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Acorde comigo

terça-feira, 22 de junho de 2010

Time eclético em Cuba 2001: destaque para os diretores Luiz Fernando Carvalho e Laís Bodanzky

A sedução da foto, do texto. Todo blog é como uma menina nova, fresca, louca para te conquistar. Certo?
Errado, esse aqui é algo estranho. E contente-se com o que não te ofereço.
Explico: adolescente, eu tinha uma dúvida: psiquiatria ou jornalismo? Mamãe queria Direito, como ela.
Depois de tocar cadáveres cheios de formol, uma chatice, escolhi o jornalismo – a ponte possível para a literatura.
A caminho da prova de vestibular, carro cheio de colegas, meu pai disse que era a ponte mais fácil para a prostituição.

Primeiro ano de faculdade, mundo novo maravilhoso e resolvi fazer letras ao mesmo tempo. Entre festas, bebedeiras, aulas de filosofia, ciência política e muito rock’n roll, o tempo ia passando.
A brincadeira das letras não durou um ano. Desisti depois que uma professora disse “encicloplégica“.

P

1998: primeira sociedade - com Abud e Armandinho

Um ano antes de formar, contratada pelo maior jornal da cidade.
Eu não sabia nada, mas queria escrever. Não havia blogs nem internet. E escrever era entregar um pedaço de papel para ninguém.
Logo vi que bater ponto na redação era terrível.
Escrever deixara de ser algo seu – pautas, reuniões, assuntos do dia, o que “vende”.
Vim para São Paulo, madrugadas insones esperando a maldita aprovação do texto.
Bar do Estadão – whiskies sem fim, cheiro podre do Rio Tietê. Almoço no Frangó – aquela prateleira de cervejas do mundo todo e eu comendo arroz com feijão, vestida de gente grande.
O jornalismo não me convenceu – mas a $ me animava (e olha que era tão pouquinho).
Pule uma década e meia. TV na veia, alguns cursos abandonados pelo caminho: mestrado em Antropologia (completo), relações internacionais (ano e meio), direito (1 ano)… E a mesma insatisfação. Nem mais, nem menos.
Eu não quis ser atriz, continuei escrevendo o texto do dia, a grana aumentou, eu fiquei mais bonita. Sim, eu tenho certeza de que a velhice nos faz mais belos – mais boca-suja, mais loucos, mais kamikaze, muito mais interessantes.

Minutos atrás

Aí a catarse: não dê comida aos bulímicos.
Eu descobri que não era nada disso.
Não descobri ainda o que é. Mas sei o que não é.

E continuo escrevendo.

Não ter público pagante.
Instigante.
Eu gosto.
Pode me demitir por isso.
Eu realmente não estou nem aí.

Boa terça-feira de chuva e frio em Sampa.

Lévi-Strauss e os sábios

terça-feira, 3 de novembro de 2009

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Para um dia diferente, uma frase e uma poesia (a única que sei de cor).

People living deeply have no fear of death.
(Anaïs Nin)

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

(Fernando Pessoa)

Sobre Lévi-Strauss, um trecho da biografia da Agência EFE:

“Era discípulo intelectual de Émile Durkheim e de Marcel Mauss, interessado pela obra de Karl Marx, pela psicanálise de Sigmund Freud, pela linguística de Ferdinand de Saussure e Roman Jakobson, pelo formalismo de Vladimir Propp, entre outros. Também era um apaixonado pela música, geologia, botânica e astronomia.”
Casado pela terceira vez, faria 101 anos em duas semanas.

Eu fiz mestrado em sociologia em antropologia na UFRJ. Meu orientador? Peter Fry. A desorientada aqui levava o orientador para tomar cerveja Santa Tereza. E adorava discutir homossexualismo e questões de gênero. Uma bocó.

Sobre Lévi-Strauss, o primeiro livro que li foi O pensamento selvagem. Foi como ganhar cachaça na mamadeira. Quando ele explica que não há uma diferença de fato entre o pensamento primitivo e o pensamento contemporâneo, entendi que temos mesmo um EGO gigantesco. Palavras do mestre: “Não se trata do pensamento dos selvagens e sim do pensamento selvagem. É uma forma que é atributo de toda a humanidade e que podemos encontrar em nós mesmos, mas preferimos, no geral, buscá-la nas sociedades exóticas”.

Confesso: não é fácil ler Lévi-Strauss.
Apaixonado por uma série de temas (como se vê acima), ele é prolixo, ele é profundo. Eu tive que ralar para aprender a ler. E foi mais fácil ler alguns dos mestres dele (como Durkheim e Mauss) do que ler os textos de Lévi-Strauss. Mas, depois que você decifra a esfinge, é pura cachaça.
Em tempo: viver até quase 101 anos? Quanta coragem.
Sinceramente, gostaria de morrer cedo.
Estou mais para mula nova do que sábia velha.
E não se impressione com minhas leituras. É pura purpurina.

PENTHOUSE

Por falar em novidade, hoje “ganhamos” escritório em novo andar.
E o clima está realmente sensacional.
36º andar – uma senhora vista da cidade. Pé direito de 7,5 metros.
Comidinhas free para todo mundo na entrada.
Sucos e outros agradinhos. (E não é só para hoje – é para ter sempre)
Mesa super fofa, com direito a uma bela bromélia laranja em cachepô descolado de vidro.
Que bonito.
Nunca trabalhei numa empresa assim, que é realmente atenta aos detalhes.

Para quem não se contenta com uma alegria por dia, ao mesmo tempo, reta final para o festival de rock.
Eu estou com foco no Iggy Pop, Sonic Youth e Primal Scream. Mas tem muito mais bandas e todas incríveis.
E estamos trazendo 22 jornalistas gringos: Dazed & Confused, E!, Channel 4, NYT, The independent (o jornal que me obrigaram a ler quando fiz um cursinho de verão na Inglaterra e caí na turma de economia – !), The Guardian, entre outros.
Vai ser um estouro. Iggy cantando e Ana ralando feliz.
Meu ambiente: trabalhar com rádio, 2 celulares e num show de rock.

SQUAT

Aliás, tenho certeza que o local onde desempenhei melhor minhas habilidades foi quando fui garçonete e aprendiz de Relações Públicas num inferninho em Belo Horizonte. Modéstia a parte, eu era boa para caramba em juntar as bandas e recebê-las, atender com eficiência  a clientela e aproveitar o espaço para tocar bateria e acompanhar ensaios e processos criativos de poetas mortos. Mas isso não leva ninguém para lugar nenhum – risos.
Tempo feliz.

Claro que o dia foi bem mais agitado que isso. Tem site de gastronomia entrando no forno, fechamento de revista(s) aos 47 do segundo tempo, twitter for fun…

Mas isso é um blog. Não é um diário.
E não, não vou falar de Tristes Trópicos.

Bom começo de semana curta.