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Futurologia furada

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ontem à noite, liguei para uma astróloga para saber o que vem por aí.

Urano ainda bagunça meu coreto: vira tudo de pernas para o ar, manda eu fazer coisas que jamais faria e tal e coisa.
Junho do ano que vem é período fértil para projetos e outros quetais – a astróloga, empolgadíssima e eu já pensando em jogar sal na Terra.

Talvez seja hora de virar uma menina boa, uma mãe exemplar, uma funcionária de carreira ou virar do avesso mesmo.
E ligar para minha gerente do banco e pedir para ela cravar uma previsão para 2012.

(Risos)

Para quem está no Brasil, dia de muito sol e uma chuva falsa.
Pouco tempo, muita coisa, e uma semana que voa.
Os passarinhos, não vi.
Eles também não me procuraram.

Fechada por um gigantesco caminhão de mudança, pensei: isso é um sinal.
O caminhão me fez perder dez minutos do dia – e a cuca foi longe: afinal, quem não está “de mudança”?
Por isso, muletinhas simpáticas: smartphones, tablets, pagers, cigarros, unas copas e óculos de sol bem grandes para ficarmos escondidinhos do real.
Tudo misturado e para ontem para não pensarmos no hoje.
E embolar o meio de campo para fugir do que interessa.

Decidida a não perder os tais dez minutos, acenei para o motorista do caminhão, fechei os olhos, liguei na rádio USP e o que tocava?
Bach, A Arte da Fuga

E você vem com essa de me chamar de lugar comum…

Umbigo enterrado

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Fazenda do Pará

Ao lado de onde estamos na velha fotografia havia uma enorme castanheira.
Dela, delícias pequeninas do Pará.
Horas incansáveis de buscas entre folhas, terra e gravetos.
Tec, tac, tec.
Pedras para quebrar a casca.

O curral.
Ainda ouço bezerros aos berros.
Mães que enchiam tinas respondem com caaaaaalma.
Tomar o leite ainda quente e misturar um pouco de açúcar cristal na espuma densa.
Conhaque, espuma e leite gordo.

Suco de folha colorida.
Borboleta 89.
Contar bichos de pé.
Raspar casca de canela.

Meu avô tem hoje 90 anos.
Falo com ele todas as semanas.
Para eu voltar a vê-lo em carne, osso, pescoço e poesia faltam alguns aeroportos e quase dois meses.
Enquanto isso, matamos saudades em telefonemas aos domingos.

Deve ser grande saber-se pequeno com tanta estrada.

Houston…

quarta-feira, 20 de julho de 2011

fuja dos cachorros

Aos poucos, a cidade grande fica mais perto.
E vou rindo baixinho dos deslumbres “maiores do mundo”.
O chinelo, a loja, a academia, a loja de tecidos…
A modéstia (ou o zelo pela verdade?) fazem com que alguns denominem o negócio de “um dos maiores do mundo”…
E tudo isso para se comparar com São Paulo.
Pois a lua é uma das mais bonitas do mundo.
Os raios de som entrando na janela.
A chuva quente.
As comidinhas locais.
A simpatia.
O centro, sujo, faz a gente se sentir mais próximo.
As sandálias, arrastadas, lembram que o tempo é outro. É tempo de viver.

E sábado vamos ver como será a volta ao meu mundo.

A matilha ladra ou liberdade de expressão de butique

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Mario versus Maria?

Depois do Nobel de Llosa, o assunto nos meios digitais foi a demissão de Maria Rita Kehl do Estadão.
Engraçado essas histórias se entrelaçarem no mesmo dia…

*o*o*o*o*

Llosa é um profissional da escrita que sempre se mostrou ativo no terreno político.
Em sua juventude, foi um defensor do marxismo.
Cedo, ele se desencantou com o regime cubano e passou a denunciá-lo.
Nos anos 90, lançou-se candidato à presidência do Peru com uma plataforma que defendia um agressivo plano de privatizações e o mercado livre neoliberal.
Foi derrotado (de virada) pelo atual presidiário Alberto Fujimori.
Desgostoso, o escritor se mandou para a Europa.
Mais recentemente, Vargas Llosa passou a bater em Lula e em Chávez.
Em 2009, ele recusou um convite para participar do programa televisivo “Alô presidente” pois Chávez não topou fazer um debate direto com ele.

