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Bumaiê

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Nocked out

Eu não sei qual é a sensação de um caminhão passando por cima.
Mas eu sei o que é ser nocauteado todos os dias por dois anos seguidos.

A primeira vez, inconseqüentemente, você se levanta assim que abre os olhos.
As pernas, pura manteiga.
O sangue escorrendo e formando rios pelo nariz, entre os lábios, descendo pelo pescoço.
Os cabelos sujos e colados nas têmporas.

No dia seguinte, você se levanta mais rápido.
Urra por dentro, mas ainda se segura em pé.

Ao final de um mês…
Você nem abre os olhos mais.
Fica ali, deitado, esperando o zumbido no ouvido deixar de ser um iiiiiiiiiiiiiiiih contínuo.

Depois de um ano.
Você sabe que vai acordar e POW!
Um soco vai te derrubar, você vai ficar estendido no chão meio zonzo, vai sentir um gosto metálico de sangue na boca…
Uma ducha, um band aid, e dia que segue.

Hoje, pouco mais de dois anos se passaram. Você escova os dentes, coloca um pijama velho que anda meio apertado…
Escovando os dentes antes de dormir, surpresa: o supercílio ferido denuncia o golpe.
E você percebe, pela última vez, que um dia acordou e foi a nocaute.

Indolor.
Apenas mais um dia.

(A partir de amanhã, nem os socos te acordarão. Muito menos a memória)

Memória do frio

sábado, 28 de maio de 2011

cômica

Depois de um mês e meio, meu carro voltou de reboque para casa.
Lindo, louro de olhos azuis, sem as marcas do abalroamento provocado por um motoboy de Alice.
Veio no meio da noite fria.
E eu saí com a outra Alice para tomar agulhadas de chuva fina em uma São Paulo adormecida.
A caminhada no escuro que tanto me atrai.
Eu e Sancho Pança em direção aos moinhos de vento.

Devaneios.
Agora mais enclausurada no mundo virtual, ontem fui confinada com 7, 8 desconhecidos numa sala de chat para que a mestre cumprisse sua meta.
Os professores não existem.
Não há debate.
Há quem reclame da falta de discussão com cedilha.
Leia a apostila boba, com animações infantis e ganhe o título.
O preço – óbvio – é alto.

Meu jornal da manhã me salva.
Quero O Sonho do Celta de Llosa. Aguardo O Palhaço e Sua Filha pela Planeta.
E acho que me arrependerei de Um Dia ter ousado explorar (as) Teorias Selvagens.

Ai, meu ex-vegetarianismo.
Em pouco tempo o colesterol ruim passou de desejável, saltou o limítrofe e estreou elevado.
Dizem que toda gordura é necessária.
E eu estava apenas brincando de me enganar.
O colesterol alto me convém.
Completa.
Explica.
Agride.
Se eu morrer do coração, do latim condicens.

O carro?
Vai acumular pó na garagem até que volte a ser moreno, índio, saci, viciado em oxi.

Pour Nico

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

aujourd'hui, j'ai rêvé en français

Nico, la vie se passe ici à un rythme différent.
Arriver. Voir des gens que j’aime.
Retourner à la maison, au lit, à la cuisine, aux animaux de compagnie.
Ensuite, vous vous réveillez à la réalité. Payer les factures, les petites administrations d’une vie.
La recherche de travail.
Mon ordinateur est mort.
Mon téléphone est tombé et a cessé de travailler.
Sao Paulo est la ville qui vit à l’intérieur d’une voiture.
Nous voyons moins de gens et ne donnent pas bonne journée.
Nous avons moins disponibles.
La politique sale qui nous entoure montrant que nous travaillons pour nourrir les monstres corrompus.J’ai couru 12 km.
(Pour sentir le vent souffler sur mon visage)

Paris et Sao Paulo ne devrait jamais être le même.
Ainsi, nous nous sentons unis.
De ce qui nous manque.

(Mon français est seulement autorisé à se tromper sous la forme de la poésie.)