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Capítulo 10

terça-feira, 24 de abril de 2012

Agenda social cheia.
Casamento em Florianópolis.
Batizado em Belo Horizonte.
Cerimônia budista em Ribeirão Preto.

Qual seria seu repertório?
Iria encontrar com o cara que o dispensou do trabalho.
Com ex-colegas da ribalta.
Com celebridades.
Praia. Montanha. Estrada. Avião.

Depois de dois anos enjaulado, seu corpo não era o mesmo.
Os lindos cabelos haviam sido cortados.
Não tinha cartão de visita.
Não trabalhava.

Via espartanamente.
Tentava escrever para se libertar dos fantasmas.

Voltar ao mundo dos vivos.
Escolher uma personagem.
Vestí-la de corpo inteiro.
Sorrir sem motivo.

Pensou numa saída: chegar tarde.
Sair cedo porque só conseguiu um vôo que partia em pouco tempo.
Falar pouco.
Ouvir tudo.
Beber.

Ma petite étoile a trouvé son grand amour

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Lindinha, frágil, delicada.
Não consigo ficar triste.

A história de Bibi e Mafalda é muito linda.
Bibi, mineiro bobo, começou a reclamar muito quando mudei para Fortaleza.
Eu viajava 3, 4, 5 dias e o deixava sozinho no apartamento.
Minha mãe postiça, Dulce, passava em casa para saber se estava tudo bem.
Bibi reclamava e se escondia.
Quando eu voltava das mil viagens, Bibi gritava, reclamava – com toda a razão.

Um dia, vi um bebê cinza apanhando com vara de marmelo no centro de Fortaleza.
Fiquei de olho.
Quando o pequeno deu sopa, peguei rápido e o coloquei dentro de uma caixa de sapato.
O bichinho arranhou, gritou, fez tudo.
Era Mafalda (que eu achei que fosse macho) – um sequestro relâmpago que durou 12 anos.

Bibi se apaixonou e não se cansou de lamber, de cuidar da Mafaldinha.
O nome é em homenagem à famosa personagem de Quino.
Uma criança perspicaz, meio amarga, com excesso de realidade.

Bibi e Mafalda formavam um casal muito harmonioso.
Sempre juntos – até na terrível hora do banho: um ficava paradinho, solidário, miando embaixo do tanque, esperando pelo companheiro ser esfregado, molhado, perfumado. Arght!

Com a morte do Bibi, Mafalda adoeceu.
Uma feridinha no rabo virou feridão.
Uma bobagem virou uma gata sem rabo.
Nos últimos dias, ela desistiu.
Sem comer, sem andar.
Deitadinha.
Só miava baixinho quando eu fazia carinho.
Hoje, às 18h, deu um suspirinho e foi se encontrar com o Bibi.

O amor, sem dúvida, é forte.
Eu fico emocionada.
Não é tristeza.
É assombro mesmo.

Bibi e Mafalda, um amor de verdade.

200km por hora

quinta-feira, 11 de março de 2010
2001, uma odisséia no espaço

2001, uma odisséia no espaço

E foi assim que tudo começou. De saco cheio da vida de jornalista que rala, mas não leva crédito, parti rumo à ilha.

E abri minha caixa de surpresas.

Agora, 9 anos depois, fico relembrando as viagens da viagem. Em pleno Caribe, fugindo do carpete e das redações, curtindo andar com um pano na cabeça. Os óculos eu perdi num Skoll Beats, os brincos fiquei com um só na Ilha do Mel e mandei para o mar, o pano foi blusa, saia e vestido e, hoje, está guardado com toda pompa no meu gavetão de panos. No dia dessa foto, uma cubana me achou patrícia e perguntou se eu estava faturando o “gringo” que me acompanhava. Risos e mais risos. Fiquei me achando “a” cubanita de pano na cabeça.

Pois é…

Amanhã, Rio; dia 27, Abu Dhabi, dia 12 de abril, Salzburgo. Eu que estava pulando em comemorações ao meu momento ex-Latam pago a língua com estilo. Mas não posso reclamar – essa vida de communications é literalmente uma viagem. Só não pode ter amarras, filhos e se levar muito a sério.

Como diz a canção do Lô, “sou do mundo, sou Minas Gerais”.

E estou devendo, mas não nego. Vou contando em pílulas.

Sobre minha história no mundo da construção civil… Começou animada, no meio tinha um caixa dois, depois um processo e, hoje, acertei minhas contas. Tudo porque peitei a gigante e sem colete à prova de balas. Não foi fácil, tem que ter coragem, tem que ser meio doido. Em vários momentos, a vontade era de ir até a Receita Federal e vomitar as porcarias que testemunhei em números. Mas tive que adotar um meio termo. Porque ferro com bandido acaba em fogo.

Mas digo apenas uma coisa: no Brasil, as construtoras limpam a grana através de agências de publicidade e todo mundo sabe. Eu não sabia e fiquei horrorizada. Mancha negra total no meu CV. É chato se descobrir honesto num meio em que o modus operandi é comprar fiscal de prefeitura, prefeito, vereador, é limpar dinheiro achacando fornecedor ou transformando fornecedor em cúmplice. Cruzes, traficar deve ser mais limpo.

Fui.

O tempo urge

terça-feira, 25 de agosto de 2009

e7e1d08c526344a5b80e104f75be921c3cc856ce_m Nessa vida modernex, pulando de hotel em hotel, a gente alterna altos e baixos de humor, de peso, de clima. Chove no Rio. Vou mudar meus planos de correr na praia para de noite. Não dá tempo de tomar chuva e estar pronta para um dia inteiro de palestras que começam 9h.

Dizem que o mundo moderno virou uma fábrica de reuniões.
O mundo corporativo – bien sûr!

Sem fazer crítica, eu sou adepta de uma filosofia: viagem boa é aquela que você faz para curtir. A trabalho sempre fica faltando algo. Os melhores momentos… Você não aproveita. A chuva quente do Rio, por exemplo.

Meu bisavô era tropeiro. Levava bois de uma fazenda a outra. Leias-se Goiás a quase São Paulo. Sinto que algo corre nas veias. Eu trocaria esses ovos mexidos frios e os figos pretensiosos por uma panela com mexido e uma bela noite ao relento. Um mundão de Guimarães. Sem computador. E boi, boi, boi.

Ser bom em alguma coisa não quer dizer ser melhor que ninguém.
Mas ver que existe gente boa é ser muito bom em alguma coisa.
Porque ver gente que não é boa em nada… Ah, deixa para lá.

Vamos fazer reunião e descobrir um jeito de pagar o hotel cinco estrelas.
Porque a nova moda é dividir banheiro com desconhecido.
Como sou do tempo antigo, estou pagando pela habitação.