Posts com a Tag ‘VAMPIRO’

Trottoir

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

No centro, ao lado de uma estação de ônibus, esbarrei de novo com o Itamar Assumpção.
Magro, cheio de dreads, cultuado ainda e nada maldito.
Maldito era o enrgético com uisque, depois com gim.
Maldita é a combinação com o celular.

O jazz.
O menino.
Os meninos.
E esta coisa de travesti – que, quem entende dos astros, dos seres do outro mundo, quem entende manda que eu anule, que eu pare, que eu não assuste.

Devo sair por aí de vestidinho rosa de lacinho.
E devo sorrir com biquinho.
E o mundo viverá tranquilo e eu apavorada.

O Jazz era nos Fundos mas o passeio foi na praça Roosevelt.
Os loucos, os bêbados, os tarados, toda a trupe reunida.
Eles comiam minha amiga com os olhos e eu, com minha corda de mulher maravilha, ia dando estaladas no chão para espantar tudo que é invisível e qualquer vampiro.

No restaurante escolhido, mojito.
Ceviche depois de duas esfirras de carne.
Ou 3?
E a promoção: dois Aperol Spritz dão direito à uma taça de vidro vagabunda.
E eu realmente preciso de uma taça de vidro.
Um sanduiche de grao de bico, um pacote de biscoito de gergelim.
Eu pensando: vai ser até bom, preciso de um quilinho a mais no momento.

Mas o maldito celular e a coragem estúpida dos bêbados.
Se era para fazer tanta besteira usando a ponta dos dedos e uma tela de cristal, melhor teria sido ter subido no palco e ter cantado “Código de acesso”.

Transilvânicos tropicais

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

o que você não vê

Dizem que têm hábitos noturnos, que vestem capa e procuram pescoços de moças cândidas e virgens.
Mentiras, marketing puro para confundir os predadores.

Saíram das arábias, devoram babaganouch e coalhada seca.
Com doze anos, usaram aparelho fixo.
Aprenderam a dançar nos bálcãs.
E escolheram o Brasil para ficar.
Ciganos, anarquistas armados.

Ýn iþi, cin iþi deðil insan kiþi!

Não, não dormem num sarcófago no porão.
Gostam de cama macia e têm preferência por dossel com mosquiteiro.
O sangue doce e quente atrai insetos.

Quando a madrugada encontra o dia, por volta das cinco horas, correm como lobos.
Vêem o mundo que nem bandidos ou putas conhecem.
O mundo de quem ainda não acordou e de quem acaba de ir dormir.
Nessa saída quase que religiosa, gritam, dão socos no ar.
Levam iPod para lembrar da caminhada de outros séculos.
Suam.
O corpo não é esguio e muitas vezes pensam em cirurgia plástica.

É certo que não são dourados de sol.
A pele branca é usada como isca.
Em Cuba, fiquei sabendo, usam “vampisol”, um poderoso preparado que não deixa a pele descascar.

Sim, seduzem.
Têm canto de sereia.
E brincam de levar um séquito de curiosos para cima e para baixo.

Mas é na corrida de todo o dia que sabem quem são.
Correm sós.
Debaixo de temporal.
Pensam em, quem sabe um dia, baixar a guarda.