*o*o*o*o*

A despeito (ou por causa também de?) da gritaria dos jornalistas, Maria Rita Kehl ganhou um bilhetinho azul do Estadão.
Doutora em psicanálise, ensaísta e poeta, Maria Rita Kehl escreve na imprensa desde 1974.
Ela não é marinheira nova e conhece as regras do jogo.
No sábado passado, o Estadão publicou uma crônica em que ela elogia a atitude do jornal que havia anunciado seu apoio à Serra e desce a ripa nos que criticam o governo assistencialista de Lula e que menosprezam as massas que se beneficiam dessa política.
Falar de corda em casa de enforcado…
Para mim, ela arriscou as fichas e perdeu o jogo.

*o*o*o*o*

Eu sempre achei engraçada uma opinião corrente que defende a imprensa como o único bastião da democracia.
Ué? Jornal não é empresa privada?
Toda empresa privada defende interesses particulares, os de seus proprietários.
De instrumento de debate e pluralismo ideológico e político até meados do século XIX, a imprensa foi assumindo o papel de porta-voz dos interesses monopolistas dominantes.
Para Gramsci, os maiores veículos de comunicação assumiram “o lugar de intelectuais orgânicos da burguesia, no quadro da luta de classes, encarregando-se de assegurar a hegemonia ideológica desejada pelos patrões.”

Se o Estadão defendeu publicamente a candidatura do Serra, não é por altruísmo, é por estratégia política, comercial, etc.
E aí que não faz o menor sentido manter uma colunista que vai contra seus próprios interesses.

*o*o*o*o*

Pelo que acompanhei, tudo começou com o jornalista da Folha, o Xico Sá, fazendo pressão, via twitter: ele anunciou o desconforto do Estadão com o texto da colunista.
Ele “gritou” em um meio particular, não falou em nome da Folha de São Paulo, sua empregadora.
Em seguida, outros gritaram também.
Que absurdo, onde está a liberdade de opinião e todas essas bobagens chamadas de corporativismo (defesa exclusiva dos próprios interesses profissionais por parte de uma categoria funcional).
Ora, tudo muito válido.

*o*o*o*o*

Pero…
Se você quer tirar os urubus da Bienal, recomendo que faça-o pelos meios legais.
Porque se você tentar tirar os bichos de lá será preso por crime ambiental.
E se pixar a obra ou o edifício da Bienal, também responderá a processo por vandalismo.

*o*o*o*o*

Quer falar mal do padeiro?
Não recomendo que o faça na padaria.
E, se decidir fazê-lo, prepare-se para comer pão duro.

Censura haveria se o jornal não tivesse publicado a tal crônica.
Censura do jornal – uma decisão privada que não é fora da lei.
O jornal escolheu publicar.
E, ao acompanhar a gritaria –  em especial a dos jornalistas -, o Estadão decidiu demitir a colunista.
Fica aqui uma questão: seria a turma da gritaria cúmplice desta demissão?
Afinal,  o caso e a crônica foram usados para bater no jornal.
E o jornal, bateu em quem fez a crônica.
Efeito colateral?

*o*o*o*o*

E o que diz a Lei de Imprensa?

CAPÍTULO I DA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO E DA INFORMAÇÃO

Art. 1o É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de informações ou idéias, por qualquer meio, e sem dependência de censura, respondendo cada um, nos termos da lei, pelos abusos que cometer.

§ 1o Não será tolerada a propaganda de guerra, de processos de subversão da ordem política e social ou de preconceitos de raça ou classe.

