Posts com a Tag ‘Tempo’

A cesta

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Na minha sexta, tudo cabe na cesta.
Meditação, yoga, trabalho, pagamento de conta, você.
Eu preciso fazer mil coisas ao mesmo tempo – e isto me completa.
Mas quando eu penso, eu sou objetiva, penso em um alvo.
E isto me revela.
Eu tenho muito energia, não, não sou hiperativa, deprimida, bipolar, nada.
Sou assim, mesmo, em voltagem acelerada.
Eu amo.
Abraço, afago, carinho.
Não erotize o texto.
Eu penso nos doentes.
Nos tristes.
Nos confusos.
E vou até eles.
E dou colo.
Ainda não inventaram trabalho bem remunerado para quem só faz o que eu faço – por isto faço tudo ao mesmo tempo.
Preciso de uns bicos para pagar a conta.
E de uma sexta-feira para lembrar que eu não sou santa.

Quando faz frio

Quando faz frio

Vapor

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Ando pensando muito e escrevendo na cabeça.
Saem uns textos bonitos e sem a menor revisão.
Aí me esqueço daqui e fico flanando no ar.

A estilista morta – tão bonita, tão trágica.
Os meninos ricos da internet.
As lutas televisionadas.
As empregadas.
Fica tudo assim tão século passado.

Tenho achado todos muito impacientes.
Todos correndo.
Todos atrasados.
Uma agressividade pulsante.
Uma necessidade de gritos.

Estou no olho do furacão e gosto.
Sou feliz.
Aqui não há som.
Só imagem.

Casa nova que vai subindo.
Dinheiro, como sempre, escoando rua abaixo.
Viagens.
Cartões.
Chocolate.
E bastante vinho.
Agora com direito a corrida, personal trainer.
Cabelo louro.
Cortado louco.

Vapor.
Ando rindo de tudo.
Ando calma.
Será o outono ou a primavera?

anti-ruido

Sobre a falta

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

de tempo: sim, nada mais será como antes e sobreviva a cada cinco minutos por hora.
de ganas: sim, chegou a bela hora de saber o que queres.
de alguém: ou de alguéns, ou de todos aqueles. Falta. Apenas isto.

Compro tudo de que preciso pela web.
Vassoura, maçã, adesivo decorativo, artigos de escritório, roupa de cama.
Trabalho pela web.
Vez ou outra uso a voz – agora rouca – para resolver o que ficou pendente na última reunião.
Voz que entra em cabos de fibra ótica e pode ser ouvida em outros oceanos.

Esta semana, médico.
No começo, senti incômodo.
Como pode?
Carro, sala de espera, jaleco branco, caminhada, hospital, nada certo, jaleco branco, carro, hospital, injeção.
Tanto tempo por um pouquinho de penicilina.

Tempo.
Tudo o que me falta.
Tudo o que não volta.
Essa coisa de viver cada hora lá.
Nunca cá.

Um mundo virtual que – ironia – não me deixa vir aqui descarregar meu pequeno mundo.
Vida.
Aqui, lá, hoje ou amanhã.
Sem sair para tomar sol.
Sem frequentar os bares de outrora.
Essa fita isolante, negra, grudenta.
Que me impede de respirar.

Só cinco minutos.
Fôlego.

Idas e vindas

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Pedras

Quanto mais me ausento, mais escrevo – e não publico.
Minhas viagens, antes longas, loucas, alucinadas, hoje parcas, curtas, densas.
Tensas.
Lentas.
Hoje tenho muito pouco tempo.
Faço tanto.
Corro com ritmo.
Minhas rugas, meus pouquíssimos fios brancos – vão chegando e eu, gostando.

Subi a escada de azulejos portugueses (espanhóis?) no Cosme Velho.
Vi os micos.
Sabiás.
Entrei numa paisagem que começou no século passado.
Aspirei os ares de nova vida.
Senti-me muito bem ali, em meio ao caos do que ainda não foi parido.
E que tanto promete.

Promessas.
Gosto de tudo o que não é.
Ainda.
Gosto dos causos.
Da areia que arranha meus pés e me afunda.
Gosto de ser carregada com a maré.
Água gelada.

Mesmo quando não termina bem.
O que me move é a história.
E se termina bem?
Vou com a maré…
Navego.

Branco

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

ação?


Uma semana usual
não tem poesia
Tem almoço fora
(todo dia)
correria

conversa jogada fora
venda
compra
tempo curto
sem destino

Nova York
Londres
Paris

tempo
é tudo o que me falta.

Meu espaço fica em branco.
Minha falta.
Meu espanto.

