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Câmeras, reação

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

away, away, aw...

Em tempos de realidade em inglês, o que é um coitado de um blog?
Não, você não entra em meu quarto, não me acompanha quando escovo os dentes.
E, mesmo assim, você vê tanto de mim.
Você está aqui.

Do lado de lá…
Nem o navio que bateu na pedra, tombou e matou gente ganhou tanto espaço.
No Brasil, o assunto que domina os pontos de ônibus, calçadas, botequins, recepções de médico e baias de escritórios é o estupro ao vivo, na sua sala de visitas, no seu quarto.
Sim.
Os dois beberam, a moça apagou e, pelo que circula em twitter e facebook, o moço continuou a história sem o consentimento dela.
E a TV?
A TV entrou para a turma do “deixa disso”.
Como assumir que deu guarida para um crime?
Como assumir que o lixo, a escória, o vil e o feio em suas mãos são puro ouro?

Rapidamente as imagens sumiram.
A máquina trabalhou para encobrir tudo.
Nas redes sociais, rastros do crime.

E que é certo? O que é feio e sujo em terras sem lei?

Não sei se quero entender o que se passa.
Como diria meu amigo Ely, “aqui só se fala em outra coisa”…

A matilha ladra ou liberdade de expressão de butique

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Mario versus Maria?

Depois do Nobel de Llosa, o assunto nos meios digitais foi a demissão de Maria Rita Kehl do Estadão.
Engraçado essas histórias se entrelaçarem no mesmo dia…

*o*o*o*o*

Llosa é um profissional da escrita que sempre se mostrou ativo no terreno político.
Em sua juventude, foi um defensor do marxismo.
Cedo, ele se desencantou com o regime cubano e passou a denunciá-lo.
Nos anos 90, lançou-se candidato à presidência do Peru com uma plataforma que defendia um agressivo plano de privatizações e o mercado livre neoliberal.
Foi derrotado (de virada) pelo atual presidiário Alberto Fujimori.
Desgostoso, o escritor se mandou para a Europa.
Mais recentemente, Vargas Llosa passou a bater em Lula e em Chávez.
Em 2009, ele recusou um convite para participar do programa televisivo “Alô presidente” pois Chávez não topou fazer um debate direto com ele.

*o*o*o*o*

A despeito (ou por causa também de?) da gritaria dos jornalistas, Maria Rita Kehl ganhou um bilhetinho azul do Estadão.
Doutora em psicanálise, ensaísta e poeta, Maria Rita Kehl escreve na imprensa desde 1974.
Ela não é marinheira nova e conhece as regras do jogo.
No sábado passado, o Estadão publicou uma crônica em que ela elogia a atitude do jornal que havia anunciado seu apoio à Serra e desce a ripa nos que criticam o governo assistencialista de Lula e que menosprezam as massas que se beneficiam dessa política.
Falar de corda em casa de enforcado…
Para mim, ela arriscou as fichas e perdeu o jogo.

*o*o*o*o*

Eu sempre achei engraçada uma opinião corrente que defende a imprensa como o único bastião da democracia.
Ué? Jornal não é empresa privada?
Toda empresa privada defende interesses particulares, os de seus proprietários.
De instrumento de debate e pluralismo ideológico e político até meados do século XIX, a imprensa foi assumindo o papel de porta-voz dos interesses monopolistas dominantes.
Para Gramsci, os maiores veículos de comunicação assumiram “o lugar de intelectuais orgânicos da burguesia, no quadro da luta de classes, encarregando-se de assegurar a hegemonia ideológica desejada pelos patrões.”

Se o Estadão defendeu publicamente a candidatura do Serra, não é por altruísmo, é por estratégia política, comercial, etc.
E aí que não faz o menor sentido manter uma colunista que vai contra seus próprios interesses.

*o*o*o*o*

Pelo que acompanhei, tudo começou com o jornalista da Folha, o Xico Sá, fazendo pressão, via twitter: ele anunciou o desconforto do Estadão com o texto da colunista.
Ele “gritou” em um meio particular, não falou em nome da Folha de São Paulo, sua empregadora.
Em seguida, outros gritaram também.
Que absurdo, onde está a liberdade de opinião e todas essas bobagens chamadas de corporativismo (defesa exclusiva dos próprios interesses profissionais por parte de uma categoria funcional).
Ora, tudo muito válido.

