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Sobre a(s) derrota (s)

sábado, 4 de agosto de 2012

Pow

Aqui nos trópicos a moçada enche a cara de bolinha, é punida, volta para casa e não sabe o porquê.
Atleta campeã de tudo não passa da primeira fase e coloca a culpa no vento.
Nadador de ponta perde e diz que a gritaria da torcida teve a ver com a história…

Ganhar, ganhar, ganhar.
Somos tão pequenos assim?
O resolvemos virar adeptos da filosofia do Tio Sam?

Sou mesmo fã das disputas, das batalhas, da pegada de quimono.

Gosto do gosto de sangue na boca.
Da unha quebrada.
Do salto todo marcado de calçada portuguesa.
(perdoem-me os puritanos)
Mas a transa inesperada… é melhor.

Gosto de me endividar e sofrer com o prazer enorme de algumas horas em detrimento da tormenta de anos com um boleto que vence no dia 10 do mês.
Gosto de ficar feliz por ter que viajar a trabalho.
De subir na balança e ver o ponteiro subindo. Fazer o quê?
De ficar bêbada com qualquer coisa que cheire a álcool.
De gastar uma fortuna na manicure (que cobra 40 reais).

Ah…
Os lindos de olhos azuis e a medalha de ouro que me perdoem.
Mas eu gosto mesmo é de pé rapado que me leva para copo sujo.
Vira-lata.
Rasteira.
Que fala palavrão.

Eu perco muito. Repetidas vezes.
Fazer o quê?

Sobre a previsibilidade

domingo, 3 de abril de 2011

Depois de muita corrida e passeio vagabundo sem rumo, o vira-lata reencontrou o portão de casa.
Não é que ele tenha fugido, mas um dia…
Um dia ele saiu e encontrou a porta de casa fechada.
Para passar o tempo, resolveu andar.
Primeiro um quarteirão.
Uma rua.
Dois quarteirões.
Quase atropelado.
Aprendeu o que os donos nunca conseguiram ensinar.
Atravessou ruas.
Cheiro de pastel de feira.
Fome.
Água de vala.
Volta para casa.
Onde?
Chute. Pedra.
Foi amarrado.
Passou duas noites preso a um portão.
Roeu a corda. E nem abanou o rabo.
Com o fiapo de força que não sabia que tinha, correu.
E deitou exausto no meio de uma praça suja do Centro de São Paulo.
Fraco, faminto, foi mordido por outros cães.
Virou latas.
Coxinha, misto quente, arroz com chuchu.
Salsicha.
Azedo.
Doce.
Com a barriga cheia, quarteirões.
Portão.
Casa.
4 dias.
E seu latido mudou.

(para sempre)