Art. 4o Caberá exclusivamente a brasileiros natos a responsabilidade e a orientação intelectual e administrativa dos serviços de notícias, reportagens, comentários, debates e entrevistas, transmitidos pelas empresas de radiodifusão.


CAPÍTULO III DOS ABUSOS NO EXERCÍCIO DA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO E INFORMAÇÃO

Art. 16. Publicar ou divulgar notícias falsas ou fatos verdadeiros truncados ou deturpados que provoquem:

I – perturbação da ordem pública ou alarma social;

II – desconfiança no sistema bancário ou abalo de crédito de instituição financeira ou de qualquer empresa, pessoa física ou jurídica;

III – prejuízo ao crédito da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município;

IV – sensível perturbação na cotação das mercadorias e dos títulos imobiliários no mercado financeiro.

*o*o*o*o*

Para não ir longe, o jornal tem que publicar a verdade e não pode se beneficiar disso para criar caos ou colocar em risco o sistema.
A orientação intelectual, diz a lei, fica por conta da diretoria do meio.
O escritor Vargas Llosa preside desde 2008 a Fundación Internacional para la Libertad, ligada ao Instituto Cato, um think tank liberal americano. Foi o meio que ele encontrou para questionar alguns meios de imprensa corruptos e para defender jornalistas que ousam criticar os regimes de alguns países e colocam as próprias vidas em risco.
Enfim, não preciso repetir que Maria Rita Kehl fez uma aposta ao usar o Estadão para expor sua opinião política.
Aposta tola – digna de  receber um pão dormido.

*o*o*o*o*

Estamos há anos-luz do momento de formação do Estado nacional burguês, quando a imprensa funcionava como um motor propulsor do debate democrático.
O debate foi substituído pelo controle.
E o desenvolvimento da televisão foi decisivo para o processo de controle e propaganda porque acabou com as fronteiras entre os gêneros (notícia, entretenimento e publicidade) e promoveu uma “confusão” total entre eles.
As notícias passaram a ser apresentadas como show, já os programas de entretenimento simulam debates sobre a “vida real”…

Tem gente que se acha esclarecida porque “viu na novela”.

Se você quer gritar para ser ouvido com direito a continuar gritando quando bem entender, faça como tantos: use o que lhe resta.
Twitter, Facebook, blogs.
E tenha em mente que, a partir do momento em que você passar a receber dinheiro por isso, sua opinião antes ousada e radical pode ter que ser “desidradata”
Como você vai lidar com isso é que vai determinar o fim da história.

Se você vai ser um prêmio Nobel ou candidato à presidência…
Se simplesmente vai ser um cara com um público disposto a ir mais longe…
…ou se vai ficar com fama de aloprada que quis se fazer de mártir enquanto atacava quem pagava seu salário.

A pergunta que não quer calar é: Xico Sá, você agora vai arrumar emprego para a Maria Rita Kehl?
É o mínimo, não?

Reveillon

terça-feira, 20 de julho de 2010

Pivoines: florescem um mês por ano, custam 25 euros e executivo rico não leva

Ei, vocês, chatos que infernizaram minhas escolhas, que empataram minhas decisões e que hoje estão nos seus escritórios.
De um lado, uns arrancam cabelos para resolver as dívidas insolúveis.
De outro, uns não têm cabelos porque a grana sobrou e a família, os amigos, todo mundo se mandou.
Ou você é aquela que apenas encalhou e vive perdida numa série de reuniões.
Viajem muito.
Trabalhem duro.
Como se não houvesse amanhã.
Não há!

Para mim o ano começou hoje.
O ano? Acho que nasci ontem.
Papo de blog?
Papo de mais de 35.

Não dormi.
Passei a madrugada escrevendo.
O começo de uma história.

Não, não quero essa vida chata de corporação.
De gente pequena, gorda, careca, sem graça,
que não bebe de segunda à sexta, que se esconde atrás do cartão (de visita e de crédito).
Que arruma filho para segurar algo que já acabou.
Que acha que ser gente está relacionado a “onde” ou “ter”.

É tarde, é tarde, é tarde

Ei, você aí!
Topa tomar um drink de menina comigo hoje às 19h?
Ei, o que faz bem não engorda.
Só engorda quando é para trocar alho por bugalho.
E se você chegar atrasado amanhã, tudo bem.
Mate os colegas de inveja.
Chegue bem tarde e um pouco descabelado.
(Com cara de quem fez o que não devia, mas que valia)

Hoje saí por aí com uma amiga.
Esbarrei num ator da Globo.
Feliz e anônimo com dois filhinhos.
Fazia um sol do cão.
Depois de andar uma hora com a gringa para trocar dinheiro, ela cansou.
Encheu meu saco.
Tem casa há 20 anos em Paris e confundiu o Louvre com o Quai d’Orsay.
Entramos no metrô.
Esperei a porta abrir e…
Quando o trem já ia partir, pulei!
Deixei a moça falando sozinha e chupando pirulito dentro da estação.
Simplesmente e literalmente pulei fora.
Sai de mim, gente chata.
Gente que adora falar de si, dos seus problemas, de suas conquistas, de si, de si e só.
Eu só quero céu azul, sola gasta, poesia de manhã e de noite.
Dinheiro também, mas sem muito foco.
Quero gastar em flor de 25 Euros.
Em molho de Marseille.
Na Capadócia.

Ei, vem beber comigo hoje?
Acabei de completar minhas primeiras horas.
E não vou perder tempo.

Macunaíma prontíssima!

Ferro & Fogo

terça-feira, 9 de março de 2010
Bang!

Somos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro

Eu adorei a derrota de Cameron para Bigelow. Porque Avatar é um filme micho, smurfs para adultos. Comprei nessa viagem, e em blue-ray, o filme da diretora premiada – que já havia saído de cartaz lá e, aqui, acho que nem entrou. Mas desconfio que não vou gostar (ainda não assisti). Segundo o Estadão, “a própria ideia do filme – a adrenalina que move os soldados de Kathryn, na Guerra do Iraque – estaria (está?) mais para afirmação do que contestação do establishment militar. Os militares são os vilões de Avatar e os heróis de Guerra ao Terror. Os heróis?”

E o jornal vai mais longe: “É esse o enigma Kathryn Bigelow. Desde o começo da carreira dela, Kathryn tem seguido vias tortuosas para expressar sua fascinação pelo mal.”

Mas que eu achei ótimo ver o diretor dançar, achei. A prepotência, o macho, o espetáculo pelo espetáculo contra um bom e velho argumento: a guerra de verdade – mesmo que na do filme vencedor do Oscar os soldados americanos vençam uma vez mais.

Dizem por aí que a diretora americana gosta de repetir uma citação de Freud: as pessoas gostam de olhar o que estão proibidas de ver. E, nisso, o pai da psicanálise estava muito certo. As filas na estrada quando há um acidente, as janelas indiscretas da cidade grande, o trocador de roupa do magazine… O político que coloca dinheiro na meia, a cirurgia plástica que virou seriado de TV a cabo, a babá que espanca velhos e crianças em horário nobre.

Eu, por meu lado, estou vivendo uma experiência nova. Você tem idéia do que seja chegar com email, computador, flores na mesa (dia da mulher – bah!), exame feito, documentos levantados, carro comprado (que só chega em 60 dias), placa do atual registrada na garagem, etc, etc, etc? Esses pequenos mimos me atraem – e muito. Tá certo que vivemos e trabalhamos sem precisar de nada disso, mas é essa a tal da diferença.

