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Pina, laboratórios e outros remédios

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Essa tal de Pina Bausch chegou muito muito longe. Por isso mesmo, não volta mais…
Quem não viu o espetáculo Ten Chi, coprodução de 2004 com a cidade de Saitama, no Japão, não vai entender nada a partir de agora.
“Eu não me interesso em como as pessoas se movem, mas o que as move”.
Saitama foi atingida pelo terremoto. Pina morreu em 2009.
No palco, partes de uma baleia.
Neve, neve, neve.
Os figurinos de Marion Cito deixam bailarinas e bailarinos à flor da pele.
Em meio a tudo, ouvi Brecht, Saramago, Margarete Steffin.
Notei também Gustavo Santaolla.
Para mim, o grande destaque, em meio a uma dança absurdamente bonita, envolvente e nada “acadêmica” no estrito significado, é Mechthild Grossmann.
Aquela voz me faria fazer coisas horríveis.
Me faria ser outra Ana Pessoa.
Terremoto.

*****

Minha vida agora é um laboratório. E isso tendo a incrível capacidade de estar perfeitamente saudável: nem o colesterol me faz arrepender dos excessos.

Semana sim, semana não, sou picada e apalpada.

Penso que os ambientes hospitalares são brancos para evitarem qualquer sensualidade.
O branco não é a mistura de todas as cores.
É ausência, a vergonha, a exposição sem jogo de sombras que te protejam.
Pense em um quarto com luzes apagadas e você, talvez, concorde.
Pelo menos agora, posso tomar água suja e nunca ficar amarela e contaminante.
Posso dormir na cama do faquir, sangrar nas costas e nos seios e, mesmo assim, nada acontecerá.
Dizem por aí que na maioria dos casos, quanto mais afastada do sistema nervoso estiver a ferida, mais longo é o período de incubação.
Espasmos musculares.
Trismus.
Se eu não pudesse abrir a boca, morreria de inanição verbal.