*o*o*o*o*

Pero…
Se você quer tirar os urubus da Bienal, recomendo que faça-o pelos meios legais.
Porque se você tentar tirar os bichos de lá será preso por crime ambiental.
E se pixar a obra ou o edifício da Bienal, também responderá a processo por vandalismo.

*o*o*o*o*

Quer falar mal do padeiro?
Não recomendo que o faça na padaria.
E, se decidir fazê-lo, prepare-se para comer pão duro.

Censura haveria se o jornal não tivesse publicado a tal crônica.
Censura do jornal – uma decisão privada que não é fora da lei.
O jornal escolheu publicar.
E, ao acompanhar a gritaria –  em especial a dos jornalistas -, o Estadão decidiu demitir a colunista.
Fica aqui uma questão: seria a turma da gritaria cúmplice desta demissão?
Afinal,  o caso e a crônica foram usados para bater no jornal.
E o jornal, bateu em quem fez a crônica.
Efeito colateral?

*o*o*o*o*

E o que diz a Lei de Imprensa?

CAPÍTULO I DA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO E DA INFORMAÇÃO

Art. 1o É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de informações ou idéias, por qualquer meio, e sem dependência de censura, respondendo cada um, nos termos da lei, pelos abusos que cometer.

§ 1o Não será tolerada a propaganda de guerra, de processos de subversão da ordem política e social ou de preconceitos de raça ou classe.

Art. 4o Caberá exclusivamente a brasileiros natos a responsabilidade e a orientação intelectual e administrativa dos serviços de notícias, reportagens, comentários, debates e entrevistas, transmitidos pelas empresas de radiodifusão.


CAPÍTULO III DOS ABUSOS NO EXERCÍCIO DA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO E INFORMAÇÃO

Art. 16. Publicar ou divulgar notícias falsas ou fatos verdadeiros truncados ou deturpados que provoquem:

I – perturbação da ordem pública ou alarma social;

II – desconfiança no sistema bancário ou abalo de crédito de instituição financeira ou de qualquer empresa, pessoa física ou jurídica;

III – prejuízo ao crédito da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município;

IV – sensível perturbação na cotação das mercadorias e dos títulos imobiliários no mercado financeiro.

*o*o*o*o*

Para não ir longe, o jornal tem que publicar a verdade e não pode se beneficiar disso para criar caos ou colocar em risco o sistema.
A orientação intelectual, diz a lei, fica por conta da diretoria do meio.
O escritor Vargas Llosa preside desde 2008 a Fundación Internacional para la Libertad, ligada ao Instituto Cato, um think tank liberal americano. Foi o meio que ele encontrou para questionar alguns meios de imprensa corruptos e para defender jornalistas que ousam criticar os regimes de alguns países e colocam as próprias vidas em risco.
Enfim, não preciso repetir que Maria Rita Kehl fez uma aposta ao usar o Estadão para expor sua opinião política.
Aposta tola – digna de  receber um pão dormido.

*o*o*o*o*

Estamos há anos-luz do momento de formação do Estado nacional burguês, quando a imprensa funcionava como um motor propulsor do debate democrático.
O debate foi substituído pelo controle.
E o desenvolvimento da televisão foi decisivo para o processo de controle e propaganda porque acabou com as fronteiras entre os gêneros (notícia, entretenimento e publicidade) e promoveu uma “confusão” total entre eles.
As notícias passaram a ser apresentadas como show, já os programas de entretenimento simulam debates sobre a “vida real”…

Tem gente que se acha esclarecida porque “viu na novela”.

Se você quer gritar para ser ouvido com direito a continuar gritando quando bem entender, faça como tantos: use o que lhe resta.
Twitter, Facebook, blogs.
E tenha em mente que, a partir do momento em que você passar a receber dinheiro por isso, sua opinião antes ousada e radical pode ter que ser “desidradata”
Como você vai lidar com isso é que vai determinar o fim da história.

Se você vai ser um prêmio Nobel ou candidato à presidência…
Se simplesmente vai ser um cara com um público disposto a ir mais longe…
…ou se vai ficar com fama de aloprada que quis se fazer de mártir enquanto atacava quem pagava seu salário.

A pergunta que não quer calar é: Xico Sá, você agora vai arrumar emprego para a Maria Rita Kehl?
É o mínimo, não?

Rodopiando

quarta-feira, 3 de março de 2010
Alê, MaÍra, Jorge Clerc e eu - Gato Negro para alegrar

Alê, MaÍra, Jorge Clerc e eu - Gato Negro para alegrar

Esses dias têm sido Ana ao cubo. TUUUUUUUDO ao mesmo tempo.

Agora mesmo gripei ou fiquei alérgica.  Achei um delivery de sopa no prédio e estou com uma coriza chata. Um ponto positivo e um negativo. E  tenho que correr para a Vogue – semana de fechamento da revista i. A revista está linda de morrer – e os textos, estupendos. Mas o meu pique “tá faiado“.

Alguns me perguntam sobre filhos. Outros, chai latte. De manhã despachei bicho de pelúcia, computador, creme – família toda presenteada via Correios e Telégrafos. No almoço, adieu mes amis. Com nosso ritual de Gato Negro e um certo ar ébrio no escritório.

Amanhã tenho assinatura na justiça (tema para um looooongo post), e reunião para oficializar minha saída da sociedade que foi um sonho, uma república e uma dúvida – e nenhuma dívida. Mas que tem gente muito bacana e correta – coisa rara nos dias de hoje. E tenho que trabalhar. E tenho que organizar a casa para quem vier. E tenho que escrever, escrever, escrever. E tenho tanta coisa que queria ficar de pantufa assistindo tevê. Quem sabe um brigadeiro de colher.

O fato é que o que eu queria mesmo era um tempo para respirar.

(Vou correr para a Vogue e tento terminar esse post de lá – mas não prometo nada. Tanta coisa para falar e eu aqui com a mão coçando e sem poder contar. Ai ai)

O dia mais curto

quarta-feira, 3 de março de 2010
mutante

mutante

Deu no Terra hoje

“Cientistas da Agência Espacial Americana (Nasa), afirmam que o terremoto de magnitude 8,8 que atingiu o Chile no dia 27 pode ter reduzido a duração dos dias na Terra. Segundo a Nasa, o terremoto deve ter encurtado a duração de um dia a Terra por cerca de 1,26 microssegundo (um microssegundo é a milionésima parte de um segundo).

(…)

O dado mais impressionante levantado no estudo é sobre o quanto o eixo da Terra foi deslocado pelo terremoto. “

Ou seja: tirando o tempo no trânsito, a vida no trabalho… Temos agora menos minutos para aproveitar a vida. Portanto, o terremoto abalou a todos. Preste atenção.

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Hoje foi um dia de comunicar ao time que estou pendurando a chuteira. Bom e incômodo ao mesmo tempo. Chato na verdade.
Sair é uma decisão. Mas deixar o povo querido, não.
Por isso é chato – porque eu adoro o meu povo. E deixar o dia-a-dia de convívio me dá peninha.

Por outro lado, fico pensando…
Eu não sossego. Eu não consigo ficar quieta.
Ou isso é insanidade ou não tem tratamento – risos.
O fato é que sou cigana comportamental.
Eu não tolero rotina. (Não que meu atual e futuro ex-trabalho seja automatizado)
Eu sou daquelas que vai na frente para ver a tsunami de perto. E morre afogada – ou toma um capote.
Eu sempre fiquei encucada com isso: talvez eu tenha metas fáceis. Deppois que cumpro, quero mais.
Talvez eu tenha sido precoce em algumas coisas e tenha uma paciência diminuta.
Talvez…
Vai ver que eu não seja tão especial assim e, como todo mundo, estou buscando meu lugar ao sol – com direito a espreguiçadeira.