E imaginem minha cara ontem, quando ao entrar no consultório do médico do trabalho, o fofo sentou-se na cadeira e (nada de sala limpa, recepcionista simpática, gadgets que aferem pressão, que levantam colesterol e glicose)  mandou fechar a porta. Achei tão deselegante. Ele lá, cômodo, sentado e eu tendo que me deslocar até a porta para fechá-la. Pois foi com essa porta real que fechei a minha porta literal.

Claro que `as 16h30, quando desligaram meu email, senti um apertinho no peito (o fato do meu blackberry estar sem acesso a internet por uma semana ajudou). Perdi todos meus emails de despedida. Todos. Freud explica o fato de eu não ter guardado justamente esses emails. É a tal da porta que fica entreaberta.

Mas uma coisa é certa: estou curtindo já saber que tenho que ir para o Rio amanhã, para a Áustria na segunda semana de abril, que tenho um calendário gigante a me ajudar… Esse negócio de ir com fé e sem planejar me parece coisa de homem das cavernas. Eu não sou certinha e arrumadinha, mas curto saber onde vou estar amanhã. Nem que minimamente.

E para fechar o post com cinema, o tal do argentino que ganhou é um lixo. Eu vi em novembro em Buenos Aires. El secreto de sus ojos era uma febre por lá, eu achei tragicômico. Saca novela da Globo nos anos 80… Ciranda de Pedra? Tipo isso. Os atores canastríssimos – Ricardo Darín cada dia despenca mais uma ladeira – , o roteiro frouxo, pessimamente amarrado… Mas os caramelos que comprei e o fato de ser dia de semana, três da tarde… De qualquer modo esse é um filme que não representa a maestria dos portenhos nessa área. Uma pena.

Para curtir:

Matéria fresquinha da Time Magazine http://www.time.com/time/arts/article/0,8599,1970502,00.html (descubra por que Avatar e George Clooney viraram piada na noite do Oscar)

Indicação de blog de mulheres de trinta e de um post muito bom sobre separação, burocracia e humor: http://3xtrinta.blogspot.com/2010/03/cartorios-nao-gostam-de-divorciadas.html


Que Ney sou eu?

sábado, 6 de março de 2010
Trabalho e chuva

Trabalho e chuva

Se você é como eu e acorda cedo… Junte-se às sombrinhas e vamos fechar revista.

Adoro chuva.
(Quando não tenho que sair para nada)

Ontem tudo acabou.
Juntei meus poucos papéis, minha garrafa d’água e fui embora… para o show do Ney Matogrosso.
Antes, parada no restaurante que fica em frente à casa de shows para celebrar um novo começo. Taittinger e alguns snacks. Meu espírito se (re)encontrou nos comes e bebes. Há tempos que ele fervia em bebidinhas francesas. Mas eu tinha esquecido desse prazer da conta paga.
A saída foi suave. Deixo no Terra um monte de amigos. Fomos todos felizes nos últimos 15 meses. Recebi muitos abraços, muitos emails. Não chutei os cachorros – como já fiz em algumas ocasiões. Risos.
E Ney? Meu Deus, quem inventou esse cara?
A voz, a postura, a presença de palco. Ele manda calar e a platéia obedece. A platéia grita e ele provoca.
Lara Stone + Jack Nicholson + Kiss = Ney.
Engraçado foi que, só ontem, consegui realizar o que tentei há 15 anos.
Pobrinha e abusada, comprei – no cheque especial – 2 ingressos para um show do Ney no Palácio das Artes. Fui a primeira da fila, escolhi os melhores assentos. Passei um cheque sem fundos. Atenção para a híperinflação…

O show era muito disputado. Ney cantava de terno negro e ficava só com um fio dental no final. Ingressos esgotaram-se em 2 horas.
Mas passei num curso besta de jornalismo de Navarra e, justo no domingo do show, tive que ficar com uns espanhóis autoritários e tarados fechando jornal.
No meu lugar foi vovó, esperta e com 72 anos. Eu só chupei picolé.

Pois ontem foi espetacular. Que repertório. Tango, bolero, flamenco.

Dono do palco

Dono do palco

Os músicos se dissolvem no cenário limpo, com tons de azul, rosa, vermelho.
Em apenas uma música tudo vira um carnaval com acréscimo de verde e amarelo.
Ney magrinho num terno Panamá. Mulher que deixa as mulheres loucas.

O dia foi realmente lindo.
Brunch, almoço, fim de trabalho e balanço geral.
Champagne, Ney Matogrosso e brigadeiro de colher a uma da manhã. (Foi meu reveillon)

Agora, chove lá fora.
Eu tenho que ir trabalhar.

Alegria de pobre, diz o ditado, dura pouco.

Brincando de casinha

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

stuckwrong

Gosto da composição acima.
Ela parece uma declaração de amor.
Se você prestar atenção, descobre que não é bem isso.

Hoje foi um dia de finalmentes.
O Festival ferve – literalmente. São Paulo, 37 graus.
Engraçado foi de manhã. Tava 40 graus dentro do escritório e com ar ligado. E não estou falando de temperatura.
A revista, fechamos. Agora é só ano que vem.

Mas esse post é sobre brincar de casinha.
Quantos casais você conhece?
E eles são iguaizinhos ao seu desenho do maternal?
Papai, mamãe, filho e filhinha? Um gatinho talvez?
Vou fazer um panorama do que vejo ao meu redor:

1) Trabalho um: dois moços descasados. Um casou pela segunda vez. O outro tem dois filhos lindos e está solteiro.
Das 7 meninas, 5 casadinhas. 3 com filhos. 1 esperando. Ao que tudo indica, todas são família de comercial de margarina.

2) Trabalho dois: 3 meninas, 2 meninos.
1 casada – mas o marido vive fora (Europa-Salvador-SP) e tem filhos do primeiro casamento.
2 solteiras.
Dos meninos, um é gay, casado ha 20 anos. O outro é novinho e tem uma filhinha. Trabalha na redação de dia e toca de noite. Não se encaixa no padrão papi,mami, filha.

3) Trabalho três: quatro meninos.
Todos casados. Na verdade, juntados.
Só um tem filha. E casou com a cunhada.

De 18, cinco se encaixam no padrão. 27,7%.
Não é uma pesquisa científica. É uma amostra do meu universo mais próximo.
E não me incluí na contagem. Se me incluo vai para 26,3%

Quem inventou essa história de felicidade em caixinha? De família feliz? Casinha com chaminé?
Olha, fiz antropologia e não vou ficar aqui discursando sobre a importância de modelos e arquétipos.
Mas eu tenho a leve desconfiança que o modelo foi criado para fugir da realidade. Para enquadrar no impossível.

Se somos tão diferentes e vivemos num mundo tão misturado, um modelo só não dá conta da diversidade.

Mas tá cheio de gente com culpa católica. Sofrendo porque não mora na casinha feliz.

Olha, eu sou Pollyanna com limão.
Eu sou feliz quando dá para ser.
Mas não sofro muito pelos 3 kg (6?) que tenho em excesso.
Por não ter casa com chaminé.
Por ter chulé.

Na boa?
Ter filhos hoje é obrigação.
Eu toda semana tenho que dar uma explicação.
A que eu mais gosto é a de que o problema não é comigo.
Porque meu amigo Dante logo avisou:
O inferno são os outros.
No caso, os que perguntam.

E a gente ri de criança que acredita no Papai Noel.

PS: Acho que nos próximos 3 dias esse blog vai ficar meio sem novidades. No twitter eu já apostei: vou falar tanto que vou perder pelo menos 1/3 dos meus seguidores.
Mas é que o Festival agora vai ser meu dono.

While a clock full of butterflies on the hour

Releases a thousand moths

You say “leave” and I’ll be gone

Without any remorse
No letters, faxes, phones, or tears
There’s a difference between bad and worse

Planejamento?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A carinha até que está boa

A carinha até que está boa

Segundo o Houaiss, planejamento significa “serviço de preparação de um trabalho, de uma tarefa, com o estabelecimento de métodos convenientes.”

