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Tanto riso, ó…

quinta-feira, 29 de março de 2012

Direto da Delegacia

Começo o dia sendo acordada pelas notícias.
Velório do dramaturgo, artista, chargista e grande frasista.
Tinha lá algumas namoradas, Cora Ronái incluída, mas manteve-se casado por 64 anos.
O tumor do ex-presidente desapareceu e ele diz que sentiu-se como recebendo a bomba de Hiroshima.
Encontraram ossos de hominídio que tinha pés de macaco.
O técnico da seleção quase perde a direção.
Estudantes de direito da UFPR fazem cartilha explicando como “pegar” uma mulher usando as leis.
Tudo tão ambíguo e sugestivo.
Mas não, nem pense nisso.
Humor hoje em dia é para a polícia ou magistrado decidirem o que fazer.

Não pode fazer piada com tumor. Espezinhar o doente?
Não pode ser incorreto.
Nem falar das escapulidas bizarras do ex-jogador de futebol.
Os pobres meninos, bem bobos, fazem graça com a interpretação das leis e as feministas, a imprensa e até o Oscar Maroni saem com paus, pedras e verve.

Onde anda a graça?
Não está com a macaca – disso eu sei.
Pois tem pés de pato, sapato de palhaço.
Onde anda o savoir fair?
Onde anda o riso?

Hoje tudo é ferro e fogo.
Tudo é preto no branco.
Pedra.
Não tem no meio do caminho.

Meninos do Paraná, eu, que fui aprovada nesta mesma faculdade para estudar Direito mas fiz tudo errado, morri de rir da cartilha e teria adorado estar entre vocês.
Presidente, que comparação disparatada.
Nem exumando o corpo do Tim, a coisa muda de figura.
Vamos tentar com a sexta-feira…

E lá vai ela

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Acordo cedo e recebo a mensagem:
“Estou embarcando para Brasília.
Vou protestar contra o Novo Código Florestal”.
E eu fiquei com essa história rodando na cabeça o dia inteiro…
Pare o mundo porque eu vou defender um ponto de vista.

Enquanto a garotada da USP defende maconha no playground, há quem pense no bem coletivo.
E ainda deixe de ser um cidadão comum por um dia para ser um supercidadão.
Aquele que hoje não foi trabalhar.
Aquele que não enfrentou trânsito para pagar o leitinho das crianças.
Simplesmente gastou uma boa nota em passagem de avião.
E instruiu o taxista: “Toque para o Congresso”.

Foi para lá sem plano nem encontro marcado.
Apenas para ver nosso futuro ir para o espaço.
E, antes disso, para deixar o seu protesto.

Um indivíduo contra os representantes de ninguém.
Que coragem.

Extra, extra!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pop pop pop

Moro em uma cidade interessante.
Aqui, estudantes usam drogas no campus – assim como os daí.
Mas não se iluda.
Os daqui são mais unidos. Mais bonitos. Mais bem alimentados.
São especialistas em matemática.

Faça as contas comigo: para não prenderem 3, cerca de 70 invadiram a reitoria de uma das maiores universidades públicas da América Latina.

3 + 7 = 73

E logo pintaram paredes, reviraram móveis de uma instituição pública que abriga quase 80 mil estudantes.

76.560 – 73 = 76.487 


E, com agenda vaga, de lá os não representantes de 76.487 estudantes não saíram.
Conversa vai, conversa vem…
Juiz decide.
E a turma teve que sair.

Cerca de 400 policiais usaram até um helicóptero para tirar dali os 70 que defendiam 3 maconheiros.

76.560 – 73 / 400 x um discurso ultrapassado = 72 presos
(4 são funcionários da universidade, 1 aluno estuda na PUC/SP).

A turma toda foi para o 91º Distrito Policial, na zona oeste de São Paulo.
A Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas) fez uma vaquinha e pagou R$ 39,2 mil de fiança
Os detidos responderão pelos crimes de dano ao patrimônio público e desobediênica de ordem judicial.

Fatos interessantes: pais levaram Coca-Cola para os filhos detidos.
Um dos estudantes fichados reclamou que esquecera o carregador do iPhone.
Uma estudante pediu cigarros a polícia e depois retocou a maquiagem com seu blush da M.A.C.
Não há informações sobre o que a polícia comeu.
Segundo a APAA-USP (Associação de Pais de Alunos Aloprados da USP), dos 72 detidos, 68 já tomaram banho e 39 foram ao Mc Donald’s fazer um lanchinho e tentar curar o trauma. Outros 4, vegetarianos, receberam uma marmita contendo alcachofras e funghi secchi.

Qualquer novidade, estaremos de volta, ao vivo, com mais um boletim escolar nota zero.

Futurologia furada

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ontem à noite, liguei para uma astróloga para saber o que vem por aí.

Urano ainda bagunça meu coreto: vira tudo de pernas para o ar, manda eu fazer coisas que jamais faria e tal e coisa.
Junho do ano que vem é período fértil para projetos e outros quetais – a astróloga, empolgadíssima e eu já pensando em jogar sal na Terra.

Talvez seja hora de virar uma menina boa, uma mãe exemplar, uma funcionária de carreira ou virar do avesso mesmo.
E ligar para minha gerente do banco e pedir para ela cravar uma previsão para 2012.

(Risos)

Para quem está no Brasil, dia de muito sol e uma chuva falsa.
Pouco tempo, muita coisa, e uma semana que voa.
Os passarinhos, não vi.
Eles também não me procuraram.

Fechada por um gigantesco caminhão de mudança, pensei: isso é um sinal.
O caminhão me fez perder dez minutos do dia – e a cuca foi longe: afinal, quem não está “de mudança”?
Por isso, muletinhas simpáticas: smartphones, tablets, pagers, cigarros, unas copas e óculos de sol bem grandes para ficarmos escondidinhos do real.
Tudo misturado e para ontem para não pensarmos no hoje.
E embolar o meio de campo para fugir do que interessa.

Decidida a não perder os tais dez minutos, acenei para o motorista do caminhão, fechei os olhos, liguei na rádio USP e o que tocava?
Bach, A Arte da Fuga

E você vem com essa de me chamar de lugar comum…