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tempo

tempo

Sabe aquele cara que se acha? Pois é, pintou hoje do além jogando charme. Eu me divirto com esses tipos. Eles têm certeza de que o mundo gravita em torno deles. Eles, eles, eles, eles, eles e eles. No terremoto, eles. No Haiti, eles. Acho que foi por isso que fiquei com bode de TV: muita estrela para nenhuma constelação. Mas adoro dar corda para ver até onde vai a falta de noção.
Maldosona.

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Sabe aquela marra de colonizador? Saia no fogo e caia na fogueira. RISOS! O mundo é redondo mesmo. E não adianta fugir. A gente vai se esbarrar em algum momento.

E, com toda certeza, eu estarei cheia de idéias…

do gên. Micrurus, da fam. dos elapídeos

segunda-feira, 23 de novembro de 2009


Pavonice parece nome de caipira.
“Pavonice Santos e Silva”.

A pavonice sempre esteve em alta.
Desde os tempos de Platão (olha a minha exibição de fasianídeo).
As moças ainda hoje são criadas para exercê-la até encontrar a cara-metade.
Depois que têm casa, chuto um número: cerca de 40% deixam a vaidade de lado.
Pode ser um tipo de libertação.

No Brasil, temos um presidente-pavão.
O fato de não saber absolutamente do que está falando (e pior, fazendo) não o atrapalha em nada.
Aliás, os homens têm a pavonice em outro nível.
São pavo cristatus, aqueles que “erguem e abrem em leque a longa cauda com plumas de um verde iridescente e caprichosos ocelos”.
Ocelos (físicos e materiais), de conquistas várias e, quando dão azar, de narciso.

Os feios e feias sempre me encantaram.
Há que se ter talento desde que Vinícius condenou aquelas que não têm graça.
Ser feio – isso sim é uma verdadeira libertação.
Andar sem muletas.

Na sociedade do hiperconsumo, alimentos para fazer nutrir a pavonice se vendem em frascos.
Mas os laboratórios ainda não acertaram a fórmula.
Os efeitos colaterais são uma loucura.
Os peitos crescem até ficarem anti-naturais. O queixo, medo, ganha um furo.
Os dentes brancos de colgate bilham enquanto o nariz arrebita.
E todo mundo, claro, nasceu para aparecer na TV.

Quem me acompanha por aqui, sabe que tenho uma certa experiência. Risos.
Já prevendo o nariz (pontudinho) torcido, dou minha opinião.
Dois terços dos pavões da caixinha mágica são menos ilustrados do que o presidente brasileiro.
E que sucesso!
Ganham dinheiro com isso.
Há que se ter outros talentos… E uma cara de pau daquelas!

Hoje estou chovendo no molhado, eu sei.
Mas deu vontade.
Tudo porque completo uma semana de dolce far niente.
E, nessas condições, perco o prumo.

Esse post veio para dizer que a vida de pavão-do-mato nos condenou.
Estamos todos em busca de aprovação.
Pavão nenhum abre o leque em vão.

O blog é um meio do caminho.
Tem algo de privado e algo de público.
Quem disse que um blog diz verdades?
Ou será um experimento?
Ele tem alguma obrigação?
Este aqui, não.
Ele é um laboratório. E eu sempre quis ser cientista…

O fato é que não me sinto confortável num palco.
Mas gosto de provocar.
Então o blog tem um quê de autotortura e, ao mesmo tempo, de petulância.
Pavão às avessas.
Pavão sem plumas.
Com cara de peru de Ação de Graças.

Que Rio que nada

sexta-feira, 1 de maio de 2009

photo-136

Cheguei quatro e meia da manhã.
Joguei um travesseiro no chão para Alice dormir perto de mim.
Os gatos todos vieram se encostar.
Eu estava ligada.
Na TV, qualquer bobagem.
Dormi.
Acordei a uma da tarde.
Demorei horas para fazer qualquer coisa.
Um banho depois de uma semana virando a madrugada.
Sem pressa.
Lavei o cabelo. Passei areia com açai no rosto.
Gastei litros de água.
Um pulo na padaria. Alice e sua corrida maluca com os cães da vizinhança.
Voltei para a cama.
Dormi até seis da tarde.
Vendo TV.
Nem fome tenho.
Quero acordar na segunda.
3 revistas de uma vez. Nunca mais.
Adoro minha cama Auping.