Hoje quero falar de um grande planejador. Um cara de família do Queens. Os avós vieram da Polônia, Romênia e Áustria entre 1900 e 1905.
Comendo pelas bordas, com um grande senso de oportunidade e uma cara de pau – que é necessária entre “os” caras – ele se deu bem.
A começar pela Nasdaq. O cara farejou uma maneira de fazer dinheiro quando o mundo eletrônico invadia a bolsa.
Com um software rápido num deserto, ele começou a cobrar pouco para que usassem sua empresa para negociar ações. Em pouco tempo, tinha uma clientela gigante.
Quando a concorrência questionou a legalidade do negócio, ele assumiu a presidência da Nasdaq e conseguiu deixar sua firma numa boa. Jogada de mestre.
Do Queens para uma penthouse no Upper East Side.
Bernard Madoff passou grande parte de seus 71 anos numa boa.
Da Nasdaq em diante, só se cercou de bacanas e fez um clube fechado de investimento.
Muito figurão implorou para que ele administrasse seu dinheiro.
Mas seus trambiques cresceram numa proporção que ele não conseguiu mais segurar.
E pronto – aposentou-se numa cela. Isso é que é planejamento.

Dizem que Bernie Madoff, o bruxo do esquema Ponze que fez USD 20 bilhões evaporarem (e não 65 como a imprensa divulgou), vive de bom humor na cadeia. Faz exercícios, lê muito, mantém o cela arrumada.
Talvez porque, pela primeira vez em décadas, ele não tem sobre as costas o peso de seu segredo.
Segundo a Fortune, esse fardo foi entregue. Para os membros da família dele, cujo nome estará eternamente debaixo de sombras. Para o ex-funcionários que perderam os seus meios de subsistência e estão agora lutando para obter novos empregos com a mancha do nome Madoff em seus currículos. E, acima de tudo, para suas vítimas, muitas das quais estão lutando para sobreviver. Madoff deixou um histórico de bagunça. E vai levar um longo tempo para arrumá-la. (http://money.cnn.com/2009/04/24/news/newsmakers/madoff.fortune/index.htm)

Não é porque o cara é desonesto que ele tem que ser desorganizado.
Ele tinha um objetivo.
E usou de métodos ilegais para chegar lá.
Imagino que, hoje, ao pesar na balança a vida que teve, talvez não se arrependa muito.

Agora, o que não se fala muito é dos caras que usavam a empresa de Madoff para fraudar a Receita. Sabe aquela turma de bancos e ricos que dizia que havia perdido milhões e até bilhões investidos por Madoff? Pois é… Muitos deles, durante anos, usaram a empresa de Madoff para fraudar o Leão americano. Funcionava assim: se eles tivessem tido ganhos expressivos num ano, declaravam que, com a empresa de Madoff, haviam perdido dinheiro. E, assim, pagavam menos imposto. Simples e sujo.

Diz minha avó: ladrão que rouba de ladrão…

Enfim, tudo isso para metaforicamente falar da falta de planejamento da minha empresa.
Os caras ralam, fazem coisas legais e se atropelam no lançamento.
Gente, assim não dá!

Meu nome em Marte

segunda-feira, 20 de abril de 2009

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Em homenagem ao meu estado atual, resolvi mandar meu nome para Marte. A Nasa está cadastrando os nomes dos interessados num microchip de um robô que será enviado ao planeta gelado em 2011.

Vai saber se um ET se interessa… Se lá existem organismos que vivem sem oxigênio e se alimentam de enxofre, o microchip deve servir de algo…

Se vc quer cadastrar seu nome, não se acanhe. É só entrar no site:
http://mars.jpl.nasa.gov/msl/participate/sendyourname

nasa-certificate4

O meu certificado é número 8547…