(intervalos)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Nos dias de frio, pense na velha tática de correr.

hoje?

Ocupar espaços indesejados.
Bater para se proteger.
As horas somem.
Um novo dia amanhece.

Em meses como este, de carne no açougue, fica tudo tão claro.
A insistência em falhar no último minuto.
Sem surpresa.
Em seguir por caminhos tortos.
Em não baixar (cabeça, ombro, pé) guarda.

Não tomar taça de vinho para relaxar.

O problema é que – como hoje.
Você pode acordar na hora errada.
E não ter para onde correr.

Amanhecer.

…”solidão cuja forma final é um confronto com a própria mortalidade”.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

amiga do peito

Aqui no único minuto de silêncio, espero pelo próximo da noite seguinte.

Essa invasão de corpo, de casa, de tudo o que me guardava em mim mexeu muito mais do que hormônios e do que toda essa história de “continuidade “.

Aqui nesse canto fugaz e soturno, meu rabicho de segurança se esvai.
E fico sentada com pernas cruzadas pensando em como me esconder debaixo da mesa.

Enquanto as alegrias falsas correm como rio que deságua em Tietês e Capibaribes, penso nas verdades que nunca ninguém quer ouvir.
Ou dizer.
Que tudo é apenas isso e que não há mágica ou momento eternizado.

A vida pequena nas coisas grandes, médias, minúsculas.
E os riachinhos que não terminam em lugar nenhum.
Água pura e cristalina sem sentido ou direção.

Nunca tive medo de escuro.
É o claro que me assombra.

Lights on

quarta-feira, 6 de julho de 2011

ciesta na rede ou "aclimatação relâmpago"

Enquanto São Paulo trinca no frio, o inverno de chuva e calor deu brecha para um dia com sol, passeio na praia e um olá ao comércio local com direito a picolé de banana.
Desde segunda estou matriculada na top academia local.
É uma delícia mergulhar numa cultura diferente da usual. E numa piscina poderosa!
Mulheres com muitos filhos, elite endinheirada, professores que admiram as novas técnicas de São Paulo (e não sabem que são melhores do que muita gente de lá)…
Gente que não te pergunta onde você trabalha.
(…)
Mocinhas lindas e loiras de farmácia, café da manhã na padoca?
Nada disso, na lanchonete dos chiques e famosos.
E os carros?
Parece um clip de rap americano.
Gigantes, pretos ou brancos, seguranças…
Ao sermos ofuscados pelas estrelas, ré e POW!
Um taxi ganhou um reparo no parachoque.
E ficou intrigado com o pedido de três orçamentos.
Passada a raiva e o momento arretado, já enviou dois. O mais barato de 120 pratas.
Conclusão: a academia é mais cara, a batida, não.

E a vida do lado deste trópico tem um tempo diferente.
Acho que começo a entender que a tal da pressa…
Bem, deixa para lá.

Respire

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Minha profissão, a de escrever histórias com imagens em um minuto e quarenta segundos, ensinou-me a respeitar os tempos.
Drama e comédia são gêneros difíceis justamente porque demandam altíssima sensibilidade para pausas.
Em épocas de muita pressa, a tendência geral é não respirar.
E concluir sem refletir.

A boa história pode ser óbvia.
Nem toda ruim tem mistério.
Mas é inegável que os clássicos te fazem perder o rumo em algum momento.
Os russos foram mestres em criar tempos.
Desviar de caminhos temporariamente.
Seguir um fluxo e interrompê-lo em momento de frenesi.
Os alemães, ah… Como não querer chegar ao fim de A Montanha Mágica depois de anos e páginas num sanatório?
A percepção distorcida de tempo de Castorp transforma os anos finais em dois capítulos.
Curioso é que a “locação” é Davos, templo de debates do que um dia foi a economia desenvolvida do mundo contemporâneo.

Pausa.
Em épocas de não perder a piada, respire.
Nada é o que parece ser.
E você pode não ter entendido nada.

Inspire.

Experiência

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Aquela conversa do tio, do avó, do pai.
Do colega de trabalho que já dobrou a curva.
Você não ouvia quando tinha 20.
Por que, com você, tudo seria diferente.

Na passagem dos 30, fichas começam a cair.
Bem que te avisaram.
Mas você não quis ouvir.

Quanto tempo você teria economizado?
E dinheiro?
E paciência?

Ah, a delícia de sentir a pele ainda macia.
E saber que os cabelos começam a ficar prateados.
Ah, que graça lembrar daquela certeza toda.
E olhar para frente sem saber o que será do amanhã.