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O dia mais curto

quarta-feira, 3 de março de 2010
mutante

mutante

Deu no Terra hoje

“Cientistas da Agência Espacial Americana (Nasa), afirmam que o terremoto de magnitude 8,8 que atingiu o Chile no dia 27 pode ter reduzido a duração dos dias na Terra. Segundo a Nasa, o terremoto deve ter encurtado a duração de um dia a Terra por cerca de 1,26 microssegundo (um microssegundo é a milionésima parte de um segundo).

(…)

O dado mais impressionante levantado no estudo é sobre o quanto o eixo da Terra foi deslocado pelo terremoto. “

Ou seja: tirando o tempo no trânsito, a vida no trabalho… Temos agora menos minutos para aproveitar a vida. Portanto, o terremoto abalou a todos. Preste atenção.

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Hoje foi um dia de comunicar ao time que estou pendurando a chuteira. Bom e incômodo ao mesmo tempo. Chato na verdade.
Sair é uma decisão. Mas deixar o povo querido, não.
Por isso é chato – porque eu adoro o meu povo. E deixar o dia-a-dia de convívio me dá peninha.

Por outro lado, fico pensando…
Eu não sossego. Eu não consigo ficar quieta.
Ou isso é insanidade ou não tem tratamento – risos.
O fato é que sou cigana comportamental.
Eu não tolero rotina. (Não que meu atual e futuro ex-trabalho seja automatizado)
Eu sou daquelas que vai na frente para ver a tsunami de perto. E morre afogada – ou toma um capote.
Eu sempre fiquei encucada com isso: talvez eu tenha metas fáceis. Deppois que cumpro, quero mais.
Talvez eu tenha sido precoce em algumas coisas e tenha uma paciência diminuta.
Talvez…
Vai ver que eu não seja tão especial assim e, como todo mundo, estou buscando meu lugar ao sol – com direito a espreguiçadeira.

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tempo

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Sabe aquele cara que se acha? Pois é, pintou hoje do além jogando charme. Eu me divirto com esses tipos. Eles têm certeza de que o mundo gravita em torno deles. Eles, eles, eles, eles, eles e eles. No terremoto, eles. No Haiti, eles. Acho que foi por isso que fiquei com bode de TV: muita estrela para nenhuma constelação. Mas adoro dar corda para ver até onde vai a falta de noção.
Maldosona.

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Sabe aquela marra de colonizador? Saia no fogo e caia na fogueira. RISOS! O mundo é redondo mesmo. E não adianta fugir. A gente vai se esbarrar em algum momento.

E, com toda certeza, eu estarei cheia de idéias…

Não é mesmo aqui

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

ninja

Ontem de noite, os amigos da Globo já começaram a agourar no twitter. “Tragééééédia no Haiti.”
Depois de “enfrentar” tsunami, avião da Tam, incêndio em boate em Buenos Aires, guerras e outras maravilhas da natureza ou dos homens, eu desenvolvi um ceticismo filosófico que é uma verdadeira muralha.

Ceticismo (sképtomai, “olhar à distância”, “examinar”, “observar”) é a doutrina que afirma que não se pode obter nenhuma certeza a respeito da verdade, o que implica numa condição intelectual de dúvida permanente e na admissão da incapacidade de compreensão de fenômenos metafísicos, religiosos ou mesmo da realidade. O termo originou-se a partir do nome comumente dado a uma corrente filosófia originada na Grécia Antiga.

Enquanto eu discutia sobre pipoca no twitter, o Haiti ia dominando o timelime alheio.
Hoje, depois do pilates, fazendo uma corrida bem preguiçosa na esteira da academia, enquanto eu assitia a The  New Adventures of Old Christine, as tvs do meu lado repetiam e repetiam as imagens. Moço preso pelas pernas, menina caída no chão enquanto colegas choram, prédios do governo transformados em panqueca. Meu ex-chefe mais querido tinha a expressão grave. Minhas ex-colegas de bastidores até apareceram na TV para mostrar que a turma toda estava trabalhando para mostrar as piores imagens de mais uma “tragéééééééééédia” fora do Brasil.
E dá-lhe repetir as imagens da desgraça alheia, informar e faturar.

