desço e me esbaldo.

Hoje, fugi.
Fugi para o parque, para a coruja buraqueira que, com sol a pino, dormia.
Fugi de tudo o que é sério e certo e caí na gandaia matinal.

No meio do caminho não tinha pedra.
Tinha telefone, Carlos.
E vinha gente inocente me chamar para o sul.
E gente sem jeito me dizer que tomei um pé.
Eu, agradecida, desliguei.
E tomei sol.
Com pé, sem norte.

Sol de janeiro.
Feliz e acelerado.
Dizendo que, em fevereiro, é carnaval.

Coco, cocada e quebra-queixo

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Les fleurs du mal

Acordo às cinco da manhã, faço uma hora e vou caminhar.

É calor logo cedo para os transparentes.
Em Boa Viagem, admirei-me com o que vi: cerca de cinco homens de uniforme azul royal no alto dos coqueiros.
Pensei logo: que bacana, a prefeitura poda as folhas secas dos coqueiros.
Poda?
Que nada, macacada…
Mutila.

A turma cortava, sem piedade, os brotos de coco, os cachos floridos, branquinhos e tão poéticos.
Eram dezenas, quase centenas, de cocos em produção sendo ceifados deste pobre verão.
Uns hão de dizer que é para proteger o povo que vai à praia.
Ora, bolas, quem passa debaixo de um coqueiro sabe que coco dá.
E a água vale o risco quando o sol é inclemente.

Pelo calçadão, a imagem do velório.
Algumas senhoras recolhiam galhos e flores para por eles orarem mais tarde.
E eu fiquei borocoxô.
Dia feio de gente má.

Nem Baudelaire aguentaria.

Beira-rio

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

La mariquita roja trae suerte a aquellos que lo creen.

Essa coisa de ficar enclausurada.
Quando fujo, falta tempo.
Fico em carne viva.

Nesta caixa, voando.
Você me vê – creio.
Lembro de algo que me fez bem na década passada.
Espero chover.
Será que tudo seria diferente?
Duvido.

Leio as notícias, reclamo das grades, caminho da sala para o quarto.
Vejo um pedaço do mar.
E acho que estou ali, outro lugar.

Prometo respeitar as horas.
Não começar 2012 agora.
Minto e você acredita.

Viajante.
Cigana.
Mais feliz do que ontem.
Choppinho gelado em dia de calor.

A primeira vez

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ir ao cinema quando ninguém mais pode.
Nosferatu sob o sol.

Malas sem nada – e duas viagens a cumprir.
Fim de ano fim.

Fechando pastas.
Abrindo arestas.

Saindo por aí atarefada.
Sem ter nada a dizer.

Ventania.
(com você)

A conta

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ele saiu com seu velho casaco.
O prazer em sentir o vento que corta tudo o que tenta enfrentá-lo.
Pelas ruas, procurava os poucos minutos de luz do sol.
Louco, chutava o ar, como que mandando o calor embora.
Era o frio de faca que buscava.
Num café que estava na moda, pediu algo frio.
A garçonete sugeriu sorvete.
Ele topou.
Ao lado, um grupo de mulheres cacarejava.
Como grãos de milho, ciscavam histórias de colegas de trabalho, Caras e outras conversas de salão.
Ele segurava o copo de sorvete entre as mãos como que para fazer baixar a temperatura.
As pontas dos dedos ficavam cada vez mais vermelhas enquanto o sorvete derretia.
Pediu a conta.
Pagou.
E saiu correndo a derrubar cadeiras, mesas, empurrar quem atravessasse seu caminho.

O casaco ficou para trás.

Fio de luz e as vespas

terça-feira, 18 de outubro de 2011

tosco e limpo

Dormindo pouco – como me sinto melhor.
Viciada em comprar algodão em rolo.
Fazendo bolinhas com as mãos.
E o mundo gira, gira, gira, gira.
Aqui dentro, músicas de todos os tempos.
Manhattans, Áfricas e Casablanca. Ad Dār al Bayḍā.
Um ritual sufi na Via Láctea.

Deus é amoroso.
Mas faltou trazer meu negroni.
Quero aquele gole que o velho uruguaio me ofereceu em Punta.
Desci da bicicleta motorizada. Olhei para a cor de laranja e ele, elegante e desafiador, ofereceu.
Bebi sob o sol de 21h.
O bar aplaudiu e a bicicletinha me levou longe e rápido.

fina e sujinha

Sem saber se venta ou faz calor.
Sem querer saber.

E eis que um fiapinho de luz entrou.
Revelou os dedos do pé direito.

Sumiu o frio, pensei em Havanas, Jardins Botânicos, janeiros em São Paulo.
Comecei a contar.
Um, dois, três, quatro, cinco.
Cinco dedos, cindo dias, cinco noites, cinco semanas, cinco – tantas coisas.
Cantar – eu sou multicoisas.

Saí de mim e fui viajar.
Deu vontade de nadar.
E as árvores balançavam forte – eu vi.
Como um furação no Caribe.
Cabe uma árvore dentro do apartamento?
Só a de 30 milhões de anos, Pinus succinites.

Calorzinho bom.
Musiquinha caipira.
Drink dos anos 20.
Cheiro de limão capeta.

Uma tarde de âmbar.