Inspirada, fui construindo meu post imaginário.
Pau no Haiti. Pau no Lula-lelé.
Pau em todos aqueles que acham que a infelicidade de quem está mais longe é mais importante do que a nossa.
Pau em que doa para a África.
Pau em quem adota vietnamita.
Pau em quem não estudou relações internacionais e acha que a ONU manda ou serve para alguma coisa.
Se tem um papo que me incomoda deveras é aquele: “pelo menos não temos terremotos, maremotos, etc. Somos privilegiados”.

Quem tem favela, rio poluído, PCC, Terceiro Comando, Comando Vermelho, Amigos dos Amigos, Arruda, Paulo Octávio, quem não tem luz, não tem esgoto, não tem médico, não tem hospital, não tem plantão de emergência, não tem saúde, não tem escola… O que é maremoto, tsunami, terremoto?
Eu nem vou entrar nos números. De quantos jovens morrem assassinados por armas de fogo, de quantos brasileiros morrem esmagados em acidente de trânsito, de quantas famílias arrebentadas depois que um morro caiu sobre suas cabeças num dos lugares mais lindos do país.

Repito algumas palavras do ilustre presidente que me governa, palavras que usou para fechar 2009:

“Você não pode deixar de dar comida para um porco porque você não gosta do dono do porco”
O brilhantismo foi proferido numa inauguração em São Bernardo, na Grande São Paulo. O aviso era para governadores e prefeitos que não são simpáticos ao governo federal. Os donos dos porcos seriam os prefeitos e governadores. E os porcos, seriam, de acordo com o presidente, os brasileiros.

Não seria bacana se o presidente desse comida para os porcos que ele governa? No lugar de ir para o Haiti, por que não gritamos “Tragéééédia: existe gente que vive em barraco, sem luz, sem esgoto. Vamos acabar com a favela, construir bairros, e transformar esses brasileiros verdadeiros cidadãos?”.

Olha, eu não me orgulho de não poder pagar mais para a Antônia que cuida da minha casa como se fosse dela porque eu tenho que pagar 250 reais para ela pegar quatro ônibus por dia e mais 100 de INSS para ela NÃO ter direito a um atendimento médico de qualidade. Eu me sinto péssima quando pago 250 paus para ela fazer um exame num laboratório particular que tem preços camaradas para a “baixa renda” porque o posto de saúde onde ela deveria ser atendida diz que o tal exame pode demorar um ano para ser marcado…

Agora que descubro que Zilda Arns morreu no Haiti, meu post vira mesmo um manifesto.
Perdem todos os brasileiros.
Por que Zilda Arns tinha que estar no Haiti? Por que brasileiros tinham que estar lá?
Zilda vai fazer muito mais falta para nós do que para o Lula.
Mas o Brasil tem seu Barão do Rio Branco às avessas, na versão “dono da pocilga”, e o importante é fazer bonito para americano ver.
É pegar o dinheiro que não temos para fazer jogo de futebol na pocilga alheia, para mandar 1,3 mil soldados que não falam francês para morrerem longe de casa, para fazer seu xixizinho em terras estrangeiras e marcar um território que nunca será nosso.

“É o privilégio de ser brasileiro.
Afinal, não temos terremoto.”

Em tempo: Zilda viajou para o Haiti no domingo (10) e realizaria uma palestra às 10h desta quarta-feira na Conferência Nacional dos Religiosos do Caribe. Viúva, mãe de cinco filhos, Zilda Arns Neumann tinha 75 anos, era médica pediatra e sanitarista, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança (que em 26 anos acompanhou 1,8 milhão de crianças menores de seis anos e 1,4 milhão de famílias pobres em 4.060 municípios) e fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa. Atualmente mais de 100 mil idosos são acompanhados mensalmente por 12 mil voluntários de 579 municípios de 141 Dioceses de 25 Estados brasileiros.
Em 2002, recebeu o Prêmio “Heroína da Saúde Pública das Américas”, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).
Foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz.